Auguste Comte

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Auguste Comte foi o primeiro teórico a expor a necessidade de uma ciência dedicada a descobrir as leis da sociedade.
Auguste Comte foi o primeiro teórico a expor a necessidade de uma ciência dedicada a descobrir as leis da sociedade.

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Por Francisco Porfírio

Auguste Comte é considerado o “pai” da Sociologia e o fundador da teoria positivista. Foi um dos pensadores mais influentes do século XX e um forte aliado do trabalho e do método científicos em sua época. Os seus trabalhos fornecem uma base para compreender-se a complexa sociedade europeia do século XIX, e as ferramentas oferecidas pelo pensamento comtiano são úteis até os dias de hoje.

Leia também: Positivismo: o que é, origem e características

Quem foi Auguste Comte?

Em 19 de janeiro de 1798, na cidade de Montpellier, na França, nasce Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, mais conhecido por Auguste Comte. Vindo de uma família monarquista e católica, Comte rejeitou os valores do Antigo Regime e a doutrina católica desde cedo. Do seu trabalho, o filósofo ficou reconhecido por ter criado a palavra Sociologia, ao apontar o desenvolvimento de uma ciência capaz de dissecar as leis de formação das sociedades e ao fundar o positivismo como método de análise crítica da História, das ciências e da sociedade.

O filósofo estudou na Faculdade de Medicina de Montpellier e na Escola Politécnica de Paris, sendo expulso desta em 1817 por liderar um motim de alunos dentro da instituição. Após a sua expulsão, o futuro filósofo escreve para jornais até conhecer o Conde de Saint Simon. Simon foi uma figura importante na formação intelectual de Comte, que trabalhou como secretário para o amigo até 1824.

O conde francês, que, apesar do título nobre, era um socialista convicto (na época não havia ainda a teoria socialista de Marx e Engels, denominado socialismo científico, havendo apenas o que conhecemos hoje por socialismo utópico), introduziu Comte em seu círculo intelectual parisiense e o influenciou com ideias a respeito da História e da sociedade.

Simon acreditava que havia uma marcha constante do progresso social que faria com que a sociedade sempre evoluísse, às vezes rapidamente, outras vezes lentamente. Essa ideia, junto com a ideia de que a moral deve servir para o progresso, marcou a Filosofia de Auguste Comte, mesmo após o rompimento entre os amigos por conta de divergências intelectuais.

A partir de 1822, Comte passa a formular os primórdios da sua teoria positivista, publicando o Plano de trabalhos necessários para a reorganização da sociedade. Já em 1828 e 1829, o filósofo ministrou o Curso de Filosofia Positiva, que resultou na redação de obra homônima dividida em seis volumes e escrita entre 1830 e 1842.

Em seu Plano de trabalhos necessários para a reorganização da sociedade, o filósofo já fala da necessidade de uma ciência que, tal como as ciências da natureza, estudaria a organização da sociedade, nomeando-a Física Social. Em Curso de Filosofia Positiva, o autor cunha o título Sociologia para nomear a referida ciência da sociedade.

Em 1847, Comte fundou a Religião da Humanidade ou Religião Positiva, uma doutrina que se baseava na ideia de que a ciência deveria organizar cada aspecto da vida social. A sua intenção era substituir as religiões tradicionais por uma nova doutrina que levasse a sociedade ao pleno avanço científico, tecnológico, moral e social.

Nesse período, também ocorreu uma expansão das ideias comtianas para além da Europa, sendo que, mais tarde, em 1888, elas chegaram ao Brasil por meio dos militares positivistas e republicanos ligados ao Marechal Manuel Deodoro da Fonseca.

Em 1857, Comte morre em Paris, aos 59 anos.

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Sociologia e Auguste Comte

A palavra Sociologia surgiu a partir das obras de Comte. Ele falava, desde sua primeira obra publicada, da necessidade de desenvolver-se uma ciência capaz de entender a sociedade para então torná-la melhor. Segundo Auguste Comte, as grandes revoluções burguesas do século XVIII (Revolução Francesa e Revolução Industrial) trouxeram significativos avanços para a sociedade em termos políticos e científicos.

No entanto, após as revoluções, a Europa viu crises deixadas pelo caos político resultante da Revolução Francesa e pelo acirramento da miséria causado pela repentina explosão demográfica das grandes cidades inglesas. A ideia de Comte era analisar a situação em que as sociedades europeias encontravam-se e propor soluções para os problemas enfrentados.

Comte cria o termo Física Social para falar de uma ciência que, assim como as ciências da natureza descobrem as leis naturais, descobriria as leis sociais. Através da observação, o físico social conseguiria desenvolver um trabalho positivo de observação e experimentação que o permitiria decodificar a sociedade para então criar propostas de intervenção nela. Mais tarde, essa ciência passa a ser chamada de Sociologia, mas não tendo ainda um método próprio e preciso.

A Revolução Industrial provocou severas mudanças na organização social europeia e na configuração dos espaços urbanos.
A Revolução Industrial provocou severas mudanças na organização social europeia e na configuração dos espaços urbanos.

Positivismo

O positivismo, enquanto teoria bem desenvolvida, surge tendo como base o trabalho de Auguste Comte em seu Curso de Filosofia Positiva. O trabalho positivo na humanidade já podia ser percebido por meio do desenvolvimento que a sociedade tinha alcançado, pois o trabalho empírico de observação científica era, por si mesmo, um trabalho positivo.

Para explicar o positivismo, o pensador formula a Lei dos Três Estados, que afirma a existência de três diferentes graus de desenvolvimento da humanidade, como está descrito a seguir:

  1. Estado teológico: O ser humano sempre precisou buscar explicações para os fenômenos que o rodeiam. No início, quando a humanidade ainda não possuía conhecimento suficiente para formular teorias respaldadas pela razão, ela buscava respostas apressadas através de teorias mitológicas, que apostavam no sobrenatural para explicar os fenômenos naturais.

  2. Estado metafísico: A partir do momento em que o ser humano passa a questionar a mitologia por meio do trabalho filosófico, ele entra no estado metafísico de desenvolvimento. As explicações fantasiosas fornecidas pela religião já não são mais aceitas sem questionamento, e a humanidade busca explicações racionais com base na especulação filosófica.

  3. Estado positivo: Nesse estado de desenvolvimento, a humanidade passa a buscar respaldo nas ciências, por meio dos métodos de observação e testes empíricos, para fundamentar o seu conhecimento. Esse é o maior desenvolvimento possível para a humanidade e ele reflete, segundo Comte, seu avanço social.

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Influências

Além de Saint Simon, Comte foi influenciado por cientistas da natureza, como Galileu e Newton. A ciência, principalmente a Biologia, também foi fonte de inspiração para o francês, que encarava a ciência que estuda a vida como o mais avançado estudo possível para a sociedade positivista.

Émile Durkheim teceu críticas ao pensamento comtiano e desenvolveu um método mais preciso para os estudos sociológicos serem estabelecidos, sendo fortemente influenciado por Comte e pela Sociologia.

O positivismo e o materialismo histórico dialético, de Karl Marx, são dois métodos de trabalho intelectual que formam as bases para o entendimento da intelectualidade desenvolvida no século XIX e de grande parte do pensamento filosófico, sociológico e histórico do século XX.

Curso de Filosofia Positiva

Curso de Filosofia Positiva é o título da obra mais importante da carreira de Auguste Comte. Os seis volumes da obra foram escritos entre 1830 e 1842 e resultaram, inicialmente, de anotações de um curso livre de Filosofia que o pensador ministrou entre 1828 e 1829.

É nessa obra que estão localizados os primeiros estabelecimentos da Sociologia enquanto Física Social e enquanto ciência própria da sociedade. Nela também estão localizadas as primeiras apostas no positivismo como acelerador do progresso humano e na ordem social como fator que levaria ao pleno desenvolvimento.

Frases

  • "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim."

  • "Todos os bons intelectos têm repetido, desde o tempo de Bacon, que não pode haver qualquer conhecimento real senão aquele baseado em fatos observáveis."

  • "Viver para os outros não é somente a lei do dever, mas também a da felicidade."

  • "Saber para prever a fim de poder."

* Crédito da imagem: Lefteris Papaulakis / Shutterstock

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