Revolução Americana

A Revolução Americana, ocorrida entre 1775 e 1783, foi o processo de independência das Treze Colônias que resultou na formação dos Estados Unidos.

Por Cassio Remus de Paula

A pintura retrata a vitória dos colonos sobre exército britânico em Yorktown, na Revolução Americana.
A Revolução Americana resultou na fundação dos Estados Unidos da América.
Crédito da Imagem: Wikimedia Commons
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A Revolução Americana foi uma revolta ocorrida entre 1775 e 1783, conduzida pela população das Treze Colônias que estava sob domínio do Império Britânico. Inspirada pelos ideais iluministas de crítica ao Velho Regime, a revolta surgiu devido a um acúmulo de imposições econômicas e atos violentos realizados pelos britânicos, que passaram a exigir cada vez mais impostos para compensar as dívidas de guerra contra a França.

Após anos de conflito entre os colonos e os ingleses, os norte-americanos conquistaram sua independência e fundaram os Estados Unidos, incentivando diversas nações oprimidas do Ocidente a se revoltarem contra os seus líderes ou colonizadores.

Leia também: O que foi a Revolução Francesa?

Resumo sore Revolução Americana

  • A Revolução Americana foi o processo de independência das Treze Colônias britânicas que levou à formação dos Estados Unidos da América.
  • A causa primária da revolução foi a Guerra dos Sete Anos, travada entre Grã-Bretanha e França.
  • Apesar da vitória britânica, as dívidas de guerra foram refletidas sobre a população norte-americana por meio de impostos e taxas.
  • A opressão britânica sobre os colonos, a exemplo do “massacre” em Boston e das Leis Intoleráveis, serviu de estopim para a formação da declaração de independência estadunidense.
  • Entre os principais líderes da Revolução Americana, destacaram-se: George Washington, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, John Adams e o Marquês de Lafayette.
  • Apesar das desvantagens numéricas em combate, os colonos norte-americanos se mostraram bastante disciplinados e resistentes contra os exércitos formais da Grã-Bretanha.
  • O uso híbrido de milícias, exército formal e de uma aliança com os franceses culminou na derrota britânica, que reconheceu a independência dos EUA em 1783.
  • Os Estados Unidos, como nação, foram fundados sobre ideologias iluministas, mas não aboliram a escravidão e continuaram a praticar seus massacres contra povos indígenas.

 

  • A Revolução Americana trouxe diversas consequências ao Ocidente, como a Revolução Francesa, a Revolução Haitiana e diversos movimentos de independência na América Latina.

O que foi a Revolução Americana?

A Revolução Americana, ocorrida entre 1775 e 1783, foi o processo conflituoso que levou as Treze Colônias norte-americanas a obterem independência sobre o Império Britânico. Também é muitas vezes referida como a Guerra da Independência Americana, apesar de este nome se relacionar mais ao contexto bélico entre a Inglaterra e os futuros Estados Unidos da América.

Embora a revolução tenha se iniciado como um atrito entre colonos e britânicos, em consequência de leis abusivas sobre impostos, os conflitos tomaram proporções políticas e militares que envolveram potências a favor da causa norte-americana contra os seus rivais britânicos, especialmente a França. Mesmo com a impressão e divulgação da Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho de 1776, a guerra se estendeu por diversos anos, culminando na derrota do Império Britânico e na formação do país norte-americano.

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Características da Revolução Americana

A Revolução Americana, iniciada por meio de conflitos armados no ano de 1775, foi inspirada e modelada nos preceitos do Iluminismo europeu, corrente intelectual burguesa dos séculos XVII e XVIII que tinha como maior alvo de críticas o Antigo Regime, ou seja, pregava contra o absolutismo e a aristocracia, os monopólios e privilégios do mercantilismo, o dogmatismo e influência do clero e tudo o que se contrapusesse ao progresso, à liberdade e ao cientificismo. Entre os nomes mais influentes da época, incluíam-se intelectuais como John Locke, Jean-Jacques Rousseau e o Barão de Montesquieu.

Como um dos principais preceitos do iluminismo, a liberdade, sobretudo econômica, passou a fazer parte dos ideais norte-americanos, fortalecida como resposta às opressoras leis britânicas sobre impostos e outras taxas destinadas às colônias britânicas na América (como veremos mais adiante). Com isso, as forças de resistência passaram a ser financiadas pelas elites das Treze Colônias, que incluía latifundiários e donos de empresas.

As forças de resistência contra os britânicos se manifestaram por meio de cooperação e alianças entre diversas instituições militares, como o Exército Continental, comandado por George Washington, as milícias conduzidas pelos colonos, uma porção mínima de indígenas (pois a grande maioria se aliou aos britânicos, que aparentavam ser um “mal menor” por limitarem a expansão colonial sobre terras nativas), as forças terrestres e marítimas da França, entre outros.

Porém, apesar de cerca de 90 mil soldados terem sido convocados para a criação do exército do general Washington, na prática, apenas 20 mil deles foram colocados em combate por inúmeros motivos (deserções, doenças etc.), colocando-se diante de um numeroso exército de quase 50 mil “casacos vermelhos” britânicos (apelido dado a seus soldados em decorrência da cor dos uniformes).

Pintura de John Trumbull (1786) retratando a morte do general Warren na primeira batalha da Revolução Americana.
Morte do general Warren na Batalha de Bunker Hill, com a vitória dos “casacos vermelhos” sobre os colonos.

Por sua vez, era muito mais difícil para a Coroa britânica comandar suas tropas de outro continente. Esse obstáculo logístico era facilmente superado pelas forças coloniais, que poderiam se comunicar com maior velocidade e eficiência. Além disso, suprir as forças em terra era uma tarefa menos dificultosa, sem que precisassem depender do abastecimento de navios.

A forma híbrida de combate — regular, por parte do Exército Continental e de milícia, por parte de combatentes informais — foi bastante vantajosa para os revoltosos em longo prazo, principalmente quando a França tomou sua posição contra os britânicos em solo americano, com o objetivo de enfraquecer a potência rival.

Apesar de os conflitos terem se encerrado, em parte, no ano de 1781, com a desastrosa derrota britânica em Yorktown, a independência total da nação norte-americana só seria alcançada em 1783, quando da assinatura do Tratado de Paris realizada entre o parlamentar David Hartley, da Inglaterra, e os plenipotenciários John Adams, Benjamin Franklin e John Jay, dos Estados Unidos, que formalizava o reconhecimento de independência das antigas Treze Colônias.

Doravante, a guerra entre a Grã-Bretanha e a França se estendeu para diversos outros pontos da América, enquanto a independência alcançada pelos EUA serviria de inspiração para outro grande evento histórico ocorrido no século XVIII: a Revolução Francesa.

Veja também: Independência da América Espanhola — outro movimento influenciado pela independência dos EUA

Causas da Revolução Americana

A Revolução Americana foi um acúmulo de atritos entre colonizadores britânicos e colonos da América, muitas vezes através de conflitos violentos e diretos.

→ Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e suas consequências

Uma das causas da revolução foi a Guerra dos Sete Anos travada entre Inglaterra e França pelo domínio das colônias na América, África e Ásia. O conflito impactou as Treze Colônias indiretamente, já que a Coroa britânica passou a cobrar pesados impostos sobre as colônias em seu domínio com o objetivo de recuperar parte dos gastos destinados ao custoso conflito.

Essas cobranças impostas aos colonos se manifestaram pela aprovação de diversas leis, que reforçaram os monopólios ingleses sobre a população em suas propriedades: os habitantes das Treze Colônias eram desencorajados, por meio de regulamentações oficiais, a implantar fábricas que competissem com os produtos britânicos. Isso significava que o sistema mercantilista praticado pela Coroa, nos casos de formação de monopólios, permitia aos ingleses a estipulação desejada de preços, alcançando valores exorbitantes na venda de seus produtos.

→ Leis do monopólio britânico e a Festa do Chá de Boston

Entre as leis impostas pela Coroa britânica sobre as Treze Colônias, em decorrência dos gastos com a guerra, apenas no ano de 1764, foram estabelecidas:

  • a Lei do Açúcar, que impunha o monopólio do açúcar extraído das Antilhas inglesas;
  • a Lei do Aquartelamento, que obrigava os colonos a oferecer alojamento e suprimentos para os “casacos vermelhos” em momentos de crise; e
  • a Lei da Moeda, que vetava a circulação do papel-moeda e exigia os pagamentos em ouro ou prata.

No ano seguinte, aprovou-se a Lei do Selo, que obrigava à taxação de todo documento e impressão que circulasse nas colônias, apesar de a medida ter sido revogada ainda em 1766 em decorrência de boicotes dos colonos. Em 1773, uma nova imposição serviu de estopim para uma crise irreversível entre as Treze Colônias e o Império Britânico: a Lei do Chá, que obrigava os colonos a comprarem chá exclusivamente da Companhia Britânica das Índias Orientais — uma medida que ofendeu profundamente os habitantes das colônias, que eram grandes consumidores do produto.

Na ilustração, colonos jogam caixas de chá ao mar durante a Festa do Chá de Boston, uma das causas da Revolução Americana.
A Lei do Chá provocou uma crise irreversível que deu início ao processo de independência das Treze Colônias.

Dessa vez, no entanto, eles não se contentaram em boicotar as mercadorias; em dezembro daquele mesmo ano, cerca de 150 revoltosos da cidade de Boston se fantasiaram de nativos e ocuparam três navios britânicos, arremessando suas valiosas caixas de chá ao mar. O evento ficou posteriormente conhecido como Festa do Chá de Boston.

O protesto levou a Coroa britânica a reagir com a imposição das Leis Intoleráveis. Agora, além de fecharem o porto de Boston, os soldados ingleses passaram a coagir os colonos a custearem todo o chá que foi destruído durante a invasão dos navios. No entanto, em vez de acatar às Leis Intoleráveis, os colonos se organizaram para iniciar o longo processo de independência das Treze Colônias contra o domínio britânico.

→ “Massacre de Boston” e seu reflexo na propaganda colonial

Os atritos entre a Coroa britânica e os colonos não se manifestaram apenas em decorrência dos elevados impostos e taxações exigidos da população. Houve diversos confrontos violentos que envolveram colonos e soldados britânicos, apesar de vários deles não registrarem mortes, pelo menos até o evento conhecido como o “Massacre de Boston”.

Conta-se que, em 5 de março de 1770, um civil passou a cobrar uma dívida de um soldado britânico. Ofendido, o soldado agrediu o colono na cabeça com uma coronhada de mosquete, revoltando os que transitavam ao redor, de forma que estes começaram a arremessar objetos no militar.

Diante da ameaça, oito homens do regimento local foram acionados, apontando as armas contra os civis, a fim de dispersá-los. Um soldado, Hugh Montgomery, teria caído ao ser atingido por um objeto, frustrado, ele disparou o seu mosquete, levando os demais militares a entenderem que havia uma ordem de disparo contra os revoltosos. Na confusão, cinco civis foram mortos, o que prontamente recebeu a atenção dos jornais coloniais.

O evento foi noticiado de forma sensacionalista, apontado como o “Massacre de Boston”, aludindo à ideia de que os soldados britânicos foram encorajados deliberadamente a disparar seus mosquetes contra manifestantes pacíficos. Aproveitando-se do caso, o revolucionário Paul Revere distribuiu publicamente um panfleto que “mostrava” o massacre ocorrido naquele dia. Como resultado, os mortos no embate tornaram-se mártires da liberdade norte-americana.

Na ilustração, soldados britânicos disparam contra colonos no Massacre de Boston, uma das causas da Revolução Americana.
O “Massacre de Boston”, de acordo com a notícia descrita por Paul Revere.

Doravante, os “casacos vermelhos” passaram a ser reconhecidos cada vez mais como inimigos dos civis norte-americanos, depreciados e demonizados a ponto de ser incutido no pensamento popular que todos se tratavam de potenciais assassinos de colonos. Na prática, o “Massacre de Boston” foi um dos maiores estímulos ao sentimento antibritânico criado pela propaganda política colonial.

Líderes da Revolução Americana

Muitos nomes se destacaram na história que abrange a Revolução Americana. Conheça a seguir alguns dos personagens mais influentes:

  • George Washington

O comandante do Exército Continental, apesar de se constantemente heroicizado pela história dos Estados Unidos, era dono de escravos e levou suas tropas, ao menos inicialmente, a inúmeras derrotas nos campos de batalha. Tornou-se mais reconhecido pela sensibilidade administrativa do exército, que manteve unido por cerca de oito anos de guerra. Ele se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos, em 1789.

Retrato de George Washington, um dos líderes da Revolução Americana.
George Washington se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos, após a independência.
  • Benjamin Franklin

Também dono de escravos, foi um dos “pais fundadores” dos EUA influenciados pelo Iluminismo. Como figura renomada nos campos da ciência e filosofia, obteve a atenção da elite francesa sobre a causa norte-americana, tornando-se o elemento central da aliança entre França e Estados Unidos em 1778.

  • John Adams

O segundo presidente dos EUA foi um dos maiores agitadores políticos em prol da independência do país em ambos os Congressos Continentais, além de se tornar uma peça fundamental no financiamento da revolução por meio de empréstimos com bancos holandeses.

  • Thomas Jefferson

Principal autor da Declaração de Independência de 1776, Jefferson atribuiu ao documento diversos valores defendidos pelo Iluminismo, com destaque à liberdade (inclusive econômica). Tornou-se ministro plenipotenciário (uma espécie de embaixador) do país recém-independente na França e assumiu o cargo de terceiro presidente dos EUA.

  • Marquês de Lafayette

Originário da elite francesa, o marquês de Lafayette serviu de inspiração para o alto-comando norte-americano no combate à Inglaterra, tornando-se major-general do Exército Continental e participando no conflito em Yorktown que levou à rendição do general Charles Cornwallis. Posteriormente, Lafayette tornou-se um dos autores da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão no contexto da Revolução Francesa (1789).

Como foi a Revolução Americana?

A Revolução Americana foi um longo processo que levou à formação dos Estados Unidos da América, declarados independentes em 4 de julho de 1776. Ao contrário do que muitas vezes se imagina, essa revolta não condiz somente com os conflitos militares entre colonos e britânicos, mas também com eventos políticos e diplomáticos.

A revolução levantada pelos colonos remete ao acúmulo de dívidas de guerra do Reino Unido, apesar da vitória inglesa sobre a França na Guerra dos Sete Anos, em 1763. Os custos com a guerra refletiram indiretamente no cotidiano da população das Treze Colônias, de acordo com os fundadores britânicos, já que a Coroa passou a reivindicar cada vez mais impostos e estipular monopólios no território colonial. Entre as leis que inflamaram o sentimento de revolta entre os colonos, podemos citar a Lei do Açúcar, a Lei do Selo, a Lei do Chá, as Leis Intoleráveis, entre outras, conforme vimos nos tópicos anteriores.

Como resposta às imposições inglesas, criaram-se grupos de resistência como os “Filhos da Liberdade”, o lema “nenhum imposto sem representação” e os Comitês de Correspondência organizados por Samuel Adams, que estabeleciam a união entre as colônias para combater a cada vez mais presente opressão dos britânicos. Em 1774, realizou-se o Primeiro Congresso Continental em Filadélfia, no qual foram estipulados boicotes sobre os produtos ingleses.

A organização dos atos de resistência tornou-se diretamente responsável pelo consenso de grande parte da população colonial em confrontar a Coroa diretamente, levando aos primeiros combates diretos entre os minuteman (milícias norte-americanas) e os “casacos vermelhos” da Inglaterra, nos arredores das cidades de Lexington e Concord (Massachussetts), em abril de 1775. Em junho desse mesmo ano, a primeira grande batalha entre as duas forças ocorreu em Bunker Hill (Massachussetts); apesar da vitória dos britânicos, os colonos demonstraram grande resistência, fortalecidos pelo recém-fundado Exército Continental.

Em 1776, a sucessão de derrotas sofridas pelo Exército Continental nos arredores de Nova York quase subjugou a revolução. Mesmo assim, após o Segundo Congresso Continental (1775-1776), a Declaração de Independência, idealizada por Thomas Jefferson, ajudou a levantar o moral dos patriotas quando publicada em 4 de julho, elevando as Treze Colônias à condição de nação.

Em dezembro do mesmo ano, uma reviravolta estratégica conduzida pelo comandante assegurou uma importante vitória sobre os britânicos na Batalha de Trenton (Nova Jersey), e em janeiro do mês seguinte, os colonos venceram os “casacos vermelhos” na Batalha de Princeton (Nova Jersey). Na Batalha de Saratoga, entre setembro e outubro de 1777, a nova vitória estadunidense pendeu a guerra a favor dos norte-americanos.

Soldados britânicos rendidos ao Exército Continental na Batalha de Saratoga.

Quando a França se aliou oficialmente aos EUA em 1778, a influência britânica sobre a América do Norte passou a diminuir com ainda maior força, apesar de nem toda batalha entre as forças beligerantes ter resultado em vitórias para as forças estadunidenses. Com a rendição do general Cornwallis, em 1781, as operações militares em grande escala cessaram, e a Grã-Bretanha assinou formalmente o reconhecimento dos EUA como nação independente por meio do Tratado de Paris, em 1783.

Saiba mais: Guerra Civil Americana — Norte x Sul dos Estados Unidos pela questão da escravidão

Consequências da Revolução Americana

A Revolução Americana trouxe consequências tanto imediatas, quanto de longo prazo, afetando a história de todo o Ocidente, especialmente na América e na Europa. Entre as consequências imediatas, podemos citar a fundação dos Estados Unidos, que se tornou a primeira nação independente da América moderna a ascender de uma colônia europeia. Sua Constituição de 1787, além de se basear nos princípios do Iluminismo, propunha um modelo inovador de Estado para a época: o federalismo, constituído na centralização do governo, mas equilibrado pela autonomia de seus estados.

Na gravura, líderes assinando o Tratado de Paris quase no final da Revolução Americana.
Assinatura preliminar do Tratado de Paris, por meio do qual a Grã-Bretanha reconheceu os EUA como nação independente.

Entretanto, apesar de ostentar a igualdade entre as pessoas que compunham o seu povo, os EUA não aboliram a escravidão nem protegeram os povos nativos, tampouco incluíram a população feminina na proclamação dos direitos dos civis, ou seja, fundou-se como um país destinado e governado exclusivamente por homens brancos — apesar de os ideais de liberdade terem influenciado os movimentos de reivindicação de direitos dos grupos anteriormente excluídos.

As consequências em longo prazo envolvem principalmente a influência da Revolução Americana sobre a burguesia francesa a partir da década de 1780, que fortaleceu os ideais do Iluminismo em diversos lugares das Américas do Sul e Central.

Porém, o que serviu de inspiração para a Revolução Francesa, refletiu de volta em grande parte das colônias exploradas pelos europeus na América. A primeira delas ocorreu na possessão francesa de Saint-Domingue, atual Haiti, entre 1791 e 1804, que não apenas o primeiro país a se tornar independente na América Latina, mas também o pioneiro na luta dos ex-escravizados contra os seus dominadores franceses. A partir de então, a inspiração da Revolução Haitiana se disseminou por todo o continente, especialmente nas extensas regiões da América Espanhola.

Pintura retratando batalha na Revolução Haitiana, inspirada pela Revolução Americana.
A Revolução Americana inspirou a luta por independência das colônias europeias na América, como o Haiti.

O modelo constitucional dos EUA (república federal e limitações de governo) influenciou na criação de um padrão de governo liberal pelo Ocidente que, por sua vez, resultou no advento da Idade Contemporânea (junto da Revolução Francesa, iniciada em 1789). A inclusão das populações afro-americanas e indígenas na sociedade estadunidense, entretanto, ainda passou por um longo e árduo processo de conquistas à parte, em decorrência da negligência ética de muitos de seus fundadores que, outrora, defenderam uma nação livre e justa.

→ Videoaula sobre Independência dos Estados Unidos (Revolução Americana)

Exercícios resolvidos sobre Revolução Americana

1. (Enem) Na democracia estadunidense, os cidadãos são incluídos na sociedade pelo exercício pleno dos direitos políticos e também pela ideia geral de direito de propriedade. Compete ao governo garantir que esse direito não seja violado. Como consequência, mesmo aqueles que possuem uma pequena propriedade sentem-se cidadãos de pleno direito. Na tradição política dos EUA, uma forma de incluir socialmente os cidadãos é:

a) submeter o indivíduo à proteção do governo.

b) hierarquizar os indivíduos segundo suas posses.

c) estimular a formação de propriedades comuns.

d) vincular democracia e possibilidades econômicas individuais.

e) defender a obrigação de que todos os indivíduos tenham propriedades.

Resposta: D

De todos os fundamentos defendidos pelos Estados Unidos desde a sua formação como nação, a liberdade econômica foi a mais acentuada em decorrência dos impostos e taxas exigidos pela Coroa britânica, que está ligada ao conceito moderno de democracia defendido pelos iluministas.

2. (UNESP-SP) “Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais figuram a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Para assegurar esses direitos, entre os homens se instituem governos, que derivam seus justos poderes do consentimento dos governados. Sempre que uma forma de governo se dispõe a destruir essas finalidades, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo, assentando seu fundamento sobre tais princípios e organizando seus poderes de tal forma que a ele pareça ter maior probabilidade de alcançar-lhe a segurança e a felicidade.”

(Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). In: Harold Syrett (org.). Documentos históricos dos Estados Unidos, 1988.)

O documento expõe o vínculo da luta pela independência das Treze Colônias com os princípios:

a) liberais, que defendem a necessidade de impor regras rígidas de protecionismo fiscal.

b) mercantilistas, que determinam os interesses de expansão do comércio externo.

c) iluministas, que enfatizam os direitos de cidadania e de rebelião contra governos tirânicos.

d) luteranos, que obrigam as mulheres e os homens a lutar pela própria salvação.

e) católicos, que justificam a ação humana apenas em função da vontade e do direito divinos.

Resposta: C

O Iluminismo foi o movimento intelectual que mais influenciou na Revolução Americana devido às suas críticas aos modelos político e social do Antigo Regime.

Fontes

BBC NEWS BRASIL. 4 de julho: Como começou a rebelião que levou à independência dos Estados Unidos, 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-48876152

BOSTON TEA PARTY SHIPS & MUSEUM. American Revolution, s/d. Disponível em: https://www.bostonteapartyship.com/american-revolution

JORGENSEN, Christier. Great Battles: Decisive conflicts that have shaped History. Bath: Parragon, 2007.

KARNAL, Leandro. Revolução Americana: Estados Unidos, liberdade e cidadania. PINSKY, Jaime;

PINSKY, Carla B. (orgs.) História da Cidadania. São Paulo: Editora Contexto, p.135-157, 2008.

KARNAL, Leandro (Org). História dos Estados Unidos: Das origens ao século XX. São Paulo: Contexto, 2020.

THE WHITE HOUSE HISTORICAL ASSOCIATION. The Presidents: Biographies & Portraits, s/d. Disponível em: https://www.whitehousehistory.org/collections/president-biographies>.

WALLACE, Willard M. American Revolution: United States history, 2026. Brittanica. Disponível em: https://www.britannica.com/event/American-Revolution

Qual evento interrompeu o mandato de João Goulart em 1964? Ícone de indicação de resposta incorreta Oops! Resposta incorreta. Resposta correta: Ícone de indicação de resposta correta Parabéns! Resposta correta.
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