Invasões holandesas

As invasões holandesas aconteceram no período da União Ibérica e têm relação com a rivalidade existente entre holandeses e espanhóis.

Por Daniel Neves Silva

Mapa antigo que se refere à conquista holandesa de Pernambuco, no contexto das invasões holandesas ao Brasil.
Mapa antigo que se refere à conquista holandesa de Pernambuco, no contexto das invasões holandesas ao Brasil.
Crédito da Imagem: Wikimedia Commons
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As invasões holandesas foram as expedições militares organizadas pelos holandeses para ocupar o Nordeste brasileiro na primeira metade do século XVII. A motivação dessa invasão está diretamente relacionada com a União Ibérica e as relações diplomáticas de três nações: Portugal, Espanha e Holanda.

Os holandeses conquistaram a capitania de Pernambuco, em 1630, e instalaram uma colônia holandesa que existiu até 1654, quando os portugueses conseguiram expulsar os holandeses e retomar a região. O destaque da colônia holandesa ocorreu entre o período 1637 a 1643, quando Maurício de Nassau governou a região.

Leia também: Acontecimentos e características do período em que o Brasil foi colônia de Portugal

Resumo sobre as invasões holandesas

  • As invasões holandesas foram um conjunto de expedições militares realizadas pelos holandeses no Brasil durante o século XVII.

  • Elas tiveram como grande alvo o Nordeste brasileiro, mas também ocorreram em colônias de Portugal na África e Ásia.

  • Essas invasões aconteceram no contexto da União Ibérica, sendo parte do desejo holandês de tomar as zonas produtoras de açúcar no Brasil e formar seu império ultramarino.

  • Aqui no Brasil chegaram a invadir a Bahia e Pernambuco.

  • A colônia holandesa no Nordeste, chamada de Nova Holanda, existiu de 1630 a 1654.

O que foram as invasões holandesas?

As invasões holandesas foram uma série de expedições militares conduzidas pelos Países Baixos com o objetivo de ocupar o Nordeste brasileiro e tomar o controle do centro açucareiro do Brasil. Elas aconteceram em diferentes momentos do século XVIII, e os alvos foram Salvador e Recife.

Em Salvador, a invasão holandesa aconteceu entre 1624 e 1625. Posteriormente, os holandeses buscaram invadir Recife, tomando a cidade pernambucana em 1630 e lá permanecendo até 1654, quando foram expulsos pela união de portugueses e colonos brasileiros. A invasão do Brasil foi resultado de uma série de ataques realizados pelos holandeses contra Portugal.

Esses ataques holandeses foram parte da Guerra Luso-Holandesa, um conflito travado por Portugal e Países Baixos entre 1595 e 1663. Esse conflito foi resultado da União Ibérica e do desejo holandês de expandir sua influência ultramarina, aproveitando-se dos territórios portugueses enfraquecidos no contexto mencionado (da União Ibérica).

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Contexto histórico das invasões holandesas

As invasões holandesas no Brasil têm relação direta com a União Ibérica, acontecimento que teve início em 1580, quando o rei português D. Henrique I faleceu. Como ele não possuía herdeiros diretos ao trono de Portugal, uma crise de sucessão iniciou-se. Três nomes reivindicaram o direito sobre o trono português, sendo um deles Filipe II da Espanha, o rei espanhol.

Usando sua força militar, Filipe II conseguiu impor-se e assumiu o trono de Portugal. Assim, o rei espanhol fez com que as duas coroas fossem unificadas. As possessões de Portugal passavam, então, a ser possessões espanholas. Isso, além de trazer rearranjos nas questões diplomáticas dos dois países, também influenciou fortemente a política externa portuguesa.

No final do século XVI, a principal atividade econômica exercida pelos portugueses no Brasil era a produção de açúcar. Essa atividade desenvolveu-se mediante financiamento holandês, assim o refino do açúcar e sua distribuição na Europa eram feitos pelos holandeses. Havia, portanto, uma importante parceria econômica entre portugueses e holandeses.

Porém, no final desse século, holandeses e espanhóis travavam a Guerra dos Oitenta Anos. A região da Holanda era dominada pela dinastia que reinava na Espanha: os Habsburgo. Os holandeses partiram à procura de independência, que seria garantida por meio da expulsão dos Habsburgo de seu território. Dentro desse contexto, era natural que os holandeses fossem expulsos do negócio açucareiro, pois as possessões portuguesas estavam sob o domínio dos espanhóis.

Engenho de açúcar em Pernambuco, obra feita pelo pintor holandês Frans Post.
Engenho de açúcar em Pernambuco, obra feita pelo pintor holandês Frans Post. O comércio de açúcar no Brasil tinha estreita relação com os holandeses.

Por que os holandeses invadiram o Brasil?

Os holandeses decidiram invadir o Brasil por conta da disputa que havia com a Espanha, país com o qual os holandeses haviam lutado durante o século XVI. Quando os espanhóis assumiram o trono português durante a União Ibérica, os holandeses foram expulsos da parceria comercial que tinham com os portugueses, e isso foi uma consequência direta do domínio espanhol sobre Portugal.

Com isso, os holandeses decidiram invadir as regiões açucareiras do Brasil para ter acesso e controle direto desse mercado. As intenções holandeses não se resumiram ao Brasil, estendendo-se para posses portuguesas na África e Ásia, demonstrando o interesse holandês de criar um império ultramarino, aproveitando-se do enfraquecimento português.

Fases das invasões holandesas no Brasil

Como os holandeses perderam sua participação no lucrativo negócio do açúcar, eles decidiram mobilizar-se para dar uma resposta aos espanhóis. Sendo assim, em 1595, eles atacaram e saquearam portos portugueses na África e, em 1604, atacaram a cidade Salvador com o intuito de conquistá-la, mas fracassaram. A partir de 1609, os holandeses assinaram uma trégua na guerra contra os espanhóis e essa situação permaneceu até 1621.

Esse período de trégua, no entanto, serviu apenas como preparação para que os holandeses pudessem tomar o controle do negócio do açúcar para si. Em 1621, foi fundada a Companhia das Índias Ocidentais (West-Indische Compagnie, com sigla WIC, em holandês), empresa que tinha como objetivo controlar o comércio de escravos na África e o de açúcar no Brasil.

Com o fim da trégua, a guerra entre Holanda e Espanha foi retomada, e os holandeses voltaram-se contra o Brasil. Houve um primeiro ataque contra Salvador, na Bahia, em 1624. Os holandeses conquistaram a capital do Brasil após horas de batalha, mas nunca conseguiram ir além da cidade de Salvador, pois a resistência local contra os holandeses foi muita.

Os holandeses ficaram em Salvador até meados de 1625, quando foram expulsos por causa da reconquista da cidade baiana com a ajuda dos 12 mil homens enviados pelos espanhóis. Expulsos, os holandeses continuaram agindo contra a Espanha por meio de ataques corsários. Em um deles, a cidade de Salvador foi saqueada, em 1627.

No ano seguinte, os holandeses saquearam uma frota espanhola, rendendo uma fortuna considerável. Esse dinheiro foi usado na preparação da esquadra que atacou Pernambuco, em 1630.

Leia também: Por que Portugal e Espanha encabeçaram as Grandes Navegações?

Invasão de Pernambuco

Em 1630, cerca de sete mil homens foram enviados em uma esquadra organizada pela WIC. O ataque foi realizado contra Olinda, a capital da província de Pernambuco. No dia 14 de fevereiro de 1630, os holandeses conquistaram a cidade e, logo em seguida, transferiram a capital para Recife, considerado um local mais apropriado para montar as defesas contra invasores.

A partir desse feito, os holandeses conseguiram estabelecer uma colônia no Nordeste brasileiro e trataram de expandi-la rapidamente. A fase de 1630 a 1637 é justamente o momento em que os holandeses conseguiram tomar o controle de territórios que se estendiam do Ceará até as margens do Rio São Francisco.

A segunda fase da colônia holandesa é a mais expressiva e marcou o ápice da presença neerlandesa no Brasil. Essa fase estendeu-se de 1637 a 1643 e ficou marcada pela presença de João Maurício de Nassau, militar alemão que foi convidado pela WIC para ser o governador-geral da colônia holandesa no Brasil.

Maurício de Nassau procurou recuperar a economia local a partir da reativação dos engenhos abandonados. Esses engenhos foram revendidos para interessados em remontá-los na região. Além disso, Nassau procurou realizar reformas estruturais em Recife, construindo pontes, alargando ruas, procurando manter a cidade limpa, proibindo a poluição de afluentes próximos à cidade. Nassau também tinha grande apreço por artistas e cientistas, fruto da sua formação humanista, e incentivou a vinda de diversos para o Brasil.

Um dos grandes problemas que afetavam a colônia brasileira era o alto preço dos víveres. Para contornar isso, Nassau procurava obrigar todos aqueles que possuíam escravos a plantar certa quantidade de mandioca. Essa medida não teve o sucesso esperado.

Maurício de Nassau em retrato de 1637.
Maurício de Nassau em retrato de 1637.

Colônias holandesas no Brasil

Aqui no Brasil, a única colônia duradoura dos holandeses foi a chamada Nova Holanda, a colônia que se iniciou com a conquista de Pernambuco. Após a conquista dessa capitania, os holandeses expandiram o seu território por outras partes do Nordeste, estendendo o seu domínio por terras que faziam parte dos atuais estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Essa colônia holandesa existiu no Nordeste brasileiro de 1630 a 1654.

Expulsão dos holandeses do Brasil

A partir de 1640, a WIC começou a enfrentar graves problemas financeiros, o que abalou a saúde financeira da colônia holandesa e prejudicou a relação de Nassau com os diretores dessa empresa. O endurecimento das condições dos holandeses em relação aos empréstimos concedidos aos donos de engenhos locais criou uma indisposição entre eles. Isso fortaleceu a circulação de ideias que defendiam o retorno dos portugueses.

A partir de 1640, os portugueses passaram pela Restauração, dando início à dinastia da Casa de Bragança. O retorno dos portugueses ao trono de Portugal também contribuiu para que ideias de reconquista do Nordeste fossem veiculadas. Portugal acabou dando início aos preparativos, e uma guerra foi iniciada a partir de 1645: a partir das Guerras Brasílicas.

Os holandeses perderam força por conta dos problemas financeiros da WIC, e a situação agravou-se ainda mais quando Nassau retornou à Holanda. Os holandeses sofreram derrotas significativas em Guararapes, na batalha de 1648 e na batalha de 1649. A partir de 1652, a Holanda entrou em guerra com a Inglaterra e, assim, os poucos recursos que iam para o Nordeste foram reduzidos mais ainda.

Incapaz de se sustentar e de se proteger, a colônia holandesa foi reconquistada pelos portugueses quando Recife foi cercada e invadida em 1654. Os holandeses também perderam as praças que haviam tomado dos portugueses na África.

Consequências das invasões holandesas no Brasil

Entre as consequências das invasões holandesas no Brasil, destacam-se:

  • declínio da produção açucareira no Nordeste;

  • modernização de Recife;

  • fortalecimento do senso de identidade da população local;

  • enfraquecimento holandês no contexto da Guerra Luso-Holandesa.

Mapa mental sobre invasões holandesas no Brasil

Mapa mental sobre as invasões holandesas. (Créditos: Isa Galvão | História do Mundo)
Mapa mental sobre as invasões holandesas. (Créditos: Isa Galvão | História do Mundo)

Exercícios sobre invasões holandesas no Brasil

Questão 01

As invasões holandeses no Brasil são consideradas uma consequência direta de qual evento da história portuguesa?

a) Revolução de Avis

b) Reformas pombalinas

c) Revolução Liberal do Porto

d) União Ibérica

e) Guerra das Laranjas

Resposta: Letra D.

A União Ibérica é o evento que se relaciona diretamente com as invasões holandeses, sendo o período em que o trono português foi ocupado por monarcas espanhóis. A rivalidade entre Países Baixos e Espanha afetou o comércio praticado por holandeses e portugueses, motivando as invasões holandesas.

Questão 02

O principal governante enviado pelos holandeses para administrar sua colônia no Nordeste foi:

a) Maurício de Nassau.

b) Conde de Bagnuolo.

c) Duque de Caxias.

d) Marquês de Pombal.

e) Guilherme de Orange.

Resposta: Letra A.

Maurício de Nassau foi o governante enviado pela Companha das Índias Ocidentais para administrar a Nova Holanda. Fez uma ampla modernização da cidade de Recife, buscando incentivar a produção de alimentos e a economia açucareira. Esteve nessa posição entre 1637 e 1644.

Fontes

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013.

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

ARAÚJO, Anderson Leon Almeida de. Os flamengos, os holandeses, a América – contribuições neerlandesas no novo mundo. Disponível em: http://www.ufrrj.br/graduacao/prodocencia/publicacoes/perspectivas-historicas/artigos/09.pdf

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