Revolta dos Malês
A Revolta dos Malês foi uma revolta de africanos escravizados que aconteceu em Salvador, em janeiro de 1835. Cerca de 600 escravizados se rebelaram na ocasião.
Por Daniel Neves Silva
PUBLICIDADE
A Revolta dos Malês foi uma revolta de africanos escravizados que ocorreu na cidade de Salvador, na Bahia, em 25 de janeiro de 1835. Na ocasião, cerca de 600 escravizados se rebelaram na madrugada, promovendo combates pelas ruas da capital baiana. Os africanos escravizados lutavam por sua liberdade.
Essa revolta foi realizada por escravos nagôs e haussás, sendo que a maioria dos rebelados eram muçulmanos (conhecidos como malês). O movimento durou algumas horas, com os escravizados sendo derrotados e punidos posteriormente. Essa foi a maior revolta de escravos que ocorreu na história brasileira.
Leia também: Jacobinos negros e a Independência do Haiti
Resumo sobre a Revolta dos Malês
- A Revolta dos Malês foi uma revolta de escravizados que ocorreu em Salvador, em 1835.
- Mobilizou cerca de 600 escravizados, sendo a maior revolta de escravizados da história brasileira.
- Os escravos rebelados eram de origem nagô e haussá.
- A maioria deles eram muçulmanos, sendo conhecidos na época como malês.
- O movimento durou algumas horas, com os escravizados sendo derrotados e punidos severamente.
Videoaula sobre a Revolta das Malês
O que foi a Revolta dos Malês?
A Revolta dos Malês foi uma grande revolta de escravos que aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia, no dia 25 de janeiro de 1835. Esse movimento foi a maior revolta de escravizados que aconteceu no Brasil, sendo uma revolta composta por escravizados de origem nagô e haussá, em grande parte.
Nessa revolta, os escravizados iniciaram uma marcha pelas ruas de Salvador, lutando contra as forças policiais em diferentes partes da capital baiana. Os escravizados que se rebelaram buscavam conquistar a sua liberdade, tomando o controle da cidade. Algumas pesquisas apontam que havia planos dos escravizados de punirem a população branca de Salvador.
Os escravizados que se rebelaram na Revolta dos Malês eram em sua grande parte muçulmanos. Os escravizados nagôs referiam-se aos muçulmanos como malês. A revolta mobilizou cerca de 600 escravizados, sendo controlada pelas forças policiais de Salvador após algumas horas.
Contexto histórico da Revolta dos Malês
No século XIX, a província da Bahia era um dos locais que possuíam o maior número de escravizados no Brasil. A intensificação do tráfico negreiro no Brasil fez com que um grande número de africanos fosse enviado para a Bahia, e a maioria deles eram nagôs (iorubás), havendo também um expressivo número de haussás.
A grande concentração de africanos escravizados em Salvador e o fato de que a maioria deles possuía a mesma origem facilitavam que rebeliões de escravos acontecessem naquela província. Além disso, havia o fato de que nagôs e haussás eram povos que tinham um grande histórico recente de guerras, sendo os dois povos acostumados com o combate.
Tudo isso contribuiu para tornar a Bahia um foco de rebeliões de escravizados. Só na primeira metade do século XIX cerca de trinta revoltas de escravos ocorreram na província. Houve revoltas de escravizados em diferentes anos, como 1807, 1809, 1814, 1826, etc. A insatisfação com a escravidão motivou essas revoltas, e a Revolta dos Malês foi mais uma delas.
Leia também: A escravidão no Brasil poderia ter sido abolida antes de 1888?
O que motivou a Revolta dos Malês?
A Revolta dos Malês foi um movimento realizado integralmente por africanos escravizados, sendo motivado diretamente pela insatisfação dos africanos com a escravização. Os historiadores apontam que cerca de 40% da população de Salvador na época era formada pelos escravos e revoltas como a dos Malês era um meio pelo qual os escravizados manifestavam seu desejo por liberdade.
A questão religiosa também foi importante como um motivador para que a revolta acontecesse. Como apontado, grande parte dos escravos que se rebelaram era adepta do islamismo e sua religião acabou dando a essa revolta um caráter de “guerra santa”. A importância da religião para os escravizados rebelados se manifesta pelo fato de que muitos deles usaram amuletos com passagens do Alcorão como forma de conquistar proteção.
Quais os objetivos da Revolta dos Malês?
Os escravizados que se rebelaram durante a Revolta dos Malês tinham como grande objetivos:
- conquistar sua liberdade e combater a escravidão em Salvador;
- conquistar a cidade de Salvador, passando a governá-la;
- impor a religião islâmica em Salvador;
- reprimir a população branca da cidade de Salvador.
Como foi a Revolta dos Malês?
Os escravizados que se rebelaram na Revolta dos Malês se levantaram na madrugada de 25 de janeiro de 1835. A rebelião contou com um grande número de escravizados urbanos, que aproveitavam de sua maior liberdade — em relação aos escravizados da lavoura — para estabelecer um planejamento de revolta.
O planejamento deles acabou sendo atropelado porque a revolta tinha sido denunciada e alguns escravizados decidiram se rebelar de maneira repentina antes que não fosse mais possível. O planejamento foi elaborado a partir de diversas reuniões, que aconteceram em diferentes partes de Salvador.
Quando a revolta se iniciou, grande parte dos escravizados usava um abadá branco, uma roupa comum aos muçulmanos, além de portar um amuleto com trechos do Alcorão escritos em árabe, como forma de protegê-los e garantir que não fossem derrotados. As batalhas se espalharam pelas ruas da capital baiana.
Houve confrontos durante cerca de quatro horas, e a última batalha aconteceu em um local chamado Água de Meninos. Os escravizados foram derrotados, e estima-se que cerca de 70 africanos que se rebelaram faleceram.
Por que a Revolta dos Malês tem esse nome?
O nome da revolta faz menção ao fato de os africanos escravizados que se rebelaram serem, em grande maioria, muçulmanos. Os nagôs falavam iorubá e, em seu idioma, o termo usado para se referir a muçulmano era malê. Portanto, os “malês” presentes no nome da revolta se referem a isso. Além disso, na época era comum que os africanos escravizados fossem popularmente chamados de malês.
Desfecho da Revolta dos Malês
A Revolta do Malês foi rapidamente controlada pelas forças policiais de Salvador. Isso aconteceu porque a revolta foi denunciada para as autoridades locais, permitindo que as rondas da cidade fossem reforçadas no momento em que a revolta se iniciou. Isso reduziu o impacto do elemento surpresa da revolta, fazendo com que ela fosse colocada sobre controle poucas horas depois de ser iniciada.
Quais as consequências da Revolta dos Malês?
A rebelião dos africanos escravizados gerou uma grande repressão por parte das autoridades locais. Houve diversos tipos de punição, incluindo prisão simples, prisão com trabalho forçado, açoite, execução e deportação para a África. Alguns dos envolvidos foram punidos com 1200 açoites e quatro envolvidos foram condenados à morte.
A repressão também alcançou a população de libertos, pois causou desconfiança e temor de que uma nova revolta acontecesse em Salvador. Com isso, estima-se que cerca de 20% da população de libertos da cidade tenha sido forçada a retornar para o continente africano. Essa deportação forçada foi um forte indício do haitianismo, o temor da população branca no Brasil de que uma grande revolta de escravos, semelhante com a que ocorreu no Haiti, acontecesse também no Brasil.
Leia também: O medo do escravocrata e a Revolta dos Malês de 1835
Exercícios sobre a Revolta dos Malês
Questão 01
A Revolta dos Malês foi um acontecimento que se passou em qual período da história brasileira?
a) Período Joanino
b) Primeiro Reinado
c) Período Regencial
d) Segundo Reinado
e) República da Espada
Resposta: Letra C.
A Revolta dos Malês ocorreu em 1835, sendo cronologicamente um acontecimento que se passou no Período Regencial, fase da história brasileira que se estendeu de 1835 a 1840.
Questão 02
Os escravizados que se rebelaram na Revolta dos Malês eram, em sua grande maioria:
a) nagôs.
b) haussás.
c) jejes.
d) mandinga.
e) ashantis.
Resposta: Letra A.
Os historiadores apontam que a Revolta dos Malês foi composta, em grande parte, por escravizados nagôs.
Fontes
BRITO, Luciana. Retornados Africanos. In.: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (orgs.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
REIS, João José. A Revolta dos Malês em 1835. Disponível em: http://educacao3.salvador.ba.gov.br/adm/wp-content/uploads/2015/05/a-revolta-dos-males.pdf
REIS, João José. Revoltas Escravas. In.: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (orgs.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.