Che Guevara

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Che Guevara nasceu na Argentina, formou-se médico e ficou conhecido por ter sido um revolucionário que participou ativamente da Revolução Cubana, que derrotou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959. Ele também participou de focos revolucionários no Congo e na Bolívia, mas não obteve sucesso em nenhum desses dois locais.

Che Guevara transformou-se em um revolucionário de maneira gradual. Interessado pela leitura, ele lia autores como Marx e Lenin na sua juventude. As experiências progressistas que presenciou na Bolívia e Guatemala e a pobreza da população, percebida em suas viagens, fizeram-no aderir à luta revolucionária.

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Nascimento e juventude

Che Guevara passou os principais anos de sua infância e adolescência residindo em Alta Gracia.[1]
Che Guevara passou os principais anos de sua infância e adolescência residindo em Alta Gracia.[1]

Ernesto Guevara de la Serna nasceu no dia 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina. Ele era filho de Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna, e sua família era formada por mais quatro irmãos, todos mais novos. Quando Che Guevara nasceu, ela gozava de uma boa condição financeira pela riqueza herdada de seus pais.

Apesar de ter nascido em Rosário, Che morou em Buenos Aires durante os primeiros quatro anos de sua vida, e ainda depois seus pais decidiram mudar-se para Alta Gracia porque Che Guevara tinha problemas respiratórios (asma). Eles então concluíram que os ares da região serrana onde fica Alta Gracia seriam bons para os pulmões dele, depois de orientados por um médico.

Che Guevara passou toda a sua infância e adolescência em Alta Gracia, local onde fez amizades e onde estudou. Lá, a casa que Che e sua família viveram é conhecida como Villa Nydia e atualmente é um museu que reconta os detalhes da vida do famoso revolucionário. Em Alta Gracia, ele fez seu ensino primário, e, em Córdoba, cidade próxima, ele fez o secundário.

Universidade e viagens

Réplica de uma Norton 500cc, a moto usada por Che Guevara e Alberto Granado na viagem deles pela América do Sul.[1]
Réplica de uma Norton 500cc, a moto usada por Che Guevara e Alberto Granado na viagem deles pela América do Sul.[1]

Na adolescência, a família de Che enfrentou problemas financeiros porque a empresa de seu pai decretou falência e seus pais divorciaram-se. Esses acontecimentos levaram-na a mudar-se para Buenos Aires. Lá, Che passou a viver na casa da vó materna, em 1947, e no ano seguinte, ele começou estudar na Universidade de Bueno Aires.

O período universitário foi de grandes descobertas para Che Guevara. Ele fazia o curso de Medicina, conciliava seu tempo com alguns trabalhos, e também devorava livros, entre eles estavam leituras como Lenin e Marx. Aqui, Che era apenas um jovem curioso que se interessava pelo mundo e pela leitura. Seriam outras experiências de vida que despertariam os ideais revolucionários nele.

Nesse período, Che Guevara dedicou tempo também para realizar algumas viagens, e delas se destacam três: uma pelo norte da Argentina e outras duas pela América Latina. Essas viagens tiveram grande peso na forma que Che pensava e enxergava o mundo e os seus problemas. A primeira delas aconteceu em 1950, e nela, ele explorou o norte da Argentina.

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Essa viagem pelo norte da Argentina aconteceu em uma bicicleta motorizada que o acompanhou por um percurso de 4500 km. Durante o trajeto, ele visitou um amigo de Córdoba e passou por locais como Tucumán e Jujuy. Quando retornou a Buenos Aires, deu sequência aos seus estudos na universidade.

Ainda em 1950, ele conheceu María del Carmen Ferreyra, também chamada Chichina. Ela era filha de uma das famílias mais ricas e influentes de Córdoba, e logo se apaixonou por ele. O sentimento foi recíproco, e Chichina e Che iniciaram um flerte, mas as diferenças das condições de cada um fizeram com que a família dela rejeitasse um casamento de sua filha com ele.

Em 1951, Che passou alguns meses trabalhando em um navio petroleiro da YPF, e, no ano seguinte, ele deu início a sua primeira viagem pela América Latina. Nessa viagem ele e seu amigo de infância, Alberto Granado, resolveram explorar o continente sul-americano em uma moto Norton de 500 cilindradas.

Os detalhes da aventura foram relatados por Che em um diário, e esse hábito de registrar seus dias seguiu-o até o fim de sua vida. A moto utilizada na viagem estragou ainda no Chile, e Che e seu amigo seguiram ainda por Peru, Colômbia e Venezuela. Essa viagem, somada à experiência pelo norte da Argentina, despertou a atenção de Che a respeito da pobreza da população.

Ele e Granado estiveram viajando de janeiro a julho de 1952, e, depois, Che fez os últimos meses de seu curso de Medicina, obtendo o título de médico em abril de 1953. Em julho desse ano, ele realizou a sua segunda viagem pela América Latina, dessa vez sendo acompanhado por Carlos Ferrer, outro amigo de infância.

Primeiro eles foram para a Bolívia, local onde Che encontrou um movimento revolucionário em curso. Depois ele passou por Peru e Equador, onde se separou de seu amigo, e então seguiu para a Guatemala. Nesse país da América Central, Che Guevara estruturou o seu pensamento revolucionário.

Na Guatemala, Che encontrou um governo progressista que procurava fazer reformas, como uma reforma agrária. O governo guatemalteco era presidido por Jacobo Arbenz, e o modelo de reformas que estavam sendo implantadas lá desagradou aos Estados Unidos. Dessa forma, a Guatemala foi acusada de ter um governo comunista e um golpe foi orquestrado pelos norte-americanos.

Esse golpe foi realizado por militares, e, logo após ele, Che, que mantinha contatos com marxistas e comunistas, abrigou-se na embaixada argentina. Antes do golpe, Che tinha tido muito contato com cubanos que faziam parte do Movimento 26 de julho, que lutava contra a ditadura de Fulgêncio Batista.

Foi desse contato com cubanos que Che Guevara recebeu o “Che” como apelido. Acredita-se que se trata de um coloquialismo para “companheiro”. Depois da Guatemala, ele foi para o México, local onde passou a trabalhar em um hospital. No México ele também conheceu Raúl Castro e Fidel Castro, os dois líderes do Movimento 26 de Julho.

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Atuação na Revolução Cubana

Foi sua atuação como revolucionário em Cuba que fez de Che Guevara uma das personalidades mais conhecidas do século XX.[2]
Foi sua atuação como revolucionário em Cuba que fez de Che Guevara uma das personalidades mais conhecidas do século XX.[2]

Che Guevara aderiu ao Movimento 26 de Julho e foi um dos 82 tripulantes que estavam a bordo do iate Granma, o iate que levou os revolucionários para Cuba. Lá, eles foram atacados, grande parte dos membros da guerrilha morreu, e os que sobreviveram fixaram-se em Sierra Maestra, uma região montanhosa.

Foi o envolvimento com a Revolução Cubana que transformou Che Guevara em uma personalidade conhecida internacionalmente. Ele comandou tropas, treinou soldados, e quando a ditadura de Fulgêncio Batista caiu, em 1º de janeiro de 1959, ele se transformou em um dos homens mais importantes de Cuba.

Recebeu a nacionalidade cubana e assumiu diversos cargos no governo cubano, como o Ministério da Indústria, a direção do Banco Nacional, entre outros. Che Guevara foi um dos defensores de que Cuba deveria, desde o início do novo governo, aliar-se com a União Soviética porque sabia que o projeto cubano despertaria a ira americana e o país seria alvo de uma tentativa de golpe.

A previsão de Che estava certa. Os Estados Unidos conspiraram contra o governo cubano, não porque ele fosse socialista, porque a Revolução Cubana foi nacionalista, mas porque as ações do novo governo, como a nacionalização de propriedades, interferiam no interesse de empresas norte-americanas instaladas em Cuba.

Além das tentativas de assassinar Fidel, o governo norte-americano organizou uma tentativa de invasão de Cuba, na Baía dos Porcos, em 1961. A invasão fracassou e contribuiu para empurrar Cuba para o raio de influência dos soviéticos. Che permaneceu nas funções do governo cubano até o ano de 1965.

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Morte

Depois de 1965, Che Guevara decidiu voltar à luta revolucionária. Ele participou de ações no Congo e na Bolívia, mas ambas fracassaram. Na Bolívia, ele foi emboscado por tropas do exército boliviano, foi ferido e preso em 8 de outubro de 1967. No dia seguinte, 9 de outubro, ele foi executado. Seus restos mortais foram encontrados, em 1997, e levados para Cuba, onde estão depositados em um memorial.

Créditos das imagens

[1] Arquivo Pessoal/Daniel Neves

[2] spatuletail e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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