Ísis

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Ísis foi uma divindade egípcia, reconhecida como a mais importante da religiosidade desse povo. Esteve presente também nas crenças de gregos e romanos.
Ilustração hieroglífica da deusa Ísis
O trono no alto da cabeça de Ísis era uma referência a Osíris, seu marido.

Ísis foi uma importante deusa da religiosidade do Egito Antigo, reconhecida como uma das mais importantes. Era a mãe de todos os faraós e a responsável, junto de seu marido, por ter ensinado à humanidade os conhecimentos básicos da medicina e da agricultura.

Casada com Osíris, foi protagonista de um dos mitos mais importantes da mitologia egípcia: o assassinato de Osíris por seu irmão Set. O culto a Ísis se espalhou por todo o Egito e alcançou Grécia e Roma, convertendo-se em uma importante divindade também para esses povos da Antiguidade.

Leia mais: História dos faraós — períodos dos reinados e principais feitos

Resumo sobre Ísis

  • Ísis era conhecida pelos egípcios como Eset.

  • Era esposa de Osíris, e juntos governaram a Terra em um período de paz e prosperidade.

  • Resgatou e ressuscitou Osíris depois de ter sido assassinado por Set.

  • Era considerada a mãe de todos os faraós.

  • Seu culto era muito forte no Egito e alcançou também Grécia e Roma.

Quem foi a deusa Ísis

Ísis era uma divindade da religiosidade egípcia, mas não somente, sendo uma figura importante também na religiosidade de gregos e romanos na Antiguidade. Era a mais importante divindade egípcia e tida como a mãe de todos os faraós.

Acredita-se que Ísis tenha surgido em algum momento do Império Antigo (2686 a.C. a 2181 a.C.), mas o culto a ela se popularizou, ao ponto de ser o mais importante do Egito, só no primeiro milênio a.C. Os egípcios a associavam com a cheia anual que acontecia no rio Nilo e garantia a fertilidade do solo.

Era tida como uma deusa protetora, que se doava pelo bem das pessoas, e também associada com a manutenção da vida após a morte plena e feliz. Além disso, tinha uma forte relação com o trono egípcio e com o poder dos faraós. Era representada com um adorno na cabeça em forma de um trono, uma referência a Osíris.

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Era conhecida como Eset (“assento”, em tradução livre), e o nome pelo qual a conhecemos atualmente era a forma como os gregos a chamavam. Ela também recebeu epítetos, usados para definir algumas de suas qualidades, segundo a crença egípcia. Um deles era Mut-Netjer, a mãe dos deuses.

Ela fazia parte da Tríade de Abidos, um grupo de três deuses bastante venerados no Egito: Ísis, Osíris e Hórus. Os egípcios acreditavam que Ísis e Osíris tinham ensinado os conhecimentos da agricultura e da medicina para a humanidade. Além disso, ela era considerada a responsável por instituir o casamento ao casar-se com Osíris.

Também era reconhecida como uma deusa protetora dos comerciantes e dos marinheiros, e era bastante comum que pessoas dos dois ofícios possuíssem amuletos em referência a ela. Esses objetos serviam para quem precisasse da sua proteção.

Por fim, Ísis fazia parte da Enéade de Heliópolis, isto é, um conjunto de nove deuses egípcios que descendiam de Atum ou de Rá. Era filha de Geb, deus da Terra, e Nut, deusa do céu, e era irmã de Osíris (também seu marido), Set, Néftis e Hórus (uma variação do mito a apresenta como mãe desse deus).

Casamento de Ísis com Osíris

Uma das menções mais importantes a Ísis é sobre seu casamento com Osíris e sua jornada para recuperar o corpo de seu marido, assassinado por Set, irmão de ambos.

Osíris e Ísis eram casados, e juntos foram os primeiros governantes da Terra. Eles ensinaram os homens a como cultivar a terra, e o planeta viveu anos de muita paz e prosperidade, pois o governo do casal era justo e próspero. Set sentia inveja de todo o poder e respeito que o irmão recebia, e essa inveja se transformou em ódio mortal quando Osíris deitou-se com Néftis por engano. Néftis era a esposa de Set.

Set então planejou uma armadilha para aprisionar Osíris e se livrar dele. Após aprisioná-lo, Set lançou seu corpo no rio Nilo, mas outra versão fala que ele o assassinou. O desaparecimento de Osíris fez Ísis iniciar uma busca por ele, encontrando-o em Biblos, na Fenícia.

Ela levou o corpo de Osíris novamente para o Egito, mas Set descobriu e dilacerou seu irmão em diversas partes, espalhando-as pelo Egito. Ísis encontrou todas, com exceção do pênis, em seguida, realizou um ritual para ressuscitá-lo, e logo após recebeu a semente de Osíris, engravidando do filho deles, o deus Hórus.

Leia mais: Fenícios — povo que ficou conhecido na Antiguidade por ter exímios comerciantes e navegadores

Culto a Ísis

Ísis era uma das divindades mais cultuadas da religiosidade egípcia, e, em determinado ponto da história desse povo, a veneração era tamanha que todos os deuses eram relacionados a ela de alguma forma. Seu culto era praticado por todo o Egito, e o local que o centralizava era um santuário em Behbeit el-Hagar.

O culto a Ísis aceitava sacerdotes e sacerdotisas, que atuavam na manutenção do templo. No interior dos templos dedicados a ela, havia um santuário que só podia ser frequentado por um sacerdote. Seu rito era cheio de segredos, uma vez que os iniciados eram encorajados a manter ocultos os detalhes da adoração a essa deusa.

A prática penetrou a cultura grega, por volta do século IV a.C., com o domínio de Alexandre, o Grande sobre o Egito. Assim Ísis foi associada diretamente com Deméter, deusa da agricultura para os gregos, até porque os rituais realizados para ela tinham o caráter secreto assim como os Mistérios de Elêusis, principal festival realizado para Deméter.

Por volta do século I a.C., o culto a Ísis também foi assimilado pela religiosidade romana, tornando-se muito tradicional. No entanto, o crescimento do cristianismo contribuiu para o enfraquecimento dele, e locais que ainda cultuavam essa deusa no Egito foram fechados definitivamente no século VI d.C.

Por Daniel Neves Silva

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