Plano Real
No ano de 1994, o Plano Real foi lançado como um programa econômico que objetivava conter a hiperinflação da moeda brasileira.
Por Paloma Guitarrara
O Plano Real foi um programa econômico implementado entre 1993 e 1994, durante o governo de Itamar Franco, sob a coordenação do então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de conter a hiperinflação que assolava o Brasil. Baseado em uma proposta desenvolvida pelos economistas André Lara Resende e Pérsio Arida, o plano foi executado em três fases e conseguiu controlar a hiperinflação logo em seu princípio, embora tenha produzido consequências econômicas e sociais de longa duração.
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Resumo sobre o Plano Real
- Desde a década de 1970, o Brasil enfrentava uma crise econômica decorrente do fim do Milagre Econômico Brasileiro.
- Durante a década de 1980, diversos planos de contenção da hiperinflação foram aplicados, mas nenhum alcançou seu objetivo.
- Em 1990, por meio do Plano Collor, o presidente da República, Fernando Collor de Mello, agravou ainda mais a situação econômica do Estado e gerou uma crise política.
- Após o impeachment de Collor, o vice-presidente da República, Itamar Franco, assumiu a gestão presidencial e nomeou o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, para coordenar o Plano Real.
- O Plano Real era um programa econômico baseado na proposta desenvolvida pelos economistas André Lara Resende e Pérsio Arida no início da década de 1980.
- Diversos economistas participaram do Plano Real, que foi executado em três fases entre 1993 e 1994.
- O objetivo do Plano Real foi atingido ao conter a hiperinflação logo em seu princípio, mas trouxe consequências econômicas e sociais de longa duração.
- O Plano Real impulsionou positivamente a imagem política de FHC, que se tornou presidente da República entre 1995 e 2002.
O que foi o Plano Real?
No início da década de 1990, o Estado brasileiro ainda enfrentava a crise econômica iniciada na década de 1970 como decorrência da queda do Milagre Econômico Brasileiro. Na década de 1980, na tentativa de conte a crise, o governo federal lançou o Plano Cruzado (1986), o Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989), todos malsucedidos.
O presidente da República eleito em 1989, Fernando Collor de Mello, agravou ainda mais a situação ao implementar o Plano Collor em 1990, que consistia em um programa neoliberal baseado em privatizações, abertura de capital estrangeiro e bloqueio de aproximadamente 80% dos recursos de poupanças que ultrapassavam o valor de 50 mil cruzados novos. Essa última medida se tornou o principal fator de protesto popular, levando o presidente Fernando Collor a ser afastado da presidência por impeachment.
Com isso, o então vice-presidente da República, Itamar Franco, assumiu o governo brasileiro (1992-1995) diante de uma crise tanto econômica quanto política: em junho de 1994, a inflação da moeda chegava a 47,43% por mês, atingindo um acúmulo de mais de 11 trilhões de por cento desde o ano de 1980.
Diante da ocasião, o governo lançou o Plano Real. Idealizado pelos economistas André Lara Resende e Pérsio Arida durante a década de 1980, o plano foi desenvolvido por uma equipe de especialistas sob a coordenação do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Como consequência, o governo aplicou o real como moeda oficial do Brasil, que controlou a hiperinflação e passou a ser o dinheiro utilizado no país até os dias de hoje.
Criadores do Plano Real
O Plano Real foi concebido por diversos economistas de grande relevância no governo federal. Sua estratégia se desenvolveu a partir da “Proposta Larida”, idealizada por André Pinheiro de Lara Resende e Pérsio Arida no início da década de 1980.
Entre os principais coautores do Plano Real, incluem-se Pedro Sampaio Malan, Edmar Lisboa Bacha, Gustavo Henrique Franco, Armínio Fraga e Francisco de Pádua Lopes. O Plano Real foi coordenado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que na ocasião ocupava o cargo de ministro da Fazenda do governo Itamar Franco.
Fases do Plano Real
O Plano Real, desenvolvido em três fases, começou a ser projetado em meados de 1993 por meio da cooperação entre o Ministério da Fazenda, o Banco Central e a Casa da Moeda. Observe, a seguir, as principais características de cada uma dessas fases:
- Primeira fase (junho de 1993): A primeira fase, essencial para a aplicação das fases seguintes, centrava-se no ajuste da política fiscal. Esse ajuste, consolidado inicialmente pelo Programa de Ação Imediata (PAI) e seguido no ano seguinte pelo Fundo Social de Emergência (FSE), desvinculava 20% das receitas da União e aumentava a flexibilidade da gestão orçamentária para o corte de despesas, prevendo a arrecadação tributária para os anos de 1994 e 1995.
- Segunda fase (março de 1994): A segunda fase consistia na introdução e apresentação do padrão monetário URV, ou Unidade Real de Valor, para converter o valor do cruzeiro real. No início da fase, a primeira cotação da URV foi de CR$ 647,50. Com as devidas correções monetárias realizadas em um período de quatro meses, estabeleceu-se que, a partir de 1º de junho, a cotação de 2.750 cruzeiros reais passaria a equivaler a uma URV, ou seja, CR$ 2.750,00 equivaleriam a R$ 1,00 da nova moeda.
- Terceira fase (julho de 1994): Na terceira e última fase, iniciou-se a circulação do real como nova moeda nacional. A “âncora cambial” utilizada como referência para o real foi o dólar norte-americano (ou seja, R$ 1,00 = US$ 1,00).
Quando começou o Plano Real?
O Plano Real foi elaborado a partir de junho de 1993 por meio do Programa de Ação Imediata e foi lançado e apresentado ao público em dezembro do mesmo ano. Resultante da conclusão do projeto, o governo aplicou o real como moeda oficial do Estado em 1º de julho de 1994.
O que aconteceu após o Plano Real?
Entre as consequências imediatas do Plano Real, incluem-se o fim da hiperinflação, o término de práticas como a remarcação constante de preços e a troca frequente da moeda nacional. Nos diversos setores da sociedade brasileira, tais consequências incluíam a queda no índice de pobreza extrema, a possibilidade de maior planejamento financeiro familiar e empresarial e o aumento da credibilidade do Estado quanto a investimentos estrangeiros.
No entanto, o Plano Real também trouxe consequências mais profundas. A mais perceptível delas foi a abertura comercial de produtos importados, provenientes da âncora cambial baseada no dólar, que se manteve relativamente estável até o ano de 1999.
No final de 1994, o dólar norte-americano chegou a valer 82 centavos de reais, o que tornava produtos importados mais acessíveis que os produzidos em território nacional. No entanto, esse incentivo ocasionou um intenso processo de desindustrialização, que gerou uma alta taxa de desempregos por todo o país. Além disso, apesar de a inflação ter diminuído exponencialmente no Brasil, os juros de dívidas públicas se mantiveram em alta para estabilizar o câmbio e atrair capital estrangeiro.
O Plano Real também trouxe consequências no âmbito político. Seus primeiros resultados positivos impulsionaram uma imagem favorável a Fernando Henrique Cardoso, que exerceu o cargo de presidente da República entre 1995 e 2002.
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Exercícios sobre Plano Real
1. (PUC) O Plano Real, implementado no Brasil em 1994, durante a presidência de Itamar Franco, foi uma(um):
a) ação governamental que apostou no chamado bem-estar social, amparado pela proteção do trabalhador e de seus direitos previdenciários, intensificando a geração de novos empregos.
b) medida que atentou para a realidade de desigualdade social no país, impulsionando um inovador programa de reforma agrária que alterou a realidade fundiária brasileira.
c) política que teve como objetivo controlar a inflação a partir do confisco das poupanças das camadas enriquecidas da população, gerando uma violenta crise política e social no país.
d) plano econômico que teve como foco principal uma aposta na intervenção estatal, a partir do controle dos preços das mercadorias que compunham a cesta básica dos brasileiros.
e) plano econômico que proporcionou o aumento do poder de compra da população, a partir do controle inflacionário, do incentivo às importações e da livre concorrência, e que criou uma nova moeda.
Resposta: e). Os principais objetivos do Plano Real previam estabilizar a hiperinflação, diminuir os índices de pobreza extrema e lançar uma moeda brasileira cuja âncora cambial favorecesse as importações e estimulasse a concorrência de mercado.
2. (IBPTEC) “O Plano Real foi criado pelo presidente Itamar Franco, em 1993, com o objetivo de acabar os altos índices de inflação, que neste ano havia alcançado o seu maior limite, acima de 2.000% em apenas 12 meses. A inflação é um termo econômico usado para indicar o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços. Contudo, antes da implementação do Plano Real houve outras quatro tentativas frustradas de estabilização da economia por meio de planos econômicos.”
(Disponível: www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/planoreal. Texto adaptado)
Assinale a alternativa que contempla quais foram esses planos.
a) Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão e Plano Collor.
b) Plano Cruzeiro, Plano Bresser, Plano Verão e Plano Collor.
c) Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano URV e Plano Collor
d) Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Collor e Plano Cruzeiro Real.
e) Plano Cruzeiro, Plano Bresser, Plano Cruzado e Plano Collor.
Resposta: a). Os referentes nomes de planos da alternativa correta condizem com as tentativas de estabilização inflacionária praticadas na década de 1980. Além disso, o Plano Cruzeiro e o Plano Cruzeiro Real não objetivavam a estabilização econômica, bem como o mencionado Plano URV, que condizia exclusivamente à consolidação do Plano Real.
Créditos da imagem
[1] Agência Brasil / Wikimedia Commons
[3] Agência Brasil / Wikimedia Commons
Fontes
ALMEIDA, Cássia; SETTI, Rennan. Real, 25 anos: Estabilidade da moeda permitiu avanços sociais no Brasil, 2019. O Globo Economia. Disponível em https://oglobo.globo.com/economia/real-25-anos-estabilidade-da-moeda-permitiu-avancos-sociais-no-brasil-23774279.
ATLAS HISTÓRICO DO BRASIL. Plano Real, 2023. FGV CPDOC. Disponível EM https://atlas.fgv.br/verbete/6303.
BRESSER-PEREIRA, Luiz C. A economia e a política do Plano Real. Revista de Economia Política. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, v.14, n.4, p.643-669, 1994.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Plano Real, s.d. Disponível em https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/planoreal.
RIGOLON, Francisco J. Z.; GIANBIAGI, Fabio. A economia brasileira: panorama geral. BNDES: Rio de Janeiro, 1999. Disponível em https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/17180/1/PRFol213237_A%20Economia%20Brasileira_Panorama%20Geral_compl_P_BD.pdf#2.