Império Carolíngio

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Império Carolíngio é como conhecemos o período do Reino dos Francos em que a Dinastia Carolíngia existiu. Essa dinastia ascendeu ao trono franco a partir de 751, quando Pepino, o Breve foi coroado rei, e estendeu-se até o final do século X, quando os carolíngios perderam o trono para uma nova dinastia.

De todo esse período, o reinado de Carlos Magno é de longe o mais expressivo, estendendo-se de 768 a 814. Nomeado imperador do Ocidente durante esse período, Carlos Magno promoveu uma série de reformas no Reino dos Francos e conseguiu expandir seus territórios pela Europa Central.

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Contexto do Império Carolíngio

Em toda a trajetória carolíngia, o reinado de Carlos Magno foi o momento de maior expressão.[1]
Em toda a trajetória carolíngia, o reinado de Carlos Magno foi o momento de maior expressão.[1]

O Império Carolíngio foi uma continuidade do Reino dos Francos, e o diferencial desse período é que o trono estava nas mãos da Dinastia Carolíngia. Os carolíngios, portanto, eram francos, e esse povo estabeleceu-se na região da Gália durante a fase final do Império Romano do Ocidente. Os francos receberam mais destaque por terem sido o único povo germânico que conseguiu estabelecer um reino duradouro na Europa.

Os historiadores consideram que o Império Carolíngio foi uma tentativa de recriar o Império Romano do Ocidente porque um dos seus grandes imperadores procurou garantir o apoio de Roma para que seu poder fosse reconhecido em toda a Europa; procurou expandir suas fronteiras para estabelecer um império territorialmente vasto; e utilizou-se de títulos para reforçar sua posição de autoridade.

O início da Dinastia Carolíngia está relacionado com a ascensão de Pepino, o Breve ao trono franco, em 751. Essa dinastia esteve à frente dos francos até o final do século X e sofreu muita fragmentação territorial depois que Luís, o Piedoso morreu, em 843. Essa fragmentação levou os territórios francos a formarem o Reino da França, de um lado, e o Sacro Império Romano-Germânico, de outro.

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Início da Dinastia Carolíngia

A Dinastia Carolíngia surgiu de figuras conhecidas como mordomos do palácio, um cargo ocupado por uma pessoa que cuidava diretamente da administração do reino. Nos primeiros séculos do Reino dos Francos, o trono era ocupado pelos merovíngios, mas, com o passar do tempo, esses reis  entregaram muitas de suas atribuições aos mordomos.

Esses funcionários então acumularam grande poder, tendo acesso aos nobres e aos cofres reais, por exemplo. Essa cessão do poder aos mordomos era proposital, porque muitos reis merovíngios não estavam dispostos a cuidar da administração do reino. Assim, os mordomos começaram a ganhar influência entre a nobreza franca, ao passo que os reis foram enfraquecendo-se.

Os últimos reis merovíngios foram tão insignificantes para o reino que ficaram conhecidos como reis indolentes. O ponto-chave para que os mordomos se estabelecessem de fato como influências reais entre os francos deu-se no século VIII. Em 732, os francos lutaram contra os muçulmanos na Batalha de Poitiers, e esse foi o momento crucial da história franca, porque eles foram liderados por Carlos Martel, um mordomo do palácio.

A derrota dos muçulmanos colocou fim na sua expansão pela Europa e fez de Carlos Martel um homem influente. Ele seguiu como mordomo pelo resto de sua vida, mas seu filho, Pepino, o Breve, lutou pelo trono franco. Isso aconteceu porque ele conseguiu apoio do papa Zacarias e dos nobres para tomar o poder.

Em 751, ele foi coroado rei dos francos, destituindo os merovíngios e iniciando a Dinastia Carolíngia. O termo “carolíngio” é derivado do nome Carlos (de Carlos Martel), e o último rei merovíngio foi Quilderico III.

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Carlos Magno

No ano de 800, o papa Leão III coroou Carlos Magno como imperador do Ocidente.[2]
No ano de 800, o papa Leão III coroou Carlos Magno como imperador do Ocidente.[2]

Pepino, o Breve ocupou o trono carolíngio até o ano de 768, e após sua morte, o trono foi sucedido por Carlomano I e Carlos Magno, ambos seus filhos. Eles foram coroados juntos, sendo que cada um reinava sobre uma parte do reino. Carlomano I faleceu em 771, e então Carlos Magno unificou os territórios carolíngios sob seu comando.

Seu reinado estendeu-se de 768 até 814 e foi o mais bem-sucedido da história dos carolíngios. Ele promoveu reformas administrativas e jurídicas e conseguiu expandir territorialmente o Reino dos Francos. Seu governo também contribuiu significativamente para a estruturação do feudalismo e o estabelecimento de práticas clássicas da Idade Média, como a suserania e vassalagem.

No que se refere à expansão territorial, podemos falar que Carlos Magno foi um rei que promoveu inúmeras guerras para ampliar seu reino. Ao longo de seu reinado, somente em dois anos (790 e 807) as tropas francas não se envolveram em nenhum tipo de guerra. Ele seguiu a linha de seu pai de manter uma forte aliança com a Igreja de Roma, e durante essas expansões realizou conversões forçadas por onde passava.

Entre as conquistas de Carlos Magno, a principal deu-se contra os lombardos, um povo que frequentemente atacava as terras da Igreja Católica na Península Itálica. Ele também lutou e derrotou outros povos, como saxões, bretões e ávaros, em diferentes regiões da Europa Central. Os muçulmanos, na Península Ibérica, também foram seu alvo, mas seu sucesso contra eles foi bem menos expressivo.

De toda forma, Carlos Magno conseguiu formar o maior reino em termos de território na Europa, depois da fragmentação do Império Romano do Ocidente. Como símbolo do seu poder e representação como sucessor dos imperadores romanos, ele foi nomeado, pelo papa Leão III, imperador do Ocidente, em 800.

No que se refere à administração do reino, Carlos Magno fez muitas modificações na forma de governar os francos. Como o poder dos reis era muito frágil, ele precisava, de alguma forma, garantir a fidelidade de seus nobres, e uma delas se deu pelas relações de suserania e vassalagem.

Por essas relações, ele fornecia terras para um nobre e em troca exigia sua fidelidade. Com isso, caso o rei precisasse de tropas, por exemplo, esses nobres eram obrigados a fornecê-las como parte do acordo. Dentro dessa relação, o rei era o suserano e os nobres eram os vassalos. Além disso, Carlos Magno procurou reforçar sua autoridade por outros meios.

O imperador gostava que suas ordens fossem enviadas em documentos escritos chamados de capitulares, ele implantou leis com aplicação para todo o reino, e os territórios entregues aos seus vassalos, chamados de condados, eram monitorados por “enviados do senhor” ou missi dominici, um grupo de funcionários reais que monitoravam o trabalho dos condes.

Capela que faz parte do palácio construído a mando de Carlos Magno, em Aachen.[3]
Capela que faz parte do palácio construído a mando de Carlos Magno, em Aachen.[3]

Carlos Magno administrou seu reino, em grande medida, de Aachen (atualmente na Alemanha), onde ele mandou construir um grande palácio. Lá ele incentivou a vinda de poetas e outros artistas e  a alfabetização de seus filhos e dos nobres carolíngios. Até mesmo sobre questões monetárias, Carlos Magno realizou mudanças, pois tentou estabelecer uma única moeda chamada denier, mas essa reforma não emplacou.

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Decadência

O reinado de Carlos Magno foi o mais próspero dos carolíngios, e a sucessão dessa dinastia não teve o mesmo sucesso que ele na administração do reino. Seu filho, Luís, o Piedoso, sucedeu ao trono em 814, mas, como não tinha a mesma capacidade de administração que o pai, acabou contribuindo para o enfraquecimento do império.

O território franco foi constantemente atacado por húngaros, a leste, e vikings ou normandos, ao norte, assim, com o passar do tempo, sua fragmentação foi inevitável. No final do século X, o que restava do poder carolíngio foi substituído pela ascensão da Dinastia dos Capetos.

Créditos das imagens

[1] jorisvo e Shutterstock

[2] Viacheslav Lopatin e Shutterstock

[3] Takashi Images e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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