Como os vikings enxergavam a guerra?

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Representação moderna da forma como os guerreiros vikings vestiam-se e como eram as suas armas

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Por Daniel Neves Silva

Os vikings foram os povos que habitaram o Norte da Europa (mais precisamente a Escandinávia) durante um período conhecido como Era Viking. Esse período iniciou-se em 793, quando o mosteiro de Lindisfarne, no norte da Inglaterra, foi atacado pelos vikings, e estendeu-se até 1066, quando os normandos conquistaram a Inglaterra durante a Batalha de Hastings.

O termo “viking” tem uma relação direta com uma das principais atividades praticadas pelos nórdicos da Era Viking: as expedições navais. A origem do termo pode estar relacionada com o termo “vikingr”, que no nórdico antigo era utilizado para se referir a marinheiros que cometiam atos de pirataria. No entanto, existem outras hipóteses para explicar a origem dessa palavra. Para saber mais sobre a etimologia (origem) do termo viking, acesse este texto.


A guerra era importante para a sociedade viking?

Sim, a guerra tinha uma importância muito grande para os vikings. Muitas vezes, ela reforçava as alianças políticas entre diferentes reinos e, na sociedade, poderia trazer status para os guerreiros que lutavam e venciam batalhas (os que caíam em batalha também conquistavam fama), assim como trazia riqueza a partir dos bens obtidos nos saques.

Em questões religiosas, a guerra também tinha seu significado, uma vez que os vikings acreditavam que os guerreiros que morriam em batalha se juntariam a Odin (o deus mais poderoso para os nórdicos) em seu salão chamado de Valhalla. Os vikings acreditavam que os soldados mortos em batalha eram escolhidos pelas valquírias (figuras míticas e servas de Odin) para se juntar a Odin.

No Valhalla (a tradução da expressão significa “salão dos mortos”), os soldados eram chamados de einherjar e passariam as eras celebrando e lutando entre si até a corneta de Heimdal tocar anunciando o Ragnarök (evento caótico que marcaria o fim do domínio dos deuses nórdicos e o fim do universo para o início de uma nova era).

Acesse também: Religião Viking

Para os vikings, todo homem, desde que ele fosse livre, tinha direito a portar armas e tornar-se um guerreiro. O treinamento do guerreiro viking era algo realizado dentro da própria família, mas, no caso dos jarlar (nobres), o treinamento era especializado e mais intenso em razão da melhor condição econômica desse grupo.

A partir dos estudos conduzidos pelos historiadores, alguns grupos de guerreiros formados pelos vikings ficaram conhecidos como a Guarda Varangiana e o Grande Exército Dinamarquês. Em outros casos, destacaram-se grupos específicos de guerreiros, como foi o caso dos berserkir.

A Guarda Varangiana era um grupo de guerreiros de elite de origem viking que foi contratado para realizar a proteção do imperador bizantino. O Grande Exército Dinamarquês (também conhecido como Grande Exército Pagão) foi um gigantesco exército formado pelos dinamarqueses que invadiu e atacou os reinos saxões (Ânglia Oriental, Wessex, Mércia e Nortúmbria) no território da atual Inglaterra, no século IX.

Já os berserkir eram um grupo específico de guerreiros que ficou muito famoso por lutar de forma ensandecida e sem nenhum tipo de proteção no corpo. A “loucura” está diretamente ligada ao culto xamânico realizado a Odin (culto caracterizado por transe ou êxtase), e o nome desse grupo pode estar relacionado com termos do nórdico antigo que fazem menção a um urso ou à expressão “sem camisa”.

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Armas dos vikings em batalha

Muitos acreditam que os vikings utilizavam exclusivamente o machado em guerra, porém, além do machado, eles também utilizavam bastante a espada. Outras armas importantes (mas não tão importantes em relação à espada e ao machado) eram a faca, a lança e o arco e flecha. Para sua proteção, os vikings utilizavam escudos de madeira, elmo para o rosto e a cota de malha para proteger o tronco do corpo.

  1. Espada: era a arma mais importante para os vikings. Além da sua importância bélica, a espada também trazia grande status para seus portadores. No entanto, nem todos tinham acesso a essa rma por conta do seu alto valor. Quanto melhor a condição financeira de seu portador, mas enfeitada era a espada.

    Os guerreiros que portavam espadas muitas vezes atribuíam-lhes valores sentimentais e, por isso, nomeavam-nas. Grande parte das espadas utilizadas pelos vikings eram produzidas na própria Escandinávia, mas existem evidências arqueológicas que apontam que os vikings também usavam espadas produzidas pelos francos.

  2. Machado: era mais disseminado entre os guerreiros, principalmente porque era um objeto mais barato. Como o uso do machado estava presente em atividades cotidianas dos vikings, muitos guerreiros possuíam grande habilidade no manejo dessa arma. Os machados poderiam ser utilizados tanto no combate corpo a corpo como sendo lançados a distância.

  3. Lança: era uma arma de importância simbólica religiosa muito grande, pois, antes de cada batalha, os vikings lançavam uma lança como forma de obter o favor de Odin. Isso acontecia porque Odin era o deus associado à guerra e, além disso, a principal arma de Odin era uma lança chamada de Gungnir.

  4. Faca: era utilizada em combates corpo a corpo.

  5. Arco e flecha: era utilizado em ataques de pilhagem e durante batalhas navais.

A principal forma de defesa dos vikings na guerra era o escudo produzido de madeira. Os escudos vikings também eram reforçados com barras metálicas. Para proteção do rosto, os vikings usavam um elmo metálico em forma cônica com uma faixa de proteção que se estendia até o nariz. É importante reforçar que os elmos vikings não possuíam chifres ou asas como é comumente retratado na cultura popular (filmes, HQs, jogos etc).


As mulheres poderiam ser guerreiras na sociedade viking?

Na cultura popular, é bastante difundida a ideia de mulheres vikings que se tornavam guerreiras e conquistavam grande status em batalha, mas, na vida real, as fontes são conflitantes e há muitas incertezas sobre isso. Os registros lendários escritos pelos nórdicos retratam uma série de mulheres que guerrearam, mas os registros históricos escritos pelos nórdicos não possuem nenhum fato que comprove isso.

Além disso, as evidências arqueológicas e osteológicas (estudo dos ossos) também não trazem muitas evidências sobre guerreiras vikings. Isso leva os historiadores a concluir que existiram sim algumas mulheres que se tornaram guerreiras, mas não era um comportamento comum às mulheres dentro da sociedade viking.

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