Hugo Chávez

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Hugo Chávez participou de uma tentativa de golpe contra Carlos Pérez em 1992, foi eleito presidente em 1998 e governou a Venezuela de 1999 a 2013.*

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Por Daniel Neves Silva

Hugo Chávez foi presidente da Venezuela no período entre 1999 e 2013 e desenvolveu um regime político que designou de “bolivarianismo”. Ficou popular na política venezuelana após participar de uma tentativa frustrada de golpe contra o presidente Carlos Pérez, em 1992. Foi eleito presidente, em 1998, e esteve à frente do país até falecer vítima de um câncer.

Primeiros anos da vida de Hugo Chávez

Hugo Rafael Chávez Frias nasceu em 28 de julho de 1954, em uma cidade chamada Sabaneta, que fica localizada na província de Barinas, Venezuela. Seus pais, Hugo de los Reyes Chávez e Elena Frías, eram professores primários. Membro de uma família humilde, durante sua juventude, Chávez viu na vida militar uma opção de carreira.

A entrada de Hugo Chávez para o exército venezuelano deu-se, principalmente, pelo seu desejo de seguir a carreira de jogador profissional de beisebol, esporte muito popular no país. Isso porque o exército venezuelano possuía grandes profissionais da área e lhe daria condições de alcançar seus objetivos.

O plano para ser jogador profissional de beisebol não deu certo, e Hugo Chávez seguiu carreira no exército venezuelano, após concluir seus estudos na Academia Militar. No exército da Venezuela, Chávez chegou a alcançar o posto de tenente-coronel.

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Participação de Chávez no golpe militar de 1992

Na década de 1980, Hugo Chávez e vários outros militares venezuelanos eram adeptos de ideais revolucionários. Essa adesão de militares da Venezuela a ideais da esquerda foi resultado de um programa de formação teórica, pelo qual os militares desse país passaram desde a década de 1970.

No caso de Chávez, ele e outros companheiros resolveram fundar o Movimento Bolivariano Revolucionário 200, grupo muito conhecido pela sigla MBR-200. Esse grupo inspirava-se na figura de Simón Bolívar, um personagem muito importante na história da Venezuela. Outros nomes da história venezuelana que inspiravam o MBR-200 eram: Ezequiel Zamora e Simón Rodríguez.

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O MBR-200 tinha como grande objetivo tomar o poder da Venezuela para implantar uma agenda econômica nacionalista no país. A tentativa de golpe militar dos membros do MBR-200 aconteceu em 1992 contra o presidente Carlos Pérez, mas fracassou. Hugo Chávez e outros militares venezuelanos foram presos, e a Quarta República Venezuelana sobreviveu.

Carlos Pérez, porém, foi derrubado da presidência no ano seguinte (1993), e o novo presidente que assumiu o poder da Venezuela, Rafael Caldeira, ordenou a anistia dos envolvidos no golpe de 1992. Hugo Chávez ganhou fama na Venezuela, principalmente por anunciar na TV nacional que seus companheiros largassem as armas, pois haviam sido momentaneamente derrotados.

Depois de ser libertado pela anistia dada por Rafael Caldeira, Hugo Chávez percebeu que a tomada do poder da Venezuela não se daria pela força. Assim, decidiu que concorreria à presidência do país e alcançaria o poder pela via político-partidária. Para isso, Chávez e outras pessoas da esquerda venezuelana fundaram o Movimento V República, também conhecido como MVR.

O MVR conseguiu conquistar o apoio da grande maioria dos partidos de esquerda da Venezuela para a campanha de Hugo Chávez. O grupo de apoio à candidatura de Hugo Chávez ficou conhecido como Polo Patriótico. Chávez prometia reconstruir a democracia da Venezuela, aproveitando-se do principal produto do país: o petróleo.

O discurso de Chávez aparecia como uma via radical para a Venezuela, e a população do país, saturada com o sistema político da Quarta República, marcado pela corrupção, comprou o discurso de Chávez. O resultado foi a vitória de Hugo Chávez ao obter 56% dos votos na eleição de 1998. Eleito, tomou posse como presidente da Venezuela em fevereiro de 1999.

Governo Chávez

A campanha eleitoral de Chávez foi interpretada por muitos analistas políticos como uma saída radical, e, quando se tornou presidente, uma série de transformações foi iniciada no país. A primeira delas foi a elaboração de uma nova Constituição para a Venezuela. Essa nova Constituição foi elaborada por uma Constituinte e foi redigida e promulgada por políticos que apoiavam Hugo Chávez.

Quando a nova Constituição foi promulgada, Chávez convocou nova eleição presidencial para que seu governo se estendesse nos termos da nova Constituição que estipulavam que o mandato presidencial seria de seis anos. Chávez também venceu essa ao conquistar 60% dos votos, o que lhe garantiu mais seis anos na presidência venezuelana.

Esse foi o início do chavismo na Venezuela, um regime entendido por cientistas políticos como populista e que contribuiu abertamente para o enfraquecimento do sistema democrático no país.

Uma das principais ações de Hugo Chávez em seu governo foi a promoção de ações que foram responsáveis pela distribuição de renda no país. Isso se deu por meio de programas de bem-estar social e do estabelecimento de políticas públicas que contribuíram para aumentar a parcela da população que era atendida pelos serviços de saúde e educação.

O sucesso do chavismo em promover melhorias na vida da população mais pobre do país garantiu um forte apoio dessa população ao projeto político chavista. Esse programa também foi responsável por criar uma forte oposição ao chavismo nas classes mais elevadas do país, contrárias a esses programas de bem-estar social.

Golpe de Estado de 2002

As classes mais ricas da Venezuela não estavam satisfeitas com os programas do governo Chávez, principalmente pela postura do presidente em combater os privilégios das classes altas como forma de promover a distribuição de renda. Com isso, uma conspiração começou a ser organizada contra o governo e colocada em prática em 2002.

Nesse ano, a economia do país não ia bem, o que gerou insatisfação e aumentou a reprovação do governo. Um golpe contra Chávez foi organizado por membros do exército, que o realizaram em 11 de abril de 2002, declarando a destituição de Hugo Chávez e nomeando Pedro Carmona como presidente do país.

A resistência chavista, no entanto, garantiu que, em 14 de abril, o golpe contra Chávez fracassasse, e, assim, o presidente foi reconduzido ao poder. Ao sobreviver a um golpe, Chávez saiu politicamente fortalecido e começou a criar mecanismos para reforçar o seu poder. Fortaleceu sua posição no Executivo, enfraqueceu os alicerces da democracia venezuelana e reforçou seu poder aliando-se com os militares.

Em 2006, nova eleição presidencial foi realizada, e Hugo Chávez alcançou nova vitória, conquistando 63% dos votos. Essa vitória reforçou seu poder e o de seu projeto, conhecido como bolivarianismo ou, nas palavras de Hugo Chávez, “socialismo para o século XXI”.

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Morte de Hugo Chávez

Em 2011, Chávez recebeu a notícia que possuía um câncer na região pélvica. Em seguida, o presidente venezuelano iniciou tratamento com médicos em Cuba e na Venezuela. Enquanto estava em tratamento, disputou sua 4ª eleição presidencial, e seu concorrente era o opositor Henrique Caprilles. Chávez só participou dessa eleição após emendar a Constituição, o que lhe permitiu disputar quantas reeleições quisesse.

O resultado dessa eleição foi uma nova vitória a Chávez após conquistar 55% dos votos. O novo mandato, porém, foi interrompido pelo seu falecimento em 5 de abril de 2013. A morte de Chávez aconteceu no momento em que a crise no país já era perceptível, e o vice nomeado por Chávez, Nicolás Maduro, assumiu interinamente a presidência do país. Em 2013 ainda, Maduro foi ratificado presidente do país ao vencer eleição presidencial.

O governo de Chávez é controverso, pois, ao mesmo tempo que implantou medidas que combateram a desigualdade social e diminuíram a pobreza, também foram implantadas outras que enfraqueceram a democracia da Venezuela, como o aparelhamento do Supremo Tribunal do país. O governo de seu sucessor, Maduro, acabou agravando a situação interna da Venezuela.

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*Créditos da imagemHarold Escalona Shutterstock

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