Guerra Fria

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A “Guerra Fria” ficou caracterizada pela oposição entre duas superpotências (EUA e URSS), que “dividiram” o mundo ideologicamente

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Por Me. Cláudio Fernandes

Para se compreender o período que ficou conhecido como Guerra Fria, período este que vai de 1945 a 1989, é necessário, inicialmente, conhecer alguns fatos que se desenrolaram logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

É sabido que, antes mesmo do segundo conflito mundial estourar, no ano de 1939, já haviam acentuadas posições ideológicas em toda a Europa e em várias regiões do mundo. Essas ideologias consistiam, principalmente, em nacionalismos exacerbados de viés autoritário, como o fascismo e o nazismo, e o comunismo stalinista, também de viés autoritário, sendo que ambos tinham a característica de serem coletivistas – isto é: interessava, sobretudo, a coletividade social, em detrimento do individualismo, que era marca do liberalismo clássico do século XIX (outra ideologia que ainda vigorava neste período, sobretudo na Inglaterra e nos Estados Unidos).

Em que consistia a polarização: Capitalismo X Socialismo?

Para derrotar o avanço do nazismo, os países que representavam a tradição política liberal (EUA e Inglaterra, sobretudo) uniram-se, momentaneamente, com o comunismo soviético, ainda que as posições ideológicas de ambos os lados fossem radicalmente opostas. Finda a Segunda Guerra, essas frentes ideológicas passaram a delimitar “zonas” (geográficas) de influência em várias regiões do mundo. A União Soviética, então liderada por Josef Stálin, cujo poder central estava em Moscou, comandou o chamado “bloco socialista”, que dominava toda a Europa Oriental, parte da Ásia e, a partir de 1959, exerceu influência na América Central, por meio de Cuba, que sofreu um processo revolucionário de orientação comunista sob a liderança de Fidel Castro. Os Estados Unidos, por sua vez, lideraram o chamado “bloco capitalista”, que se tornou hegemônico na Europa Ocidental (sobretudo através dos planos de reconstrução dos países devastados pela guerra), no Continente Americano e no Japão – já que a China, no Extremo Oriente, havia também passado por um processo revolucionário e tornado-se comunista no fim da década de 1940.

Entretanto, malgrada a realidade desta oposição, é necessário que se faça algumas ressalvas quanto às denominações “capitalista” e “socialista” (ou comunista). Essas palavras podem indicar diferenças entre perspectivas sobre sistemas econômicos e concepções políticas.

No primeiro caso, o sistema capitalista é considerado a forma avançada e sistemática da economia de mercado, que se pauta pela valorização da propriedade privada, pela livre inciativa individual, pelas trocas econômicas com o mínimo de intervenção estatal, pelas taxações de preço determinadas pelo próprio mercado e por vários outros fatores inerentes ao mercado. O sistema socialista, do ponto de vista econômico, encara a produção econômica a partir da compreensão marxista da mais-valia e da teoria da exploração.

Na crítica comunista dirigida aos teóricos liberais e defensores da economia de mercado, os trabalhadores seriam explorados pelos patrões capitalistas através da venda de sua força de trabalho na relação de produção. Era necessário, portanto, que as bases do sistema capitalista fossem radicalmente transformadas para que a desigualdade entre classes desaparecesse – a propriedade privada e o livre mercado, pautado pelo empreendedorismo, seriam empecilhos para esta perspectiva igualitarista do comunismo. A revolução comunista (levada a cabo na Rússia por Lênin e os bolcheviques) “aceleraria” a instituição desta perspectiva.

A grande crítica que economistas liberais fazem à concepção econômica socialista consiste em ressaltar a impossibilidade de um sistema econômico sem mercado, haja vista que, para que se tente instituir o sistema econômico igualitarista, é necessário que o estado controle e planeje toda a economia e, para tanto, deve controlar e restringir as liberdades individuais também, prejudicando o sistema político democrático.

A polarização da Guerra Fria, então, era marcada por essas duas concepções complexas. Sem contar a presença de várias mesclas de concepções econômicas como o “Estado do Bem-Estar Social”, a “social-democracia”, a “esquerda trabalhista”, dentre outros que misturavam ideias de liberdade econômica e igualitarismo socialista.

A Alemanha divida, Berlim e o Muro como símbolo da Guerra Fria.

A Alemanha, por ter sido o centro, durante a Segunda Guerra, do inimigo que se tornou comum tanto às potências ocidentais, pautadas pela ideologia liberal e capitalista, quanto à União Soviética comunista – isto é, o Nazismo –, sofreu uma grande crise política (além da econômica) a partir de 1945. Depois da guerra, os EUA, França, Inglaterra e URSS dividiram o território alemão entre eles, procurando assim estabelecer as suas respectivas zonas de influência. Criou-se então dois Estados Alemães, um ocidental – aliado do “bloco capitalista” – e outro oriental – aliado do “bloco socialista/soviético”.

A capital, Berlim, ficou do lado oriental, comunista. Porém, também foi dividida por contar da disputa por influência ideológica. O lado ocidental de Berlim, a partir de 1961, foi completamente circundado por um muro de três metros de altura, feito de concreto e arame farpado, construído pelos comunistas. Esse muro passou a impedir que as habitantes berlinenses, tanto de lado ocidental quanto do lado oriental, pudessem transitar livremente por ambos territórios. Ao longo dos 45 quilômetros do muro, foram montadas guaritas com soldados armados que vigiavam o cerco constantemente. Sem dúvida, o muro de Berlim foi o maior símbolo da Guerra Fria. E só perdeu sua função em 1989.

O muro de Berlim ficou sendo o maior símbolo da Guerra Fria. Sua “queda”, em 1989, marca o fim deste período
O muro de Berlim ficou sendo o maior símbolo da Guerra Fria. Sua “queda”, em 1989, marca o fim deste período

Outras características da Guerra Fria

A criação da ONU (Organização das Nações Unidades), em 1945, também é um dos acontecimentos centrais da Guerra Fria. A ONU foi criada a partir da antiga Liga das Nações. Como entidade globalista com objetivos variados, dentre eles, “garantir a paz” entre as nações e promover políticas de caráter humanitário, a ONU tem importância relevante até os dias de hoje. Sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada em 1948, influencia constituições do mundo todo, ao longo do século XX. O papel da ONU na Guerra Fria foi mais intenso e cheio de contrapartidas. A URSS, por exemplo, fez parte dela, em seu início, mas foi afastada posteriormente.

Outros fatos importantes foram a criação do Estado de Israel, em 1948 – que provocou uma onda de guerras com os países vizinhos, como Egito e Líbano, nos anos seguintes –, os golpes de estado na América Latina, inclusive no Brasil, e as guerras locais, sobretudo na Ásia e na África. Neste último ponto, destacam-se as guerras pela descolonização de países, tanto da África quanto da Ásia. Além disso, a disputa por zonas de influência também demandaram outras guerras locais. As mais famosas são a Guerra do Vietnã e a Guerra das Coreias.

As técnicas de espionagem, infiltração, subversão e desinformação das agências de inteligência da União Soviética, a KGB, e dos Estados Unidos, a CIA, também tiveram papel significativo durante a Guerra Fria. A perseguição a comunistas nos EUA e na América Latina, bem como a deserção de membros da KGB e sua fuga para países ocidentais foram muito comuns neste período.

Somam-se a estes acontecimentos, outros, como as denominadas “Corrida Espacial” e “Corrida Armamentista”. O astronauta soviético Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a ir para o espaço no ano de 1961. Em 1969, astronautas americanos conseguiram ir à Lua, pisá-la pela primeira vez, instalar equipamentos científicos e extrair amostras para serem analisadas. Os feitos de ambas as partes da polarização ideológica da Guerra Fria foram motivados pela rivalidade que incitava a superação tecnológica e a conquista do espaço, sobretudo da órbita terrestre. Do mesmo modo, o controle geopolítico das zonas de influência suscitava um desenvolvimento progressivo de tecnologia militar. A “corrida armamentista” se insere neste contexto, principalmente no que se refere ao armamento nuclear.

No campo cultural, o fenômeno conhecido como contracultura se tornou notório. Exemplos como a literatura beat nos anos 1950, movimento hippie, o rock 'n roll, a música popular de protesto, o teatro de protesto, bem como as novas manifestações do cinema, como o Cinema Novo brasileiro, a Nouvelle Vague (Nova Vaga, Nova Onda) francesa, o Neo Realismo italiano, dentre outros. A revolução sexual e a força do movimento estudantil também se tornaram evidentes nesta época. Os acontecimentos do mês de maio de 1968, em Paris, deram a tônica disso.

Ademais, o período da Guerra Fria só se findou com o colapso da União Soviética na década de 1980, decorrente, sobretudo, do fracasso do planejamento econômico estatal. Figuras como Ronald Reagan (presidente dos EUA) e Mikhail Gorbachev, secretário-geral do Partido Comunista Soviético, foram decisivas para que a Guerra Fria chegasse a seu fim.

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