Cativeiro da Babilônia

O Cativeiro da Babilônia foi um episódio marcante na história do povo hebreu, caracterizado pelo exílio de uma parte significativa da população judaica na Babilônia.
Pintura de Eduardo Bendemann mostrando judeus exilados no contexto do Cativeiro da Babilônia.

O Cativeiro da Babilônia foi um episódio marcante na história do povo hebreu, caracterizado pelo exílio de parte significativa da população judaica na Babilônia. Ocorrido entre 586 a.C. e 538 a.C., esse período crucial teve suas raízes no contexto histórico do século VI a.C., quando a Babilônia, sob o comando de Nabucodonosor II, emergiu como uma potência regional, ao mesmo tempo que o Reino de Judá, com Jerusalém como capital, enfrentava instabilidade política, rivalidades internas e constantes ameaças externas.

Inicialmente, ocorreu o cerco de Jerusalém, em 597 a.C., seguido pela destruição da cidade em 586 a.C. O Cativeiro terminou com o édito de Ciro, em 538 a.C. O rei persa permitiu o retorno a Judá e a reconstrução do Templo de Jerusalém, inaugurando o período pós-exílio.

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Resumo sobre o Cativeiro da Babilônia

  • O Cativeiro da Babilônia foi um evento histórico ocorrido entre 586 a.C. e 538 a.C. e caracterizado pelo exílio de parte da população judaica na Babilônia.
  • No século VI a.C., a Babilônia, sob Nabucodonosor II, emergiu como potência regional. O Reino de Judá, com Jerusalém como capital, enfrentava instabilidade política, rivalidades internas e ameaças externas.
  • Instabilidade política, ameaças externas pela expansão babilônica e a rebelião judaica contra o domínio babilônico foram causas fundamentais do Cativeiro da Babilônia, minando a estabilidade do Reino de Judá.
  • Dividido em fases, o Cativeiro incluiu o cerco de Jerusalém em 597 a.C., a destruição da cidade em 586 a.C. e a vida no exílio, onde os hebreus foram assimilados pela cultura babilônica, preservando sua identidade por meio de tradições.
  • O édito de Ciro, em 538 a.C., marcou o fim do Cativeiro, permitindo o retorno a Judá e a reconstrução do Templo de Jerusalém. Esse período pós-exílio foi crucial para o desenvolvimento do judaísmo, moldando a espiritualidade e a cultura do povo judeu.

O que foi o Cativeiro da Babilônia?

O Cativeiro da Babilônia foi o período na história do antigo povo hebreu caracterizado pelo exílio de parte da população judaica na Babilônia. Ocorreu entre os anos 586 a.C. e 538 a.C., marcando um período de aproximadamente 50 anos, e teve repercussões profundas na cultura, na religião e na identidade do povo hebreu.

Contexto histórico do Cativeiro da Babilônia

Para compreender o Cativeiro da Babilônia, é fundamental considerar o contexto histórico no qual ele se insere. No século VI a.C., a Babilônia emergiu como uma potência regional sob o governo do rei Nabucodonosor II. Nesse período, o Reino de Judá, com sua capital em Jerusalém, enfrentava desafios internos e externos. As rivalidades entre as tribos judaicas, a instabilidade política e as constantes ameaças de invasão pelos impérios vizinhos contribuíram para o enfraquecimento do Reino de Judá, o que foi bastante favorável ao Cativeiro da Babilônia.

Causas do Cativeiro da Babilônia

Diversos fatores contribuíram para o Cativeiro da Babilônia, tais como:

  • Instabilidade política em Judá: as disputas internas entre as tribos de Judá enfraqueceram a coesão do reino, tornando-o suscetível a ameaças externas. A sucessão de reis, muitas vezes marcada por conflitos e intrigas, minou a estabilidade política.
  • Ameaças externas: o expansionismo babilônico, liderado por Nabucodonosor II, visava consolidar o domínio na região e controlar rotas comerciais estratégicas. A Babilônia ameaçava constantemente os reinos vizinhos, incluindo Judá, para garantir sua hegemonia.
  • Rebelião contra o domínio babilônico: Judá, em determinado momento, rebelou-se contra o domínio babilônico, resultando em represálias por parte do rei Nabucodonosor II. A resistência judaica exacerbou as tensões e precipitou o Cativeiro.

Fases do Cativeiro da Babilônia

Submissão do rei Joaquim, do Reino de Judá, a Nabucodonosor II antes de ser levado cativo, fato que inaugurou o Cativeiro da Babilônia.

O Cativeiro da Babilônia pode ser dividido em três diferentes fases:

  • 1ª fase - O cerco de Jerusalém (597 a.C.): a Babilônia invadiu Judá e sitiou Jerusalém pela primeira vez, deportando parte da população judaica para a Babilônia. O rei Joaquim foi levado cativo, inaugurando o início do Cativeiro.
  • 2ª fase - A destruição de Jerusalém (586 a.C.): diante de uma revolta judaica, Nabucodonosor II retaliou com força total, invadindo Jerusalém e destruindo o Templo de Salomão. Grande parte da população foi deportada para a Babilônia, e o Cativeiro atingiu seu ponto mais crítico.
  • 3ª fase - A vida no exílio: durante o cativeiro, os hebreus foram assimilados pela cultura babilônica, vivendo em um ambiente estrangeiro. A comunidade judaica manteve sua identidade por meio da preservação de suas tradições religiosas e culturais.

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Fim do Cativeiro da Babilônia

Pintura A fuga dos prisioneiros, de James Tissot, representando o fim do Cativeiro da Babilônia.

O Cativeiro da Babilônia acabou de maneira gradual, com eventos marcantes que possibilitaram o retorno dos hebreus à sua terra natal.

  • Edito de Ciro (538 a.C.): o rei persa Ciro II conquistou a Babilônia e emitiu um édito permitindo que os exilados retornassem a suas terras e reconstruíssem o Templo de Jerusalém. Esse édito é registrado na Bíblia como um ato de graça divina, visto pelos hebreus como uma oportunidade de redenção.
  • Retorno a Judá e reconstrução do templo: com o édito de Ciro, um grupo significativo de hebreus retornou a Judá, iniciando a reconstrução do Templo de Jerusalém sob a liderança de Zorobabel. Esse período é conhecido como o “retorno pós-exílio” e é fundamental para a história e teologia judaicas.
  • Período pós-exílio e a formação do judaísmo pós-exílio: o retorno a Judá marcou o início de uma nova fase na história hebraica, caracterizada pelo desenvolvimento do judaísmo pós-exílio. A sinagoga tornou-se um centro de culto e estudo, e os textos sagrados foram compilados e preservados.

Crédito de imagem

[1]William Hole / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

LIVERANI, Mario. O Antigo Oriente Próximo. São Paulo: EDUSP, 2016.

REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 2007.

Por Tiago Soares Campos