Igreja Medieval
A Igreja Medieval foi a instituição mais poderosa e influente da Idade Média, intervindo diretamente na sociedade, política, economia e em outros setores do cotidiano europeu.
Por Cassio Remus de Paula
Igreja Medieval é o nome pelo qual é conhecida a Igreja Católica presente na Europa durante a Idade Média. O papel da Igreja Católica Medieval não se limitava apenas a zelar pela fé cristã; com o tempo, ela passou a influenciar a rotina de todos ao seu alcance, incluindo a espiritualidade, a política, a economia e o conhecimento.
Quando a Idade Média teve início, em 476 d.C., a Igreja Católica era ainda uma instituição religiosa relativamente frágil. O Império Romano, que havia se conciliado com a fé cristã em seu período de decadência, deixou grande parte do Ocidente sob a influência do catolicismo, apesar de o continente europeu ainda possuir um profundo enraizamento com as religiões pagãs. Entretanto, alguns eventos em específico permitiram que a Igreja Católica ascendesse não apenas como uma organização espiritual de grande influência da Idade Média, mas a mais poderosa autoridade de atuação social, econômica e política do período.
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Resumo sobre Igreja Medieval
- “Igreja Medieval” é uma forma reduzida para se referir à Igreja Católica Apostólica Romana no contexto da Idade Média, entre os séculos V e XV.
- A Igreja Católica foi a instituição social, econômica e política mais poderosa da Europa Ocidental na Idade Média, apesar de ter ascendido de maneira frágil ao início do período.
- Apesar de o catolicismo ter adquirido influência nas últimas décadas do Império Romano, a Igreja só passou a adquirir poder de fato a partir da aliança estipulada pelos monarcas francos do século VIII.
- A Igreja Católica enriqueceu em parte na Idade Média devido à aquisição de amplos territórios, coleta de taxas, isenção de impostos e a estipulação do dízimo.
- A Igreja se tornou a maior influência do cotidiano das sociedades europeias, estendendo a sua autoridade desde o monopólio do conhecimento até a posse de exércitos.
- Tanto os praticantes quanto os religiosos da “Igreja Medieval” deviam praticar ritos rigorosos e inflexíveis, alguns dos quais ainda são praticados.
- A Santa Inquisição, fundada em 1231, serviu como ofício de apoio contra os heréticos cátaros, mas passou a se tornar um órgão de repressão com concessão a torturas e assassinatos.
- Apesar da notoriedade negativa da Inquisição, foram os tribunais civis que mais disseminaram a violência no decorrer da Idade Média sob pretextos religiosos, perseguindo hereges, infiéis e pagãos (entre os quais, as “bruxas”).
O que era a Igreja Medieval?
O que chamamos popularmente de “Igreja Medieval” é uma referência simplificada à Igreja Católica Apostólica Romana institucional presente na Europa durante a Idade Média, ou seja, entre os séculos V e XV. Enquanto no Oriente a fé cristã havia sido fortalecida e disseminada a partir do século IV, na Europa Ocidental, a ascensão da Igreja Católica quanto estrutura de maior influência do continente ocorreu na transição de Alta para a Baixa Idade Média, entre os séculos IX e XIII.
A partir do Édito de Milão, decretado por Constantino em 313 d.C., a religião cristã nos territórios romanos passou a ser tolerada e, em 380, o imperador Teodósio aboliu o paganismo para anunciar o catolicismo como religião oficial do Estado de Roma (transformando, com isso, o império em um Estado confessional).
No oeste europeu, a disseminação do cristianismo ocorreu de forma lenta, principalmente devido ao enraizamento cultural das crenças pagãs, somadas à queda do Império Romano Ocidental; mesmo assim, os constantes ataques de povos germânicos (muitos dos quais também se converteriam ao cristianismo mais tarde) levaram os líderes religiosos da Igreja Católica a se destacarem com seus discursos sobre redenção e salvação.
No século VIII, o poder de autoridade da religião cristã apenas se fortaleceu. Graças à aliança oferecida pelos monarcas francos da Dinastia Carolíngia, especialmente Pepino, o Breve — que concedeu a criação dos Estados Papais na Itália — e seu sucessor, Carlos Magno, a Igreja Católica pôde se transformar na instituição mais rica e influente de toda a Idade Média.
Características da Igreja Medieval
A Igreja Católica Medieval pode ser compreendida conforme as seguintes características:
→ Benefícios econômicos
No decorrer da Idade Média, a Igreja Católica se tornou a maior proprietária de terras da Europa Ocidental. Além da participação direta nos benefícios vindos dos feudos, suas propriedades (catedrais, mosteiros etc.) ocupavam imensas extensões, o dízimo era obrigatoriamente pago pelos fiéis (do contrário, o pecado era grave), que cediam 10% de seus lucros para a instituição religiosa (frequentemente desviados para as posses pessoais das autoridades católicas), e sobretudo, ela era — e ainda é — isenta de impostos.
→ Influência política
A Igreja Católica agia como detentora de feudos, pois os membros de cargos eclesiásticos recebiam elevadas fontes de renda e poder advindos de suas extensas propriedades. A partir do século VIII, quando a instituição cristã foi beneficiada pela aliança com o monarca Pepino, o Breve, as autoridades católicas passaram a influenciar cada vez mais as decisões políticas e militares em troca de títulos e propriedades, inicialmente na França e Itália e, mais tarde, quase hegemonicamente por toda a Europa.
→ Monopólio sobre o conhecimento
As primeiras instituições de ensino, durante a Idade Média, não apenas passaram a ser controladas exclusivamente pela Igreja Católica (das quais surgiram filósofos-teólogos como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, por exemplo), mas também todo tipo de reprodução de textos oficiais. Essa reprodução de textos era realizada pelos monges copistas, que literalmente copiavam documentos, livros e outras fontes de leitura à mão, já que a imprensa de Gutemberg, ou prensa móvel, só seria desenvolvida durante o século XV.
Como a escrita e a leitura eram práticas exercidas apenas por uma minoria da população europeia — geralmente, mas não exclusivamente, representada por clérigos, escribas e a maioria da nobreza — a disseminação do conhecimento se tornou responsabilidade da Igreja, que usou constantemente desse encargo para submeter os fiéis católicos a seu poder.
→ Divisão do clero
A estrutura interna da Igreja Medieval, conforme se estabelecia na Europa, foi dividida em duas para facilitar a distribuição e organização das autoridades católicas: o clero secular e o clero regular, com a figura do papa no topo de ambos.
O clero secular seria responsável pelo contato direto com a sociedade; seus líderes eram os bispos e arcebispos, seguidos pelos padres, e por fim, os diáconos; exerciam os ritos e sacramentos cristãos, como missas, casamentos, batismos, confissões etc. O clero regular, por sua vez, possuía membros devotos a uma vida regrada e afastada da comunidade — eram os abades e monges que viviam em mosteiros, conventos, entre outros. Por meio da condução de suas respectivas regras monásticas, eles seriam os responsáveis pela disseminação da palavra cristã, tanto por pregações, quanto pela reprodução de textos religiosos.
→ Autoridade papal
Na Igreja Católica, o papa era, e ainda é, a figura de maior autoridade da instituição. Em Roma, a posição de primeiro papa da história era atribuída a São Pedro, apóstolo de Cristo, de forma que os seus sucessores seriam representantes de Deus na Terra, com a mesma significância. Por sua vez, sua figura como principal autoridade da Europa Medieval foi estipulada por um decreto do papa Gregório VII, que anunciou vinte e sete itens em seus Dictatus papae — o documento anunciava seu poder de excomungar quem desejasse e depor quaisquer imperadores.
→ Ritos populares organizados
A fé disseminada pelo catolicismo na Idade Média era majoritariamente seguida por meio de ritos inflexíveis que só seriam alterados parcialmente no início da Idade Moderna, após a Reforma Protestante do século XVI. As missas eram conduzidas pelo padre virado de costas para os fiéis, em direção ao Oriente, e elas eram todas conduzidas em latim; faltar a uma missa no domingo ou dia santo era considerado pecado grave.
A confissão para um padre era obrigatória ao menos uma vez ao ano e as práticas dos sete sacramentos foram formalmente definidos pelo IV Concílio de Latrão, em 1215.
→ Limitações na vida clerical
Se a vida dos populares já era intensamente regrada pelos dogmas religiosos disseminados e impostos pela Igreja Católica, a dos que se dedicavam ao clero era ainda mais rigorosa. Muitas dessas práticas ainda existem, mas foi durante a Idade Média que os ritos se tornaram estritamente severos: os religiosos deviam usar trajes específicos para o ofício e conduzir missas em latim, de modo que qualquer alteração nas palavras podia resultar na excomunhão do padre.
Já as freiras não podiam celebrar missas e eram proibidas de deixar o convento, vivendo na clausura para sempre. Ao longo do dia, por oito vezes, padres, freiras e outros religiosos seculares se dedicavam ao canto, à oração ou à leitura da Bíblia. No cotidiano da população comum, essa prática do “ofício divino” passou a organizar atividades diárias, pois cada hora específica da liturgia era anunciada pelo badalar dos sinos das igrejas.
Em algumas ordens, como a Beneditina, os monges eram obrigados a participar de todos os coros das horas canônicas, restringir a alimentação durante os quarenta dias da Quaresma, trabalhar todos os dias exceto aos domingos e viver em clausura perpétua dentro de seus mosteiros. Na ordem Franciscana, tocar voluntariamente em dinheiro era considerado pecado grave. As regras podiam ser mais ou menos flexíveis conforme a ordem, mas, de maneira geral, os ritos obrigatórios do cotidiano dos clérigos e religiosos eram seguidos à risca.
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Papel da Igreja Medieval
O papel da Igreja Medieval, resumidamente, era o de intermediar os mundos profano e sagrado. Apesar de, inicialmente, o seu objetivo ter se atribuído a “salvar as almas” dos mortais, as funções que a Igreja Católica desempenhou no decorrer da Idade Média foram se modificando aos poucos. Com o tempo, ela passou a influenciar a rotina de todos ao seu alcance, incluindo a espiritualidade, a política, a economia e o conhecimento.
Na prática da rotina espiritual conduzida pela Igreja, no decorrer dos séculos de Idade Média, incluíam-se a imposição dos sete sacramentos, as indulgências e a simonia, e mais tarde, a fiscalização das práticas religiosas e a perseguição dos hereges, que eram os católicos batizados que não seguiam as imposições da religião.
Mas o papel da Igreja não se limitava apenas a zelar pela fé cristã: o papa também possuía o seu Estado (Estados Papais), seus exércitos, seus feudos e sistema de coleta de tributos. Além disso, conforme vimos no tópico anterior, ela monopolizava o conhecimento e se beneficiava política e economicamente de seus subordinados e fiéis.
A autoridade da Igreja, porém, não era infalível: ela passou por graves crises no decorrer dos séculos, como no caso do Cisma do Oriente ocorrida em 1054 que dividiu a Igreja em duas instituições (a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa), e a exemplo da Reforma Protestante do século XVI, que disseminou variações da fé cristã (luteranismo, calvinismo e anglicanismo, principalmente) que contradiziam os dogmas católicos.
Inquisição na Igreja Medieval
A Santa Inquisição era um instrumento de controle social instaurado pela Igreja Católica no ano de 1231. Seu objetivo inicial era eliminar os resquícios do movimento herético cátaro ao sul da França após anos de incursões cruzadas, que se manteve presente na região até o ano de 1244. Mesmo com a derrota oficial dos cátaros, grupos considerados heréticos pela Igreja se disseminavam por todo o território sob influência católica. A fim de superar a ineficácia das pregações ordinárias perante os contestadores do catolicismo, o Papa Gregório IX decidiu nomear juízes especializados (os inquisidores) para os tribunais com o objetivo de convencer os hereges de seus erros e reconciliá-los com a Igreja.
Teoricamente, nesse contexto, a Inquisição detinha o acusado de heresia e o submetia a um tribunal; se o indivíduo se arrependesse, ele recebia uma penitência e era reintroduzido na Igreja; do contrário, ele era submetido às autoridades civis para ser executado, desde que “sem o derramamento de sangue”. Por essa regra, isso significava que a punição era geralmente a morte por fogueira.
A execução não era o único mecanismo de controle social imposto pela Igreja. A partir de 1252, o Papa Inocêncio IV decretou pela bula Ad extirpanda que os inquisidores poderiam aplicar torturas nos suspeitos de heresia no intuito de obter confissões. Mas, embora as práticas brutais de tortura tenham se tornado rotina por questões religiosas na Europa, a disseminação da violência foi realizada principalmente pelos tribunais civis, que se tornaram verdadeiras máquinas sanguinárias. Por isso, a Inquisição não possuía rigor homogêneo sobre o continente; enquanto ela se mantinha sistemática e geralmente oferecia penitências no lugar de punições físicas, os tribunais civis usavam do pretexto religioso para perseguir e condenar os infiéis conforme a vontade das autoridades locais, desde príncipes a bispos.
Em 1542, instaurou-se o Santo Ofício (ou Inquisição Romana), uma nova instituição criada pelo Papa Paulo III para combater a influência da Reforma Protestante a partir de Roma. Entre 1545 a 1563, o Concílio de Trento decretou as novas regras que conduziram à Contrarreforma:
- o poder do papa se tornou centralizado (até então, as autoridades eram distribuídas entre bispados e ordens de natureza semelhante);
- a Igreja e os Estados absolutistas se aproximaram;
- elaborou-se o Index Librorum Prohibitorium (lista de livros proibidos por serem considerados heréticos ou anticatólicos, abolido apenas em 1966); e
- se intensificaram os mecanismos de perseguição aos contestadores dos dogmas católicos.
Quase consensualmente, os historiadores apontam que a Espanha foi o Estado em que o Santo Ofício mais agiu com violência, não apenas durante a Idade Média, mas também na Moderna e em parte da Idade Contemporânea (extinguindo-se oficialmente apenas em 1834). O fenômeno particularmente violento naquele local se deu por uma decisão dos monarcas espanhóis Fernando e Isabela, ou seja, embora a Igreja tenha permitido a instauração de uma Inquisição na Espanha, quem de fato a controlava era o Estado, que a usou como ferramenta de terror para controlar a população.
Ao contrário do alvo inicial “herético”, judeus e muçulmanos foram caçados, até mesmo os que já haviam se convertido ao cristianismo, mas eram suspeitos quanto às suas crenças. Diz-se que o inquisidor Tomás de Torquemada, em apenas quinze anos de ofício, estipulou a execução de quase 2 mil suspeitos, além de outras quase 100 mil condenações variadas, entre penitências ou prisões perpétuas. No total da existência da Inquisição Espanhola, cerca de 32 mil pessoas foram queimadas vivas.
Ainda que a Espanha tenha sido o cenário mais violento de ação da Igreja Católica, muitos outros Estados passaram por experiências graves, especialmente devido aos tribunais civis contra os hereges, entre os quais, incluem-se Portugal, França, Alemanha, Países Baixos, Itália etc. Alguns julgamentos levavam anos para serem concluídos e eram constantemente conduzidos por meio de torturas.
Em alguns lugares e contextos, o resultado tanto de uma confissão (quase sempre induzida por coerção) quanto da negação de um crime de heresia ou “bruxaria” poderia ser o mesmo: certos inquisidores acreditavam que o máximo de sofrimento humano, até a sua morte, seria essencial não apenas para punir o espírito maculado, mas para aterrorizar potenciais hereges. Muitos eram mutilados, empalados ou sofriam outro tipo de violação e humilhação antes de queimarem nas fogueiras em praça pública, o que passou a se tornar um espetáculo para grande parte dos populares europeus.
Estima-se que, em alguns lugares, mais de 75% dos condenados por bruxaria eram mulheres, devido à crença difundida por juristas e autoridades civis, bem como a disseminação do “manual de caça às bruxas”, o Malleus Maleficarum (1486), de que o sexo feminino seria mais suscetível à influência do diabo.
Cruzadas e a Igreja Medieval
Entre os séculos XI e XIII, a Igreja Católica protagonizou as Cruzadas, que foram campanhas contra os muçulmanos e outros grupos considerados “infiéis” no intuito de reconquistar as terras consideradas santas para a religião cristã. O maior objetivo da Igreja nestas campanhas era adquirir, novamente, a posse sobre a cidade palestina de Jerusalém.
As Cruzadas foram consequência do auxílio do Papa Urbano II concedido aos cristãos ortodoxos, que solicitaram por socorro para impelir as forças seljúcidas que ameaçavam o Império Bizantino no Oriente. Apesar de, a princípio, as Cruzadas significarem a peregrinação de fiéis católicos até a Palestina, as missões de reconquista rapidamente obtiveram o apoio de monarquias ostensivamente católicas, como a Inglaterra, a França e o Sacro Império Romano-Germânico.
As incursões envolveram o apoio tanto de civis, quanto de grandes efetivos militares, estimulados pela concessão de posses (os nobres que reconquistassem parte das terras ocupadas poderiam arrendá-las para si) e o perdão divino proveniente do engajamento nas missões. A justificativa anunciada pela Igreja, nesse contexto, era espiritual, mas suas razões eram muito mais profundas, pois o controle sobre as “terras santas” significava interesses econômicos, políticos e sociais, afinal, o avanço islâmico sobre o Oriente colocava em risco a autoridade e os privilégios do papa.
Conforme já explicamos anteriormente, a Santa Inquisição foi fundada inicialmente para apaziguar as heresias ao sul da França por meio de pregações. A malsucedida tentativa de restaurar as imposições dogmáticas do catolicismo sobre os albigenses levou a Igreja a coordenar a Cruzada Albigense (1209-1244), que não apenas fortaleceu a autoridade do papa, mas também induziu a intervir militarmente perante os grupos considerados heréticos. Apesar de, no geral, as Cruzadas terem resultado em fracasso quanto ao objetivo de retomar as terras santas, ao mesmo tempo, elas centralizaram a autoridade da Igreja sobre a Europa.
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Exercícios resolvidos sobre Igreja Medieval
Questão 1. (Unicamp) O surgimento das primeiras universidades, nos séculos XII e XIII, marca um momento capital da história do Ocidente medieval. Em relação à época anterior, esse momento comportou elementos de continuidade e de ruptura. Os primeiros devem ser buscados na localização urbana das universidades, no conteúdo dos ensinamentos, no papel social dos homens de saber. Já os elementos de ruptura foram inicialmente de ordem institucional. No âmbito das instituições educativas, este sistema era novo e original. As comunidades autônomas dos mestres e dos estudantes eram protegidas pelas mais altas autoridades leigas e religiosas daquele tempo, permitindo tanto progressos no domínio dos métodos intelectuais e em sua difusão como uma inserção mais eficiente das pessoas de saber na sociedade da época.
Adaptado de J. Verger, Cultura, ensino e sociedade no ocidente nos séculos XII e XIII. Bauru: EDUSC, 2001, p.189-190.
Considerando o texto e seus conhecimentos sobre o período medieval, assinale a alternativa correta.
a) A Igreja Católica apoiava a estruturação das universidades medievais, que representavam o avanço das ciências e a superação de dogmas e das teorias teocêntricas.
b) A organização institucional diferencia as universidades medievais das corporações de ofícios, visto que seu método de estudo estava calcado na escolástica, caracterizando o atraso do mundo medieval.
c) Uma ruptura trazida pelas universidades medievais foi o início da atuação dos copistas nas bibliotecas, que copiavam sistematicamente a produção de autores latinos críticos aos dogmas religiosos.
d) A institucionalização das universidades medievais era um dado novo no período; essas instituições se caracterizavam pelo apoio das autoridades de dentro e de fora da Igreja, e pela maior autonomia e inserção social de seus membros.
Resposta: D
As primeiras universidades da Europa estavam sob a supervisão da Igreja, que passou a exercer influência na participação direta dos seus docentes e discentes a fim de se privilegiar da formação de profissionais com orientação católica, ao mesmo tempo que monopolizava o conhecimento e impunha uma educação estritamente religiosa.
Questão 2. (INAZ do Pará) Durante a Idade Média, a Igreja Católica foi uma das instituições mais poderosas, influenciando todos os aspectos da sociedade medieval. A Igreja não apenas conduzia as práticas religiosas, mas também exercia enorme poder político e social. Ela era responsável pela legitimação dos governantes e pelo controle de aspectos culturais e educacionais. Além disso, os mosteiros e conventos tornaram-se centros de aprendizado e preservação de conhecimento, especialmente após a queda do Império Romano. Com isso, a Igreja teve um impacto profundo na vida cotidiana da população medieval, controlando crenças e práticas sociais.
Analise as assertivas abaixo sobre o papel da Igreja na sociedade medieval e em seguida, assinale a alternativa CORRETA.
I. A Igreja Católica, além de seu papel religioso, tinha um enorme poder político, frequentemente intervindo nas questões de governança e legitimação do poder real.
II. A Igreja manteve uma separação estrita entre religião e política, evitando qualquer tipo de envolvimento nas disputas políticas entre senhores feudais.
III. Os mosteiros desempenhavam um papel fundamental na preservação do conhecimento, incluindo a cópia de manuscritos antigos e a educação do clero e de nobres.
IV. Durante a Idade Média, a Igreja não influenciava a vida cotidiana das pessoas, uma vez que suas práticas estavam restritas às grandes cerimônias religiosas.
V. A Igreja teve um papel importante na difusão da ideia de que o poder dos reis e imperadores era divinamente legitimado, reforçando o conceito de “direito divino”.
a) Apenas as assertivas I, III e V estão corretas.
b) As assertivas II e IV estão corretas.
c) As assertivas I, II e IV estão corretas.
d) As assertivas III, IV e V estão corretas.
e) As assertivas I, III e IV estão corretas.
Resposta: A.
A Igreja Medieval tinha influência direta no cotidiano das sociedades europeias em diversos aspectos, incluindo o poder político, o conhecimento e até mesmo o ritmo de trabalho nos campos e cidades.
Fontes
BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Séculos XV-XIX. São Paulo: Editora Schwarcz, 2004.
BOVO, Elisabetta (Org). História das religiões: Origem e desenvolvimento das religiões. Barcelona: Folio, 2008.
KUNZE, Michael. A caminho da fogueira: Da vida e da morte no tempo da caça às bruxas. São Paulo: Círculo do Livro, 1989.
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Bauru: EDUSC, 2005.
LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário analítico do Ocidente medieval. São Paulo: Editora Unesp, 2 vols., 2017.
LÓPEZ, Roberto. Poder e religião na Europa medieval: Papado, Império e grandes reinos dinásticos. Barcelona: Bonalletra Alcompas, 2018.