Causas da Revolução Francesa

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Em 14 de julho de 1789, a população parisiense rebelada atacou a Bastilha, antiga prisão e símbolo do absolutismo francês.
Em 14 de julho de 1789, a população parisiense rebelada atacou a Bastilha, antiga prisão e símbolo do absolutismo francês.

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Por Daniel Neves Silva

A Revolução Francesa, como o próprio nome sugere, foi um ciclo revolucionário que aconteceu na França entre 1789 e 1799. Conhecida por ser uma das principais revoluções da história da humanidade, a Revolução Francesa teve inspiração nos ideais iluministas e iniciou um processo de transformações profundas que resultou na queda do absolutismo na França e no restante da Europa também.

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França antes da Revolução

Historiadores, como Eric Hobsbawm, sugerem que a Revolução Francesa fez parte de um processo de revoluções democráticas que se espalharam pelo mundo no final do século XVIII. Mas, ainda assim, é importante nos atentarmos para as particularidades da situação francesa, pois, a partir delas,  podemos entender o que motivou o início da Revolução Francesa, em 1789|1|.

Na década de 1780, a França era uma monarquia absolutista – uma das mais poderosas da Europa – e era governada por Luís XVI, neto de Luís XIV, o maior rei absolutista da França. O poder de Luís XVI era absoluto, e a sociedade francesa era extremamente estratificada em grupos sociais, conhecidos como “estados”:

• Primeiro Estado: representado pelo clero.

• Segundo Estado: representado pela nobreza.

• Terceiro Estado: representado pelo restante da população, que não se encaixava nos grupos acima.

Essa divisão social na França era marcada por grande desigualdade social, uma vez que nobreza e clero gozavam de inúmeros privilégios, os quais garantiam a eles uma vida extremamente confortável e luxuosa. Dentre os privilégios, podemos destacar as isenções de impostos, que as duas classes tinham, e, no caso da nobreza, eles podiam até mesmo cobrar impostos feudais sobre suas terras. A desigualdade foi um dos motivos que motivaram a Revolução Francesa.

No final do século XVIII, a França era governada pelo rei Luís XVI.
No final do século XVIII, a França era governada pelo rei Luís XVI.

Esse quadro de desigualdade que existia na França foi agravado com a crise econômica que se instalou na França durante a segunda metade do século XVIII. Essa crise econômica foi em parte resultado dos altos gastos do rei com os luxos da corte francesa, mas, principalmente, pelo envolvimento da França em dois conflitos: a Guerra dos Sete Anos e a Revolução Americana.

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Essa crise econômica afetou, até mesmo, a nobreza francesa, que, ao se perceber em uma posição econômica ruim, começou a ampliar a sua exploração sobre o povo francês. Eric Hobsbawm apresenta dois exemplos desse maior abuso: 1º) a nobreza francesa começou a ocupar cargos públicos, que anteriormente eram dedicados a pessoas da “classe média” francesa; 2º) aumentou os impostos feudais que cobravam dos camponeses|2|.

Com isso, podemos perceber que, com a crise econômica instalada na França, a nobreza afetava a classe média, já que tomava os empregos que poderiam ser ocupados por essa classe e prejudicava também os camponeses, pois aumentava a exploração sob uma parcela extremamente numerosa da população francesa e que vivia em uma situação de grande pobreza.

A crise econômica foi o segundo fator que motivou a Revolução Francesa, uma vez que, como podemos perceber, ela intensificou a exploração sobre os camponeses e dificultou a vida da classe média. A situação dos camponeses piorou mais ainda com os impactos da crise econômica, que, naturalmente, motivou um aumento da inflação e um encarecimento do custo de vida.

Esse aumento no custo de vida passou a ser um problema gravíssimo quando afetou os alimentos. Em 1788 e 1789, a França teve colheitas ruins, resultado direto de um inverno extremamente rigoroso que atingiu o país nesse período. Com colheitas ruins, o preço do alimento aumentou, e muitos camponeses não tinham condições de comprá-los. Resultado: a fome aumentou.

Ainda sobre a crise da economia, é importante falar que ela foi motivada pelos gastos excessivos do governo francês. Eric Hobsbawm afirma que a França gastava 20% a mais do que arrecadava naquele período|3|. Para piorar, tentativas de reforma do sistema financeiro e fiscal da França foram sugeridas, mas não conseguiram prosperar, porque nobreza e clero não estavam dispostos a abrir mão de seus privilégios.

A saída encontrada, para debater possibilidades a fim de contornar a crise na França, foi convocar a Assembleia dos Estados Gerais.

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Crise dos Estados Gerais

Os Estados Gerais era uma assembleia convocada em períodos emergenciais que teve origens na Idade Média. A última vez que uma reunião do tipo havia acontecido na França tinha sido no ano de 1614. A estratégia da nobreza e clero com essa assembleia era a de tomar uma medida que não prejudicasse os seus interesses.

A Assembleia dos Estados Gerais funcionava da seguinte maneira: ela era composta por mais de 1000 deputados, que representavam proporcionalmente cada um dos Estados que existiam na França. As decisões tomadas aconteciam por meio do voto por Estado, isto é, cada Estado tinha direito a um voto, somando no total a quantidade de três votos.

Durante a Assembleia dos Estados Gerais, o Terceiro Estado estava insatisfeito com o sistema e propôs sua alteração. Os representantes do Terceiro Estado propuseram que o voto deveria ser individual, e isso era extremamente interessante para eles, pois aumentavam as possibilidades de que obtivessem uma decisão que lhes favorecesse nos Estados Gerais.

Diante dessa situação, o rei francês tentou dissolver a Assembleia dos Estados Gerais. Os representantes do Terceiro Estado não aceitaram a situação, rebelaram-se e fundaram a Assembleia Nacional Constituinte com o objetivo de redigir uma Constituição para transformar a França em uma monarquia constitucional.

Coincidentemente, a atuação do Terceiro Estado aconteceu em um momento de grande sublevação popular, por conta da forte crise que afetava a França e prejudicava as populações pobres de Paris. Assim, quando a Assembleia dos Estados Gerais acontecia, Paris estava em iminência de levante popular, e o povo de Paris apoiava totalmente as ações do Terceiro Estado.

O rei tentou fechar a Assembleia Nacional Constituinte, e a reação popular foi tomar as ruas de Paris e defender a instituição que havia sido criada pelo Terceiro Estado. Logo, os representantes do Terceiro Estado criaram a Comuna, um governo provisório de Paris, e ordenaram a criação da Guarda Nacional, uma milícia composta pelo povo.

Queda da Bastilha

A população parisiense foi às ruas da cidade no dia 12 de julho de 1789. A agitação popular permaneceu e, no dia 14 de julho, a população seguiu com o seu levante, atacando primeiro o Arsenal dos Inválidos e depois promovendo a queda da Bastilha. A Bastilha era uma antiga fortaleza que havia sido transformada em prisão para os opositores políticos dos reis franceses.

Na ocasião do ataque, a Bastilha estava praticamente vazia e só possuía sete prisioneiros. A população de Paris que tinha se rebelado queria tomar a pólvora que estava armazenada na Bastilha, que era o símbolo da opressão do Antigo Regime, isto é, do absolutismo francês.

Com a notícia da queda da Bastilha, a revolução espalhou-se por toda a França, precipitando transformações no país e levando milhares de pessoas, nas cidades e no campo, a se rebelarem contra a aristocracia francesa e contra o Antigo Regime.

|1| HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 98-99.
|2| Idem, p. 103.
|3| Idem, p. 205.

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