Hebreus

Os hebreus foram um dos povos da Antiguidade e habitaram a região de Canaã, atualmente conhecida como Palestina. A história hebraica é marcada por três grandes períodos:

  • Patriarcas;

  • Juízes;

  • Monarquia.

Durante o domínio romano, os hebreus começaram a abandonar a região em razão da violência praticada contra eles.

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Origem dos hebreus

A história dos hebreus está relacionada com o patriarca Abraão. Esse personagem é apresentado no relato bíblico como um pastor seminômade que vivia na região de Ur, localizada na Mesopotâmia. Esse relato conta que Abraão teria recebido uma profecia para que abandonasse a região e se estabelecesse em outro lugar, que seria indicado por Deus.

Essa migração levou Abraão a Canaã, local que atualmente conhecemos como Palestina. Lá os hebreus encontraram terras férteis no Vale do Rio Jordão, embora muitos tenham se estabelecido em regiões desérticas. O seminomadismo continuou sendo uma prática comum, e essa fase iniciada por Abraão ficou conhecida como Período dos Patriarcas.

Entretanto, muitos historiadores entendem que a história de Abraão é um mito de origem. Isso porque, sustentam esses historiadores, os hebreus provavelmente surgiram no interior da sociedade cananeia.

Migração para o Egito

Depois de se estabelecerem em Canaã, os hebreus mudaram-se para o Egito. Existe divergência dos historiadores se essa migração aconteceu em pequena ou larga escala. De toda forma, acredita-se que isso pode ter acontecido por volta de 1700 a.C. A motivação dessa migração teria sido a escassez de alimentos em Canaã, enquanto no Egito havia abundância de terras férteis.

A chegada dos hebreus ao Egito teria coincidido com o período em que a região estava sob domínio dos hicsos, um povo de origem semita, como os hebreus. Isso possibilitou que os hebreus se estabelecessem no território egípcio sem problemas, chegando até a ocupar posições de proeminência na administração do Egito.

Depois da expulsão dos hicsos, os hebreus teriam sido punidos pela colaboração com os invasores. Os hebreus, escravizados pelos egípcios, conseguiram sua libertação por meio de Moisés, em aproximadamente 1300 a.C.

Retorno a Canaã

A libertação do Egito e o retorno dos hebreus para Canaã configuraram o chamado Êxodo. Os historiadores afirmam que a migração de hebreus do Egito para Canaã aconteceu, embora afirmem que a quantidade de hebreus que migrou não deve ter sido tão grande como sugere a narrativa bíblica. Então podemos dizer que a história do Êxodo realmente ocorreu, mas foi apresentada de forma mitificada na Bíblia.

De toda forma, os hebreus viveram como nômades na Península do Sinai e depois procuraram fixar-se em Canaã, mas a região já era ocupada por outros povos, como cananeus e filisteus. A narrativa bíblica fala que os hebreus teriam iniciado uma campanha militar para conquistar a terra, mas os historiadores questionam essa afirmação.

Os historiadores afirmam que a infiltração dos hebreus em Canaã foi lenta, e não existem muitos indícios que apontam uma invasão militar em larga escala. Outros historiadores apontam para o fato de que houve campanha militar, mas que ela não teria sido em larga escala e nem teria realizado a conquista plena da região. Vestígios da fundação de aldeias ao norte de Jerusalém são encarados como indícios da chegada hebraica em Canaã.

Nessa fase da história hebraica, a grande autoridade dos hebreus eram os chefes militares, conhecidos como juízes.

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Monarquia

Após se estabelecerem em Canaã, os hebreus deram início a uma fase de centralização do poder e expansão de suas fronteiras, o que resultou no surgimento da monarquia hebraica. Essa monarquia surgiu por meio de Samuel, o último juiz hebreu, que, no final do século XI a.C., decidiu coroar Saul como rei.

Jerusalém foi conquistada por volta de 1000 a.C., durante o reinado de Davi.
Jerusalém foi conquistada por volta de 1000 a.C., durante o reinado de Davi.

A motivação para isso seria a garantia da segurança das terras hebraicas, uma vez que, com o enfraquecimento de grandes reinos (Assíria e Egito), novos povos teriam surgido como potências. Esses povos, como os moabitas, procuravam expandir seus domínios e terras, colocando-se como ameaça aos hebreus.

A monarquia era a alternativa, pois uma liderança forte poderia garantir a defesa dos hebreus. A monarquia hebraica teve três grandes reis, que foram:

  • Saul (1030-1010 a.C.);

  • Davi (1010-970 a.C.);

  • Salomão (970-930 a.C.).

Obs.: As datas são aproximativas e datam o auge da monarquia hebraica.

O reinado de Saul ficou marcado por algumas conquistas militares, mas ele acabou morrendo em batalha contra os filisteus. O sucessor foi Davi, que precisou disputar o poder de Israel com Isboset, filho de Saul. Do reinado de Davi, o grande destaque é a conquista de Jebus, cidade dos jebuseus. Essa cidade tornou-se capital dos hebreus e é conhecida atualmente como Jerusalém.

Por fim, o reinado de Salomão foi um período de prosperidade econômica, destacando-se a grande obra envolvida na construção do Templo de Jerusalém, um lugar que se tornou sagrado para os hebreus.

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Diáspora

Depois do reinado de Salomão, o Reino de Israel enfraqueceu-se. A unidade territorial foi quebrada quando o reino se dividiu em dois: Reino de Judá e Reino de Israel. Esse enfraquecimento permitiu que assírios, caldeus, persas, macedônios e romanos conquistassem a região. Durante o domínio babilônico (caldeus), os hebreus foram escravizados, e o Templo de Jerusalém, destruído, no século VI a.C.

Depois que os hebreus foram libertos da escravidão na Babilônia, o templo foi reconstruído, mas foi novamente destruído, dessa vez pelos romanos em 70 d.C. O domínio romano foi, inclusive, um momento de tensão na história hebraica. As rebeliões contra os romanos foram frequentes e resultaram nas Guerras Romano-Judaicas. A violência romana levou os hebreus a fugirem de suas terras, evento que recebeu o nome de Diáspora.

A Bíblia é uma fonte histórica?

Como dito, os hebreus eram um povo da Antiguidade de caráter seminômade que se estabeleceu na região de Canaã, formando lá um reino para si. Grande parte da trajetória desse povo pode ser encontrada nos textos bíblicos do Antigo Testamento, e isso nos remete à questão se a Bíblia pode ou não ser considerada um documento histórico.

A Bíblia é uma, mas não a única, fonte histórica que existe para se estudar e investigar a história dos hebreus.
A Bíblia é uma, mas não a única, fonte histórica que existe para se estudar e investigar a história dos hebreus.

A resposta para esse questionamento é: sim, a Bíblia é uma fonte histórica. No entanto, isso não significa dizer que tudo que consta nesse livro religioso é automaticamente encarado como verdade histórica pelos historiadores. Existe todo um trabalho realizado por eles para se chegar a uma conclusão do que é verdade histórica e do que é narrativa mitificada.

É importante lembrarmos também que a Bíblia não é a única fonte histórica referente à história hebraica. Existem outras fontes, principalmente oriundas de trabalho arqueológico. De toda forma, a opinião vigente é: a Bíblia serve como fonte histórica e possui passagens que abordam eventos históricos, mas muitos são mitificados. Por isso, a abordagem e a utilização dos textos bíblicos para o estudo da História devem ser realizadas com certa cautela.

Por Daniel Neves Silva

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