A lendária prisão de Alcatraz

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A prisão de Alcatraz, durante um bom tempo, deteve famosos criminosos norte-americanos

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Por Rainer Sousa

Após o estouro da crise de 1929 – abalo econômico que atingiu em cheio os Estados Unidos – houve uma súbita elevação das atividades criminosas naquele país. Contudo, na região de São Francisco havia um pequeno “monte de terra” capaz de causar arrepios em muitos bandidos dessa época. A pequena ilha de Alcatraz, entre 1934 e 1963, foi sede de uma das prisões mais seguras do planeta. Pelo lugar passaram figuras como Robert F. Stroud, James “Whitey” Bulger e o lendário mafioso Al Capone.

Na verdade, a história de Alcatraz é bem anterior aos Estados Unidos dos anos de 1930. No século XIX, essa ilha era região pertencente ao ainda mexicano estado da Califórnia e foi cedida a Julian Workman, com a condição que o mesmo construísse um farol naquele lugar. No mesmo ano da posse, em 1846, mexicanos e estadunidenses entrariam em conflito para dar fim às disputas hegemônicas naquela região. Com a vitória norte-americana, Alcatraz passaria a fazer parte do projeto expansionista dos EUA.

Coincidentemente, a recém-conquistada Califórnia viria a ganhar uma importância bem maior do que aquela imaginada durante o conflito territorial. Nos últimos meses que marcaram esse conflito, os norte-americanos descobriram a presença de regiões ricas em ouro no espaço californiano. Com isso, vários aventureiros e investidores ocupariam rapidamente a região em busca do rápido retorno financeiro propiciado pela exploração aurífera.

Mediante a expressiva valorização econômica da região, as autoridades norte-americanas utilizaram a ilha de Alcatraz como ponto estratégico de defesa do território. Em 1853, realizou-se a construção de uma fortificação militar que abrigaria uma guarnição militar com aproximadamente 200 soldados. Décadas mais tarde, com o avanço da tecnologia bélica, o arsenal armazenado e a utilidade militar daquela região acabariam perdendo utilidade.

Para evitar a criação de um espaço completamente obsoleto na ilha, decidiu-se, em 1868, transformar a fortificação de Alcatraz em um complexo penitenciário. Em suas primeiras atividades, a nova penitenciária serviu de cadeia para muitos indígenas marginalizados pelo processo de expansão norte-americano. Já nos primeiros anos do século XX, contava com um expressivo número de detentos. Em pouco tempo, seria necessária a reforma e ampliação do presídio.

No novo projeto realizado, foram construídos dois grandes blocos repletos de celas. Fazendo proveito da estrutura deixada por algumas edificações menores que existiam entre os dois blocos, realizaram a construção de uma enorme ala que interligava ambos os blocos, onde se costumava exibir algumas produções cinematográficas hollywoodianas. Segundo algumas lendas, o espaço das alas escondia uma antiga estrutura subterrânea nas quais os presos sofriam terríveis torturas.

Após a Primeira Guerra Mundial, o presídio insular começou a ganhar maiores contingentes com a ação criminosa de contrabandistas e marginais que se multiplicariam com a criação da Lei Seca (1919 – 1933) e o já citado estouro da Crise de 1929. Nesse meio tempo, a segura e eficaz penitenciária havia ficado pequena demais para o número de contraventores detidos. Por isso, houve interesse do governo em transformar Alcatraz em uma cadeia federal.

Dessa forma, no dia 1 de janeiro de 1934, James A. Johnston, primeiro administrador do presídio federal, viria a estabelecer as rígidas regras que transformaram Alcatraz em uma prisão de segurança máxima. Nesse mesmo tempo, um programa disciplinar foi estabelecido com o intuito de regenerar seus presos com o uso do trabalho e de uma rotina cheia de restrições. Entre outras imposições, os presos não deveriam cantar, ouvir rádio e só tomavam banho duas vezes por semana.

Ao longo de todo período que esteve sob o controle do governo norte-americano, Alcatraz não teve sua reputação manchada por nenhuma fuga bem sucedida. Contudo, alguns planos mirabolantes tentaram trespassar as muralhas e as gélidas águas que cercavam aquela ilha. Em geral, os planos envolviam um número reduzido de presidiários, sendo que das 14 tentativas de fuga registradas, houve o envolvimento de somente 36 detentos.

Em 1963, graças aos esforços do promotor Robert Kennedy, a penitenciária de Alcatraz chegou ao seu fim. Para que isso fosse possível, Kennedy demonstrou que o custo gerado para a manutenção dos presos e funcionários naquela ilha era cerca de três vezes maior do que qualquer outra prisão. Dessa maneira, seus presos e funcionários acabaram removidos para a Penitenciária de Marion, no estado do Illinois.

Depois disso, um mal fadado projeto de construção de um centro cultural, ecológico e educacional indígena levou diversos nativos a ocuparem o território. Contudo, a falta de ordenação impediu o seu sucesso. Com isso, a partir de 1976, a Ilha de Alcatraz foi paulatinamente transformada em patrimônio histórico. Hoje em dia, apesar da oposição de alguns, a ilha se transformou em enigmático ponto turístico que conta os crimes e repressões de um período da história norte-americana.

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