Governo Itamar Franco

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O governo de Itamar Franco foi resultado do impeachment de Fernando Collor de Mello, presidente do Brasil entre 1990 e 1992. Itamar acabou governando o Brasil no restante do mandato que seria de Collor. Assumiu a presidência em 29 de dezembro de 1992 e saiu em 1º de janeiro de 1995.

Esse governo ficou marcado por ter realizado um dos grandes feitos da história recente do país: a estabilização da economia e o controle da inflação. Isso ocorreu por meio da nomeação de Fernando Henrique Cardoso ao Ministério da Fazenda. O trabalho dele e de sua equipe de economistas na estabilização da inflação no Brasil efetivou-se por meio do Plano Real.

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Quem era Itamar Franco?

Itamar Franco era um político tradicional e tinha uma projeção mais regional do que necessariamente nacional. Em 1992, tornou-se presidente do Brasil, mas sua trajetória política era de longa data. Antes da ditadura, ele fazia parte do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, nos anos da Ditadura Militar, filiou-se ao partido de oposição ao regime, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Governou a cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, por dois mandatos e esteve envolvido com o processo de redemocratização do Brasil. Na década de 1980, Itamar Franco era senador, participou da campanha das Diretas Já e, na eleição presidencial de 1985, votou por Tancredo Neves.

Em 1986, lançou-se à disputa para o governo de Minas Gerais pelo Partido Liberal (PL). Acabou sendo derrotado pelo grande apoio que o PMDB teve na época em razão do Plano Cruzado. O candidato que derrotou Itamar na ocasião foi Newton Cardoso. Itamar também fez parte da Constituinte que elaborou a Constituição de 1988.

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Eleição de 1989

Em 1989, foi realizada a primeira eleição presidencial por voto direto desde 1960. Itamar Franco não se lançou à disputa pela presidência, mas recebeu o convite de Fernando Collor, que concorreria à presidência, para que fosse vice. Collor, na época, era governador de Alagoas e candidato à presidência pelo PRN.

O convite de Collor a Itamar para que ele compusesse a chapa para a eleição de 1989 era puramente por estratégia política, e não por proximidade ideológica. Isso porque Itamar Franco não era um liberal como Collor, mas sim um político nacionalista, desenvolvimentista e que defendia uma forte influência do Estado na economia.

O convite de Collor a Itamar Franco devia-se exclusivamente ao fato de Itamar ser um político importante em Minas Gerais. Assim, uma aliança com ele poderia render a Collor votos muito importantes nesse estado. Minas Gerais é um dos colégios eleitorais mais importantes do Brasil.

As diferenças entre Itamar e Collor eram tão evidentes que os historiadores falam que a relação entre os dois sempre foi instável. Itamar chegou a ameaçar abandonar a chapa de Collor por duas vezes durante a campanha eleitoral, mas acabou recuando. Mesmo com as diferenças, a campanha de Collor foi um sucesso e ele venceu no segundo turno com 53% dos votos. Itamar foi empossado vice-presidente do Brasil.

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Impeachment de Collor

A presidência de Collor, no entanto, foi profundamente conturbada. Ele fracassou no combate à inflação e acabou sendo denunciado no começo de 1992 por arrecadação ilícita de verbas por meio do seu tesoureiro de campanha, PC Farias. As investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) mostraram que Collor se beneficiou diretamente com o esquema de corrupção.

No percurso das investigações, Itamar Franco alegou ser inocente, declarando-se isento de qualquer esquema de corrupção. Em seguida, ele se desfiliou do PRN, o partido do presidente, e retornou ao PMDB, partido de que saiu em 1986 para disputar o cargo de governador de Minas Gerais. Enquanto isso, a população tomou as ruas exigindo o afastamento do presidente Collor.

Em 29 de setembro de 1992, Collor foi afastado provisoriamente da presidência, e Itamar Franco assumiu o posto interinamente. Em 29 de dezembro de 1992, o processo de impeachment de Collor foi ratificado após votação no Congresso e no Senado. Com isso, nessa data, Itamar Franco foi empossado oficialmente como presidente do Brasil. Ele governaria o Brasil nos dois anos finais desse governo.

Governo Itamar Franco

Com o impeachment de Fernando Collor, o vice, Itamar Franco, foi empossado na presidência do Brasil.[1]
Com o impeachment de Fernando Collor, o vice, Itamar Franco, foi empossado na presidência do Brasil.[1]

O grande desafio de Itamar Franco na presidência foi o mesmo de Sarney e Collor: a crise econômica e a alta da inflação. Essa crise arrastava-se desde a década de 1980, e o Brasil havia passado por uma série de planos econômicos – todos fracassados –, havia mudado de moeda diversas vezes, mas a inflação continuava alta. Em 1992, por exemplo, a inflação atingiu 1109%.

Durante os primeiros meses de seu governo, Itamar Franco patinou na questão econômica. Ele nomeou três pessoas para o Ministério da Fazenda – Gustavo Krause, Paulo Haddad e Eliseu Resende – e nenhum dos indicados conseguiu resolver os problemas da economia brasileira. Essas nomeações aconteceram entre outubro de 1992 e maio de 1993.

Em maio de 1993, Fernando Henrique Cardoso, importante sociólogo brasileiro e que entrou na vida política na década de 1980, foi convidado para assumir a pasta da Fazenda. Antes desse ministério, FHC estava ocupando o Ministério das Relações Exteriores. Na Fazenda, Fernando Henrique recebeu autonomia do governo para montar sua equipe como quisesse.

Foi o trabalho de FHC e sua equipe de economistas à frente do Plano Real que resolveu os problemas econômicos de nosso país e estabilizou a inflação. Esse foi o grande legado do governo de Itamar Franco.

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Plano Real

À frente do Ministério da Fazenda, FHC foi um dos responsáveis pelo Plano Real.[2]
À frente do Ministério da Fazenda, FHC foi um dos responsáveis pelo Plano Real.[2]

O Plano Real foi um momento importante na história recente do Brasil. Esse plano foi criado por Fernando Henrique Cardoso e sua equipe de economistas do Ministério da Fazenda. Os economistas convidados por FHC estiveram envolvidos com outros planos econômicos elaborados em outros governos. Na gestão de Itamar Franco, esses economistas puderam corrigir seus erros e criar um plano diferente do que até então havia sido feito.

Diferentemente dos outros planos, no Plano Real, não houve política de choque e todas as mudanças econômicas propostas foram explicadas abertamente à população, que entendeu o que estava sendo feito, aderiu e apoiou o novo plano econômico. Isso não significa que não houve críticas, pois elas existiram, realizadas sobretudo pelo PT.

O Plano Real foi implantado em três etapas ao longo de 1993 e 1994 e passou por aprovação no Legislativo. Havia bastante desconfiança sobre o fato de o plano poder prejudicar os trabalhadores mais pobres e, por isso, partidos como o PT não deram seu apoio. As três etapas incluíram a estabilização das contas públicas, com redução de gastos e aumento da arrecadação; lançamento de uma moeda virtual para preparar a transição do cruzeiro real para o real e, por fim, o lançamento da nova moeda, o real.

De imediato, o Plano Real mostrou ser de sucesso, pois fez com que a inflação no Brasil caísse consideravelmente. Em 1993, a inflação anual no Brasil era de 2477%; em 1994, 916%; em 1995, 22%.

Algumas críticas foram realizadas na época à quantidade de privatizações na gestão de Itamar Franco, além de o Plano Real ter aumentado o desemprego e mantido o poder de compra do trabalhador nivelado por baixo. Ainda assim, o fim da inflação alta acabou gabaritando Fernando Henrique Cardoso como candidato à presidência do Brasil.

O presidente Itamar Franco apoiou a candidatura de FHC, lançado pelo PSDB, e o então ministro da Fazenda foi eleito presidente no primeiro turno com 54% dos votos.

Créditos das imagens:

[1] Arquivo Senado Federal e Célio Azevedo

[2] A.PAES e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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