Presidentes da Ditadura Militar

A Ditadura Militar teve cinco presidentes: Humberto Castello Branco, Artur Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Por Daniel Neves Silva

Geisel e Figueiredo, os dois últimos presidentes da Ditadura Militar. Título: presidentes-ditadura-militar

Os presidentes da Ditadura Militar foram:

  • Humberto Castello Branco (1964-1967),
  • Artur Costa e Silva (1967-1969),
  • Emílio Médici (1969-1974),
  • Ernesto Geisel (1974-1979) e
  • João Figueiredo (1979-1985).

Essa fase autoritária se iniciou por meio de um golpe realizado contra o presidente João Goulart e teve ao todo cinco governos. Com o fim da Ditadura Militar, o Brasil deu início ao seu processo de redemocratização.

Leia também: Golpe Militar de 1964 — como foi, quem participou e por que os militares tomaram o poder

Resumo sobre presidentes da Ditadura Militar

  • A Ditadura Militar foi um período autoritário que se estendeu de 1964 a 1985.
  • Os cinco presidentes do período foram:
    • Humberto Castello Branco (1964-1967),
    • Artur Costa e Silva (1967-1969),
    • Emílio Médici (1969-1974),
    • Ernesto Geisel (1974-1979) e
    • João Figueiredo (1979-1985).
  • A ditadura teve início com um golpe contra a democracia brasileira e o governo de João Goulart, realizado em 1964.
  • Foi marcado por repressão, censura, violência e autoritarismo dos militares.
  • O fim do governo de Figueiredo deu início à redemocratização do Brasil.

Quais foram os 5 presidentes da Ditadura Militar?

Ao longo do período da Ditadura Militar, o Brasil teve cinco “presidentes”, que não foram eleitos pela população brasileira, mas impostos por meio de eleições indiretas conduzidas sob a tutela dos militares. Todos os presidentes do período foram os seguintes:

  • Ranieri Mazzili (1964);
  • Humberto Castello Branco (1964-1967);
  • Artur Costa e Silva (1967-1969);
  • Emílio Médici (1969-1974);
  • Ernesto Geisel (1974-1979);
  • João Figueiredo (1979-1985).

O primeiro presidente da Ditadura Militar foi Humberto Castello Branco. Ranieri Mazilli foi presidente provisório do Brasil depois que os militares derrubaram João Goulart, ocupando a posição apenas por alguns dias, até a eleição que elegeu Castello Branco. Ele ocupou essa posição porque era o presidente da Câmara dos Deputados. Vejamos a seguir detalhes de cada um dos governos desse período autoritário.

  • Governo Humberto Castello Branco (1964-67)

O primeiro presidente da Ditadura Militar foi Castello Branco, eleito por meio de uma eleição indireta. O governo dele foi marcado por ser responsável por estabelecer a legislação que buscou dar legalidade às ações autoritárias tomadas pelos militares. A partir dos Atos Institucionais, o governo de Castello Branco, deu carta branca para a repressão que marcou esse período.

Os Atos Institucionais centralizaram o poder nos militares, anularam as determinações da Constituição de 1946 e permitiram que eles promovessem expurgos em diferentes camadas da sociedade, perseguindo seus opositores e eliminando pessoas trabalhistas e progressistas do Exército, da política etc.

Do ponto de vista econômico, o governo de Castello Branco impôs um forte arrocho sobre o salário dos trabalhadores, reprimiu os movimentos trabalhistas e estabeleceu políticas econômicas de austeridade. Desse governo já se tem notícia da realização de tortura contra os presos políticos.

Esse governo teve como grande marca o endurecimento do regime mantido pelos militares. A insatisfação contra a ditadura estava alta em diversas camadas da sociedade brasileira, havendo manifestações estudantis, operárias e demonstrações de oposição dentro do Congresso Nacional. Os protestos foram acompanhados por uma intensa repressão.

Os militares reprimiram violentamente os movimentos estudantil e operário, acabaram com as iniciativas de oposição na política e adotaram o mais rígido de seus atos, o AI-5. Esse ato deu carta branca aos militares para ampliar a repressão contra os opositores e o autoritarismo da Ditadura Militar.

Nesse governo, a política de arrocho salarial se manteve, mas a política de austeridade foi substituída por práticas desenvolvimentistas, visando acelerar o crescimento da economia brasileira.

  • Governo de Emílio Médici (1969-1974)

O governo Médici ficou conhecido por ter sido o mais autoritário de todos os governos do período. Fortalecido com o AI-5, o governo Médici ampliou a repressão aos opositores, estabelecendo inúmeras medidas autoritárias. A Operação Bandeirante, foi o símbolo da repressão, violência e autoritarismo desse governo.

O endurecimento do regime militar deu origem a diversos movimentos de resistência que passaram a lutar contra a ditadura por meio da revolta armada. Esses movimentos foram incansavelmente caçados e derrotados pela máquina de repressão do governo Médici. Esse presidente teve certo apoio devido à onda de crescimento econômico que ocorreu em seu governo.

O milagre econômico, como ficou conhecido, foi o crescimento econômico acelerado que ocorreu no Brasil durante o governo de Médici, sendo marcado também pelo aumento nos gastos dos militares, com a realização de obras faraônicas, como a Ponte Rio-Niterói. Esse crescimento econômico, entretanto, não melhorou a vida da população, uma vez que a desigualdade social era alarmante durante a Ditadura Militar.

  • Governo Ernesto Geisel (1974-79)

O governo de Geisel ficou marcado como aquele que inaugurou o processo de crise que levou ao fim da Ditadura Militar. O governo dele ocorreu em um cenário de recuo da economia brasileira por conta do cenário econômico internacional desfavorável. A economia ruim ampliou a insatisfação com o autoritarismo militar.

Geisel, então, anunciou que seu governo promoveria uma abertura gradual e controlada de maneira a devolver o poder aos civis, mas em um regime republicano autoritário em que os interesses militares fossem atendidos e não houvesse espaço para investigação dos crimes que eles cometeram durante a Ditadura Militar.

Apesar dessa abertura gradual e controlada, a repressão militar seguia ocorrendo, com os sequestros, torturas e execuções ainda sendo realizados contra os opositores e críticos do regime. A linha-dura das Forças Armadas, insatisfeita com a possibilidade de abertura do regime, começou a promover atentados pelo país.

  • Governo João Figueiredo (1979-85)

O último presidente militar foi João Figueiredo, que assumiu o país em um cenário de crise econômica acentuada e de forte insatisfação com o autoritarismo militar. A oposição se fortaleceu consideravelmente, fazendo com que o processo de abertura saísse das mãos dos militares. O autoritarismo do governo, entretanto, seguia.

João Figueiredo ficou conhecido por ser uma figura rude, com posturas grosseiras e comentários jocosos sobre a população brasileira. O governo Figueiredo tentou controlar a recessão econômica, mas não teve sucesso e viu a inflação sair do controle e a dívida externa disparar. A perda na economia reforçou os protestos.

A abertura política do Brasil seguiu em curso, com a população demonstrando seu interesse pela redemocratização do país. Nesse caminho da redemocratização, ocorreu a Lei da Anistia, o retorno do pluripartidarismo e a luta popular pelas Diretas Já. Essa última proposta não avançou na política, fazendo a oposição se organizar para enfrentar o candidato apoiado por Figueiredo. Daí veio a candidatura de Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf e pôs fim à Ditadura Militar.

Quem foi o primeiro presidente da Ditadura Militar?

Como vimos, o primeiro “presidente” da Ditadura Militar, foi Humberto Castello Branco, que governou o país entre 1964 e 1967.

Saiba mais: Quantos presidentes o Brasil já teve?

O que aconteceu quando acabou a Ditadura Militar no Brasil?

Depois da Ditadura Militar, o Brasil iniciou um período conhecido como Nova República. Nesse período, o país foi redemocratizado, tendo como grandes marcos desse processo a promulgação da Constituição de 1988 e a eleição presidencial de 1989, a primeira com voto direto desde a de 1960.

A Nova República viu a reconstrução da democracia no Brasil, passando por um processo de institucionalização muito forte, embora a corrupção e a desigualdade social ainda sejam problemas latentes do país nessa nova fase. A redemocratização do país, no entanto, não foi acompanhado de iniciativas para investigar e condenar militares que cometerem crimes durante a Ditadura Militar.

O Brasil teve eleições livres e sem fraudes nos períodos responsáveis por eleger Collor, FHC, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. O primeiro presidente da Nova República, José Sarney, foi eleito indiretamente. O passado autoritário do Brasil, no entanto, fez com que um golpe parlamentar ocorresse em 2016, no governo de Dilma Rousseff, e uma tentativa fracassada de golpe de Estado fosse promovida no governo de Jair Bolsonaro.

Créditos da imagem

[1] FGV/CPDOC

Fontes

FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2018.

NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do Regime Militar Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2016.

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.