Neonazismo

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O neonazismo é um resgate dos ideais nazistas aplicados à atualidade. Na ideologia neonazista, encontram-se nacionalismo, racismo e xenofobia.
Right Sector, grupo paramilitar ucraniano acusado de ter fortes ligações com o neonazismo.[1]
Right Sector, grupo paramilitar ucraniano acusado de ter fortes ligações com o neonazismo.[1]

Neonazismo é uma ideologia que resgata ideais e práticas do nazismo alemão, aplicando-o ao contexto atual. O neonazismo surgiu logo depois da Segunda Guerra Mundial e atuava, principalmente, na clandestinidade. Entretanto, nas últimas décadas, esses ideais têm conseguido penetrar na política tradicional. No Brasil, os maiores focos neonazistas estão no Sul e Sudeste.

Acesse também: Leis de Nuremberg a legislação antissemita da Alemanha nazista

Resumo sobre neonazismo

  • O neonazismo realiza o resgate dos ideais nazistas e aplica-os à atualidade.

  • Na ideologia neonazista constam o nacionalismo, o racismo, a homofobia, a xenofobia, o antissemitismo etc.

  • Grupos neonazistas estiveram por trás de atentados terroristas nos últimos anos.

  • No Brasil, grande parte das células neonazistas estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste.

Videoaula sobre neonazismo

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O que é o neonazismo?

Quando falamos de neonazismo, nos referimos a uma ideologia que promove o resgate dos ideais nazistas e aplica-os à nossa realidade. O neonazismo se estabeleceu logo depois da Segunda Guerra Mundial e procura camuflar-se por detrás de um discurso que adota ideais nacionalistas e supremacistas.

A derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial não representou o desaparecimento dessa ideologia. Ela continuou existindo, embora seus adeptos tenham passado a atuar na clandestinidade, uma vez que a manifestação pública desses ideais foi proibida. É essa perpetuação dos ideais nazistas pós-Segunda Guerra que entendemos como neonazismo.

A princípio, os neonazistas atuavam apenas na clandestinidade, se reunindo secretamente e não manifestando suas posições de forma pública. Entretanto, nas últimas décadas, especialistas no assunto têm notado a infiltração de neonazistas na política tradicional, com discurso conservador e nacionalista.

A Europa presenciou um crescimento de grupos neonazistas nas últimas décadas. Locais como o Leste Europeu tem grandes movimentos dessa ideologia. Outros países, como Alemanha, França e Grécia também têm encontrado problemas com o crescimento do neonazismo. Existiram até mesmo partidos políticos com ideais neonazistas caso do Aurora Dourada, da Grécia.

Em países como os Estados Unidos, a legislação não impede que os neonazistas manifestem-se publicamente. Nos últimos anos, aglomerações de adeptos aconteceram no país, como a de Charlottesvile, realizada em 12 de agosto de 2017. No país, considera-se que a manifestação política, mesmo que de tais grupos, se encaixa como direito à liberdade de expressão.

Como os ideais neonazistas são basicamente um resgate dos ideais nazistas, em alguns casos realiza-se uma atualização para encaixá-los no contexto de cada local. Entre as características básicas da ideologia neonazista está o discurso nacionalista, que condena a entrada de imigrantes em um país. Nas circunstâncias da Europa, isso acontece principalmente contra muçulmanos e africanos. Sendo assim, essa ideologia possui posturas xenófobas.

Além disso, os neonazistas acreditam na falsa ideia da superioridade racial dos brancos, conhecida como supremacia racial. Nesse contexto, o homem branco é visto como “de raça ariana”, e grupos como de muçulmanos, africanos, latinos, judeus, entre outros, sofrem discriminação. Portanto, o antissemitismo continua presente.

Os neonazistas disseminam, também, posturas homofóbicas, são misóginos e possuem um grande histórico de ações terroristas. Nos últimos anos, foram realizados atentados terroristas em países como Noruega e Nova Zelândia. Ademais, os adeptos do neonazismo são abertamente anticomunistas e não apreciam o sistema democrático.

Por fim, os neonazistas promovem a exaltação de Adolf Hitler e de diversos símbolos do nazismo, além de serem negacionistas do Holocausto, alegando que o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu. Os neonazistas afirmam que o Holocausto foi uma falsificação e que nunca houve o genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa postura negacionista não é corroborada pela História, uma vez que existem inúmeros documentos que comprovam a existência do Holocausto. Entre outras evidências estão documentos oficiais, imagens, vídeos, edificações, além do depoimento de sobreviventes.

Acesse também: Noite dos Cristais o ataque contra os judeus na Alemanha em 1938

Neonazismo no Brasil

Supremacista visto de costas. Em sua roupa há a expressão “white power”, poder branco.
Neonazistas em geral partilham ideais que defendem a falsa ideia da supremacia branca.[2]

No Brasil, a apologia ao nazismo é considerada crime por meio da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Essa lei afirma em seu artigo 20, inciso primeiro, que “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo” tem como pena reclusão de dois a cinco anos.

Ainda assim, existe uma veiculação considerável do ideal nazista em nosso país. Pesquisas recentes apontam a existência de mais de 500 células neonazistas no Brasil. Os locais com maior concentração desses grupos são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Acesse também: Batalha de Berlim e a queda do nazismo

Nazismo

O nazismo foi um partido político criado na Alemanha em 1920 sob o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Esse partido surgiu em um cenário de extrema crise política, social e econômica na Alemanha, pois o país sofria as consequências da derrota na Primeira Guerra Mundial e do Tratado de Versalhes.

A ideologia nazista obteve inspiração em movimentos da direita alemã e se estabeleceu como o grande movimento político da extrema-direita naquele país. Essa ideologia possuía ideais nacionalistas, com posições de xenofóbicas, era abertamente antissemita e tinha uma retórica agressiva contra os judeus. Ao longo do tempo, a retórica antissemita dos nazistas transformou-se em ações diretas contra esse povo, o que resultou no Holocausto.

Ademais, o nazismo era antiliberal e contrário às democracias liberais que existiam na Europa. Era racista, pois havia o preconceito não somente contra os judeus, mas contra outros grupos, como de pessoas negras e ciganos. Além disso, o nazismo tinha ideais supremacistas, exaltava a guerra e desejava expandir o território alemão escravizando outros povos.

O grande nome do nazismo foi Adolf Hitler, um austríaco que lutou na Primeira Guerra Mundial pelo exército alemão. Depois da guerra, tornou-se uma pessoa ressentida e usou de sua ótima capacidade retórica para difundir teorias conspiratórias. Adolf Hitler governou a Alemanha de 1933 a 1945.

Os nazistas chegaram ao poder em 1933. A partir daí, deram início à transição do país para uma ditadura totalitária. Grupos opositores, como social-democratas e comunistas, passaram a ser perseguidos e aprisionados em campos de concentração, e legislações antissemitas começaram a ser aprovadas. O resultado do antissemitismo dos nazistas foi o Holocausto, o genocídio que causou a morte de cerca de 6 milhões de judeus em todo o continente europeu. Para saber mais sobre, leia: Nazismo.

Créditos das imagens

[1] Andriy Kananovych e Shutterstock

[2] Karolis Kavolelis e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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