Rosa Parks

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Rosa Parks foi uma mulher negra norte-americana que ficou marcada por recusar-se a obedecer a uma lei segregacionista que existia no transporte coletivo de Montgomery, no Alabama, Estados Unidos. O ato dela, em 1955, resultou na sua prisão e, em represália, a população afro-americana da cidade se mobilizou para boicotar os ônibus.

A ação de Rosa Parks foi o estopim para o início dos movimentos que lutaram pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Ela foi um dos grandes ícones desse ativismo antirracista e defendeu causas relacionadas ao longo de toda a sua vida. Sua atuação lhe rendeu muitas homenagens em vida e após a sua morte.

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Nascimento e juventude

Rosa Louise McCauley (conhecida como Rosa Parks depois de seu casamento) nasceu em Tuskegee, no Alabama, no dia 4 de fevereiro de 1913. Seus pais eram James McCauley, que trabalhava como carpinteiro, e Leona Edwards, que trabalhava como professora. Os pais de Rosa se separaram quando ela tinha dois anos, e ela se mudou para Pine Level, na região metropolitana de Montgomery, a capital do Alabama.

Rosa Parks foi um dos grandes nomes do ativismo antirracista na história dos Estados Unidos.[1]
Rosa Parks foi um dos grandes nomes do ativismo antirracista na história dos Estados Unidos.[1]

Em Pine Level, Rosa Parks teve contato com um ambiente familiar que defendia as ideias de igualdade racial. Ao mesmo tempo em que vivia em uma família antirracista, ela cresceu em uma comunidade abertamente racista. Ela, por exemplo, teve de estudar em escolas para estudantes negros e era obrigada a ir caminhando para o colégio porque a cidade de Pine Level só oferecia transporte escolar para estudantes brancos.

Aos 16 anos, Rosa abandonou os estudos para trabalhar e cuidar de sua avó e mãe, que estavam doentes. Em 1932, aos 19 anos, casou-se com Raymond Parks, que trabalhava como barbeiro. O marido de Rosa Parks a incentivou a finalizar seus estudos e, em 1933, ela concluiu o Ensino Médio.

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Ativismo

Como vimos, Rosa Parks cresceu em um ambiente familiar que defendia os ideais de igualdade racial. A situação não mudou depois que ela se casou, porque o seu marido era membro da National Association for the Advancement of Colored People, a NAACP, uma organização que defendia os direitos da população afro-americana nos Estados Unidos.

Raymond Parks tomou parte da campanha em defesa de nove negros falsamente acusados de terem estuprado duas mulheres. Esse caso ficou conhecido como Scottsboro Boys, e Raymond liderou um comitê que atuava nesse caso, além de ter levantado fundos para garantir a defesa deles. A casa de Raymond e Rosa Parks frequentemente sediava reuniões da NAACP.

Na década de 1940, ela ingressou oficialmente no NAACP, tornando-se secretária da organização no final de 1943, cargo que ocupou até o ano de 1957. Por incentivo de seu marido, Rosa Parks ainda se registrou para votar e conseguiu concluir seu registro em 1945. Nessa época, grupos de supremacistas tentavam impedir que negros se registrassem para votar.

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  • Boicote aos ônibus de Montgomery

Rosa Parks ficou marcada na história dos Estados Unidos por um ato realizado em dezembro de 1955. A cidade de Montgomery, onde ela morava, assim como outros lugares do sul dos Estados Unidos, possuía legislações segregacionistas, isto é, que promoviam a discriminação de afro-americanos.

Nessa cidade, existia uma lei que não permitia que os negros se sentassem nos mesmos lugares que os brancos dentro dos ônibus. Quando um ônibus estivesse lotado, o motorista ordenava que uma pessoa negra se levantasse e desse o seu lugar ao passageiro branco. Rosa Parks já tinha passado por experiências ruins dentro dos ônibus da cidade, mas em 1955 ela decidiu dar um basta.

Ela trabalhava como costureira e, no dia 1º de dezembro, voltava para casa depois de sua jornada de trabalho. Durante o trajeto, o motorista do ônibus exigiu que Rosa Parks e outras três pessoas negras se levantassem e cedessem seus lugares para pessoas brancas. Ela, no entanto, negou-se a se levantar e a ceder o seu lugar, e o motorista do ônibus então chamou a polícia. Parks foi presa.

Modelo do ônibus no qual Rosa Parks negou-se a se levantar em dezembro de 1955.[2]
Modelo do ônibus no qual Rosa Parks negou-se a se levantar em dezembro de 1955.[2]

A recusa de Rosa Parks de se levantar não aconteceu por cansaço físico, mas sim porque ela não queria mais ter que passar por situações discriminatórias como aquela. Sua prisão serviu de estopim para que a comunidade afro-americana de Montgomery se mobilizasse em defesa dela. Assim, foram levantados recursos para pagar a fiança ainda no dia 1º.

Rosa Parks não foi a primeira mulher a tomar essa atitude. Naquele mesmo ano, uma estudante de 15 anos já tinha realizado a mesma ação. Essa estudante se chamava Claudette Colvin e também morava em Montgomery, no Alabama. A ação de Colvin aconteceu nove meses antes da ação de Parks.

De toda forma, a ação de Rosa Parks serviu de estopim para que a comunidade afro-americana de Montgomery se reunisse contra a discriminação. Ficou decidido que o serviço de ônibus seria boicotado pelos afro-americanos que moravam na cidade até que a segregação contra os negros acabasse. Nesse boicote um nome despontou: Martin Luther King Jr.

A comunidade afro-americana começou a ir para os seus trabalhos a pé, e caronas começaram a ser organizadas para levar o máximo de pessoas possível. Essa mobilização dos afro-americanos nesse caso marcou o início do movimento pelos direitos civis, que lutou contra a segregação racial nos Estados Unidos. O boicote durou 385 dias e fez com que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos proibisse a segregação dentro dos ônibus. Martin Luther King acabou se tornando um grande ícone nessa luta, juntamente com Rosa Parks.

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Últimos anos

Apesar da vitória conquistada em 1956, todo esse processo de luta foi extremamente complicado para Rosa Parks e seu marido. Eles, assim como outros negros em Montgomery, foram perseguidos por se mobilizar contra a segregação. Rosa Parks e seu marido perderam os seus empregos, Martin Luther King teve atentados à bomba na sua casa, e Rosa Parks constantemente recebia ligações de supremacistas brancos ameaçando-a.

Como eles não conseguiam novos empregos e as ameaças eram constantes, Rosa Parks e seu marido se mudaram para Detroit, cidade que fica no estado de Michigan. Lá ela começou a trabalhar como recepcionista e secretária do congressista John Conyers. Ela trabalhou para esse congressista até o ano de 1988, quando então se aposentou.

O fato de ela ter se mudado de Montgomery não fez com que ela largasse o ativismo. Em Detroit, ela atuava junto do congressista em causas sociais e manteve-se como personalidade importante na luta antirracista nos Estados Unidos. Além disso, ela se envolveu com muitas outras entidades que atuavam contra o racismo.

Em 1977, Raymond Parks faleceu, deixando Rosa Parks viúva. Os dois nunca tiveram filhos. Em 1992, ela escreveu uma autobiografia e, no fim dos anos 1990, a saúde física e mental dela começou a se deteriorar. Rosa Parks faleceu no dia 24 de outubro de 2005, aos 92 anos de idade. Ela recebeu inúmeras homenagens ao longo de sua vida (e após a sua morte) por seu papel na luta contra o racismo.

Créditos das imagens

[1] Harlin Design e Shutterstock

[2] Gino Santa Maria e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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