Estados Unidos no século XIX

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Representação das diligências que levaram milhares de cidadãos americanos para o oeste do país no século XIX
Representação das diligências que levaram milhares de cidadãos americanos para o oeste do país no século XIX

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Por Daniel Neves Silva

Logo após garantir sua independência, os Estados Unidos trataram de consolidar suas instituições políticas e formar um sentimento de patriotismo em todos os cidadãos. Ao longo do século XIX, esse país passou por diferentes eventos que levaram ao crescimento e desenvolvimento do seu território. O grande destaque desse período foi o crescimento territorial experimentado com a conhecida “marcha para o oeste”.

Marcha para o oeste

Durante todo o século XIX, os Estados Unidos passaram por um processo de expansão territorial que fez com que a nação surgida a partir de uma pequena faixa de terra no leste da América do Norte – conhecida como treze colônias – ocupasse de maneira intensa e agressiva as regiões das planícies centrais e alcançasse a costa oeste banhada pelo Oceano Pacífico.

Essa expansão territorial ficou conhecida como “marcha para o oeste” e foi iniciada assim que as treze colônias conquistaram sua independência da Inglaterra ainda no século XVIII. Nessa ocasião, após a assinatura do Tratado de Paris, em 1783, os colonos americanos receberam da Inglaterra uma extensa faixa de terra a oeste, que ia dos Montes Apalaches até o Rio Mississipi.

Essa extensa faixa de terra havia sido conquistada pela Inglaterra dos franceses com a Guerra dos Sete Anos, e sua ocupação era desejada pelos colonos americanos havia tempos. A proibição metropolitana de colonizar essa região, inclusive, foi um dos fatores que agravaram as relações entre colonos e ingleses. Depois da independência, toda essa região passou a ser ocupada pelos americanos, e os nativos que lá viviam foram obrigados a mudar-se.

A expansão dos americanos para o oeste ocorreu de duas formas: primeiramente, pela diplomacia e pela compra de territórios; em segundo, pela guerra. Ao longo do século XIX, os Estados Unidos compraram vastos territórios de outras nações europeias, assim, especificamente, a Luisiana foi comprada dos franceses em 1803, a Flórida foi comprada dos espanhóis em 1819 e o Alasca foi adquirido da Rússia em 1867.

Os franceses viram-se obrigados a vender a Luisiana para os americanos por causa da necessidade de recursos para a continuidade das guerras napoleônicas no começo do XIX. Os espanhóis, por causa de toda a turbulência do período napoleônico, tiveram suas posições na Flórida enfraquecidas e, para evitar uma guerra, venderam essa região. Por fim, os russos venderam o Alasca em razão do risco que havia dessa região ser invadida pelos britânicos e das dificuldades financeiras que enfrentavam na época.

A ocupação dos territórios a oeste pelos americanos foi impulsionada por uma ideologia desenvolvida na época conhecida como Destino Manifesto. Essa ideologia surgiu oficialmente a partir de um artigo escrito por um jornalista no ano de 1845 e, basicamente, defendia a ideia de que a posse do oeste pelos americanos fazia parte da providência divina. Com essa ideia de predestinação divina, os americanos justificavam todas as violências cometidas no percurso da conquista desses territórios.

Além disso, durante essa expansão territorial, o governo americano incentivou os cidadãos a mudarem e instalarem-se no oeste a partir da Lei de Povoamento (Homestead Act). Essa lei, decretada em 1862, vendia lotes de terra no oeste a preços irrisórios para cidadãos interessados, desde que se comprometessem a morar naquela terra por cinco anos.

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Os grandes perdedores da marcha para o oeste americana foram os indígenas. Habitantes originais das terras ocupadas pelos americanos, esses povos sofreram diferentes tipos de violência durante o século XIX e foram, repetidas vezes, obrigados a abandonar suas terras para dar espaço para o homem branco. Além disso, o estilo de vida de muitas nações indígenas foi destruído em consequência da diminuição dos territórios indígenas e da quase extinção do bisão.

Guerra Mexicano-Americana

Não somente pela diplomacia deu-se a expansão dos americanos durante o século XIX, mas também pela guerra. A rivalidade com o México surgiu com a ocupação do Texas por colonos americanos, ainda na década de 1820. Até então, as autoridades mexicanas haviam permitido a instalação e colonização dessa região por esses colonos.

Tempos depois, atritos de interesses emergiram entre colonos americanos e as autoridades mexicanas. Isso motivou uma revolta desses colonos que desembocou na “Revolução do Texas” e resultou na independência do Texas do México e na sua anexação aos Estados Unidos em 1836. Esse evento levou o México a cortar relações com os Estados Unidos.

Uma década depois, as ambições dos Estados Unidos por novos territórios mexicanos (que correspondiam aos das montanhas Rochosas até o Pacífico) levaram essas duas nações à guerra. A Guerra Mexicano-Americana teve início em 1846 e foi finalizada em 1848, após a assinatura do Tratado Guadalupe-Hidalgo, no qual o México – derrotado – cedeu grande parte de seu território, e o Rio Grande foi estabelecido como nova fronteira entre os dois países.

Guerra de Secessão

Durante o século XIX, uma grande tensão existia entre os estados sulistas e os estados nortistas por causa da relação envolvendo o uso de escravos de origem africana nos territórios recém-conquistados. Os nortistas defendiam a manutenção do trabalho escravo única e exclusivamente nos estados sulistas, sem sua expansão para os novos territórios. Já os sulistas defendiam a expansão do escravismo também para essas terras.

Essa discussão provocou pequenos embates entre milícias dos dois grupos em determinados locais, como no Kansas durante a década de 1850. Com as eleições presidenciais e a vitória de Abraham Lincoln, a rivalidade transformou-se em guerra. Os sulistas, inconformados com a vitória de Lincoln, declararam a secessão, ou seja, separaram-se da União e formaram os Estados Confederados da América.

A separação dos sulistas deu início ao conflito em 1861, quando a União respondeu a um ataque sulista enviando cerca de 80 mil soldados. A conhecida Guerra de Secessão – também chamada de Guerra Civil Americana – estendeu-se até 1865 e foi finalizada com a derrota do Sul e um saldo de 600 mil mortos.

Os estados sulistas que haviam declarado a secessão foram reintegrados à União e, como consequência de sua derrota, foram obrigados a aceitar a abolição da escravidão em todo o território americano a partir da 13ª Emenda Constitucional. Após essa guerra, esses estados passaram por uma grande reconstrução por causa de toda a destruição causada pela guerra.

 

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