Gestapo

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A Gestapo foi a polícia secreta que existiu na Alemanha nazista, sendo criada pela iniciativa de Hermann Göring e Rudolf Diels. Era função da polícia secreta investigar todos os opositores do regime nazista. A Gestapo foi utilizada para perseguir socialistas, comunistas, judeus e grupos antifascistas. A tortura e a execução eram práticas comuns utilizadas pelos agentes dessa polícia .

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Surgimento da Gestapo

A Gestapo era a polícia secreta alemã e seu papel era o de monitorar a sociedade e perseguir os grupos que representassem ameaça à ideologia nazista. O termo “Gestapo” é uma contração de Geheim Staatspolizei, que significa “polícia secreta do Estado”. Essa polícia secreta foi fundamental para que os nazistas conseguissem controlar a sociedade alemã.

Na sede da antiga Gestapo, fica atualmente um museu chamado “Topografia do Terror”.[1]
Na sede da antiga Gestapo, fica atualmente um museu chamado “Topografia do Terror”.[1]

A Gestapo surgiu da estrutura da polícia secreta prussiana que existia desde o século XIX e era responsável também por monitorar a sociedade. Depois que a monarquia alemã caiu e uma república social-democrata surgiu, a polícia secreta prussiana continuou a existir, e sua função era reprimir grupos como os comunistas e os grupos da extrema-direita.

A ascensão nazista ao poder da Alemanha, no começo da década de 1930, fez com que a polícia secreta prussiana fosse utilizada contra comunistas e socialistas até que, finalmente, transformou-se na Gestapo. As transformações na polícia secreta prussiana começaram quando Franz von Papen tornou-se chanceler da Alemanha, em 1932.

Esse chanceler nomeou Hermann Göring como ministro do Interior (pasta responsável pela segurança na Alemanha), e, como Göring era membro do Partido Nazista, rapidamente agiu para que força da polícia prussiana perseguisse os comunistas. Ele se uniu com o chefe da polícia secreta prussiana, Rudolf Diels, para alcançar esse objetivo.

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Os historiadores não têm certeza de quem partiu a ideia de criação da Gestapo, mas sabemos que Göring autopromovia-se como aquele que a propôs. Em janeiro de 1933, Adolf Hitler assumiu como chanceler alemão, e um incidente no mês seguinte mudou a história alemã e levou ao surgimento da Gestapo.

O incêndio do Reichstag (Parlamento alemão) aconteceu em 27 de fevereiro de 1933, e os historiadores atribuem sua autoria a um comunista holandês chamado Marinus van der Lubbe. Ele atuou de maneira independente, sem a ajuda de nenhuma dos grandes partidos comunistas da Alemanha ou Holanda.

Na época e nos anos seguintes, foi muito questionada a possibilidade de os nazistas terem realizado esse incêndio para promover o fechamento do regime na Alemanha. No entanto, isso nunca foi provado. O que sabemos é que, independentemente da autoria, o incêndio do Parlamento de fato foi utilizado para que medidas mais rígidas fossem tomadas pelos nazistas.

Um dia depois do incêndio, Hitler acabava com todas as liberdades civis existentes na Alemanha e estabeleceu um mecanismo que determinava que uma pessoa poderia ser detida por agentes do governo se tal ação fosse entendida como “prisão protetiva”. A lógica era deter indivíduos que estivessem “em ameaça”, com o Estado prendendo-os para garantir sua proteção.

Era um mecanismo que servia para justificar o aprisionamento de pessoas sem que fosse necessário apresentar uma acusação contra alguma delas na justiça. Esse mecanismo foi largamente utilizado pela Gestapo durante a década de 1930, e serviu de justificativa para o aprisionamento de pessoas que seriam enviadas para campos de concentração.

Essa lei, que acabou com as liberdades individuais na Alemanha, ficou conhecida como Decreto do Incêndio do Reichstag, emitido em 28 de fevereiro de 1933. A criação da Gestapo aconteceu, por meio da Lei da Gestapo, no dia 26 de abril de 1933.

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Consolidação da polícia secreta

Heinrich Himmler (à esquerda, de óculos) foi um dos responsáveis por ampliar a atuação da Gestapo por toda a Alemanha.[2]
Heinrich Himmler (à esquerda, de óculos) foi um dos responsáveis por ampliar a atuação da Gestapo por toda a Alemanha.[2]

Após ser criada, a atuação da Gestapo ainda era bastante limitada e resumia-se ao território da Prússia. O crescimento e a consolidação dessa polícia secreta deu-se quando Heinrich Himmler passou a comandá-la. No entanto, o primeiro chefe da Gestapo foi Hermann Göring.

Quando Himmler assumiu a Gestapo, a partir de 1934, a instituição passou por uma série de transformações realizadas em parceria com Reinhard Heydrich. Entre essas transformações estava a subordinação da Gestapo a Schutzstaffel — a SS, tropa de elite dos nazistas. Além disso, sob as mãos de Himmler e Heydrich, a Gestapo foi federalizada, passando a atuar em toda a Alemanha.

Todas essas transformações que a polícia secreta sofreu foram resultado da aliança de Göring e Himmler contra Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung — a SA, tropa de assalto do nazismo. Entre 1933 e 1934, houve um grave embate nos bastidores do nazismo entre SS e SA por maior poder. Essa disputa entre Himmler e Röhm levou também ao expurgo da SA e ao assassinato de Ernst Röhm em 1934.

Depois que a ameaça da SA foi superada e o processo de federalização da Gestapo foi iniciado, Himmler levou a polícia secreta a agir praticamente em toda a Alemanha. Ainda assim, não podemos superestimar a capacidade de ação da Gestapo, e, em 1939, por exemplo, ela tinha cerca de 15 mil funcionários. Muitas cidades da Alemanha não tinham nenhum funcionário da polícia secreta.

Ao longo da década de 1930, Himmler integrou a Gestapo a outras polícias da Alemanha, e, para isso, foi formado o Escritório Central de Segurança do Reich, chamado no original de Reichsicherheitshauptamt, ou RHSA, na sigla alemã. Esse escritório continha as seguintes polícias:

  • Orpo (Ordungspolizei): polícia da ordem;
  • Kripo (Kriminalpolizei): polícia responsável pela investigação de crimes graves;
  • SD (Sicherheitsdienst): agência de inteligência.

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Como agia a Gestapo?

A Gestapo esteve diretamente relacionada com ações de perseguição aos judeus na Alemanha.[3]
A Gestapo esteve diretamente relacionada com ações de perseguição aos judeus na Alemanha.[3]

Uma parte essencial para o funcionamento da Gestapo eram as denúncias. As denúncias anônimas foram fundamentais para que a polícia fosse capaz de investigar crimes como os de “corrupção sexual”, por exemplo. A partir de 1935, na Alemanha ficou proibido o casamento inter-racial entre judeus e alemães, assim como foi proibida a relação sexual inter-racial.

Os que fossem descobertos quebrando essa lei eram acusados de corrupção sexual, e os historiadores afirmam que o monitoramento de crimes como esse por parte da Gestapo só era possível por conta das denúncias anônimas. De toda forma, a Gestapo também tinha o seu corpo de espiões e o seu trabalho de monitoramento da sociedade.

A Gestapo foi dividida em seis departamentos, cada qual sendo responsável por um foco de atuação diferente. As seis seções da Gestapo eram:

  • Seção A: responsável por monitorar marxistas, comunistas, reacionários e liberais;
  • Seção B: responsável por monitorar católicos, protestantes, judeus e maçons;
  • Seção C: processava ordens de prisão preventiva;
  • Seção D: responsável por monitorar os territórios ocupados pelos nazistas;
  • Seção E: responsável por monitorar ações de espionagem na Alemanha;
  • Seção F: realizava o policiamento de estrangeiros e serviços de fronteira.

Existia uma diferença muito grande entre os funcionários dos cargos de elite e os funcionários ordinários. Os cargos mais importantes da Gestapo eram dedicados quase exclusivamente a homens com Ensino Superior, principalmente aqueles que eram formados em Direito. Os funcionários ordinários eram homens de classe média baixa e classe baixa e raramente eram promovidos de função.

Todos os funcionários da Gestapo tinham manuais de como conduzir uma investigação, de como se infiltrar, realizar prisões e conduzir interrogatórios. A maioria dos casos passava por etapas normais de um caso policial qualquer, inclusive por um tribunal. Ainda assim, a Gestapo fazia o uso de tortura em determinadas situações.

A seção D da Gestapo teve envolvimento direto com o Holocausto, pois os funcionários dela fizeram parte dos grupos de extermínio que mataram cerca de um milhão de judeus por fuzilamento no leste europeu, o Einsatzgruppen. Depois da guerra, uma parte considerável dos ex-funcionários da Gestapo conseguiu evitar ser processada por suas ações durante o regime nazista.

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Fim da Gestapo

Com a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha passou por um processo de “desnazificação”, e, com isso, as instituições nazistas deixaram de existir. A Gestapo foi classificada como organização criminosa, e os ex-funcionários que não escaparam de um julgamento, pegaram sentenças leves, sendo condenados a até três anos de prisão. Himmler e Göring chegaram a ser presos, mas ambos cometeram suicídio.

Göring chegou a ser julgado e condenado à morte por enforcamento, mas cometeu suicídio antes de sua execução ser realizada. Heinrich Müller, o último chefe da Gestapo, foi morto pouco antes da derrota alemã. Acredita-se que ele morreu durante um bombardeio soviético em Berlim, em 1945.

Créditos das imagens

[1] Massimo Todaro e Shutterstock

[2] Everett Historical e Shutterstock

[3] IgorGolovniov e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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