Guerra da Coreia

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Imagem de 1951 que mostra um bombardeio norte-americano sobre a cidade norte-coreana de Wonsan

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Por Daniel Neves Silva

A Guerra da Coreia foi um conflito que aconteceu na Península da Coreia (1950 e 1953) entre os diferentes governos que haviam sido formados na Coreia do Norte e na Coreia do Sul. Esse conflito foi um dos mais mortais de todo o século XX, causando um total de 2,5 milhões de vítimas. Também contribuiu para agravar a divisão existente entre as duas Coreias.

Antecedentes

A guerra que se iniciou em 1950 foi resultado direto da divisão que existia na península e que havia sido imposta por Estados Unidos e União Soviética ao final da Segunda Guerra. Esse conflito refletiu a tensão que existia por causa da bipolarização do mundo no contexto da Guerra Fria.

A Península da Coreia era alvo desde o começo do século XX da interferência estrangeira, sobretudo dos japoneses, que haviam anexado a península ao seu território em 1910. A ocupação da Coreia pelo Japão foi ratificada pela assinatura do Acordo de Anexação Coreia-Japão. Esse acordo deu início à ocupação da Coreia por cidadãos japoneses.

A ocupação da Coreia materializou-se a partir da formação de colônias japonesas no território coreano. Os japoneses tomavam as terras produtivas até então ocupadas pelos coreanos e faziam coreanos a prestar trabalhos forçados (e muitos eram enviados ao Japão exatamente para cumprir essa finalidade). Além disso, a ocupação japonesa ficou marcada por diversos crimes sexuais cometidos contra coreanas.

Por causa da violência da ocupação japonesa, os coreanos aliaram-se ao esforço de guerra dos americanos contra os japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. O grande sonho dos coreanos ao expulsar os invasores japoneses era o de garantir a independência da Coreia, porém, o que os coreanos não esperavam é que as potências da guerra tinham outros interesses para a península.

Durante a Conferência de Potsdam, realizada em julho de 1945, americanos e soviéticos determinaram que a Península da Coreia seria dividida em duas zonas de influência. O Paralelo 38 seria o marco divisor. A parte norte foi entregue à influência soviética, e a parte sul foi entregue à influência americana.

Guerra entre as Coreias

A divisão da Coreia estabeleceu que as potências estrangeiras ocupariam militarmente a região durante um período e contribuiriam para a formação de governos alinhados a sua esfera de influência. Com isso, foram estabelecidos Kim Il-sung e Syngman Rhee como governantes da Coreia do Norte e Coreia do Sul, respectivamente.

Os dois governos estabelecidos nas diferentes Coreias alimentavam para si a esperança de conduzir a reunificação da Coreia sob a sua liderança. Na Coreia do Norte, Kim Il-sung manteve extenso contato com os soviéticos, o que lhe garantiu um apoio econômico e militar. No caso da Coreia do Sul, o governo passou a perseguir ativamente todo e qualquer movimento popular que tivesse ligação com o comunismo.

A ocupação militar da Coreia do Norte pelos soviéticos foi encerrada em 1948, e a da Coreia do Sul, em 1949. A tensão existente entre as duas Coreias intensificou-se após o fracasso das eleições em 1948. No caso da Coreia do Norte, ações começaram a ser tomadas no sentido de promover a invasão da Coreia do Sul.

A intenção de invadir a Coreia do Sul foi manifestada pelo governante norte-coreano Kim Il-sung, que queria unificar a península sob seu controle. Para que isso fosse possível, procurou convencer Josef Stalin a apoiar os norte-coreanos. O governante soviético, a princípio, ficou receoso, pois temia que a ação contra a Coreia do Sul levasse a um confronto direto contra os EUA.

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Stalin convenceu-se a apoiar os norte-coreanos, pois temia que os chineses ganhassem influência na região caso os soviéticos se recusassem a cooperar. Os soviéticos também se convenceram porque os norte-coreanos afirmavam que a invasão da Coreia do Sul seria realizada de maneira rápida e eficiente e não permitiria uma reação dos EUA.

Os soviéticos forneceram, principalmente, auxílio em suprimentos e armas aos norte-coreanos. Uma vez garantido o auxílio soviético, os norte-coreanos iniciaram os preparativos para a invasão da Coreia do Sul. A invasão aconteceu de fato a partir do dia 25 de junho de 1950, quando as tropas norte-coreanas ultrapassaram a fronteira estabelecida no Paralelo 38.

Uma vez iniciada a invasão da Coreia do Sul pelas tropas norte-coreanas, a reação internacional foi quase imediata. No dia 27 de junho de 1950, foi divulgada a Resolução 83 do Conselho de Segurança da ONU, na qual foi aprovada a intervenção estrangeira no conflito que estava sendo travado na Coreia. A intervenção estrangeira mobilizou, principalmente, forças americanas.

Fases da guerra

A Guerra da Coreia apresentou três fases distintas. A primeira fase desse conflito ocorreu entre junho e setembro de 1950, quando o predomínio das forças foi exercido pelos norte-coreanos, que conseguiram encurralar as tropas sul-coreanas em um estreito espaço de terra conhecido como Perímetro de Pusan.

A segunda fase ocorreu entre setembro e outubro de 1950 e foi caracterizada pelo predomínio das forças sul-coreanas e das tropas americanas. A interferência americana no conflito iniciou-se após a Batalha de Pusan, que garantiu a defesa desse perímetro. A partir do desembarque de tropas americanas em Inchon, os exércitos norte-coreanos foram obrigados a recuar.

O recuo das tropas norte-coreanas levou as forças aliadas a ultrapassar a fronteira do Paralelo 38 e encurralar as forças norte-coreanas no norte da Península. A possibilidade de derrota dos norte-coreanos resultou no envio de tropas pela China. A interferência chinesa nesse conflito ocorreu pelo temor do governo chinês de que uma vitória dos americanos levasse a uma invasão do território chinês.

Por fim, a terceira – e maior – fase da guerra iniciou-se quando os chineses entraram no conflito em outubro de 1950. A entrada dos chineses permitiu que as forças se colocassem em situação de equilíbrio. Os norte-coreanos conseguiram empurrar os aliados para as proximidades do Paralelo 38 e, nos anos seguintes, a guerra foi travada sem grandes alterações de cenário.

A longa extensão, a quantidade de mortos e a indefinição do cenário resultaram em negociações por um armísticio em Panmunjom. Uma trégua foi assinada em 27 de julho de 1953. Essa trégua deu fim ao conflito, apesar de as duas nações nunca terem assinado um acordo de paz que colocasse um fim oficial na guerra. Passados mais de 60 anos desde a guerra, a relação entre as Coreias ainda é bastante tensa.

Aproveite para conferir a nossa videoaula sobre o assunto:

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