Contrarreforma
A Contrarreforma é o conjunto de ações tomadas pela Igreja Católica para barrar o avanço do protestantismo entre os séculos XVI e XVII.
Por Daniel Neves Silva
A Contrarreforma foi o conjunto de ações que a Igreja Católica tomou durante os séculos XVI e XVII para barrar o avanço do protestantismo na Europa. Essas ações foram realizadas no contexto de surgimento e de crescimento das doutrinas protestantes a partir da ação de reformadores como Martinho Lutero.
Durante a Contrarreforma, a Igreja Católica buscou promover melhorias na formação dos sacerdotes, combater práticas imorais, reforçar dogmas da crença católica e rechaçar a doutrina protestante. A repressão também foi reforçada por meio da Inquisição, e um momento importante foi a realização do Concílio de Trento.
Leia também: Reforma Protestante — detalhes sobre o movimento reformista que surgiu no cristianismo em 1517
Resumo sobre a Contrarreforma
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A Contrarreforma foi o conjunto de ações da Igreja Católica para barrar o avanço do protestantismo.
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Essas ações foram realizadas entre os séculos XVI e XVII.
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Entre as ações, estão a criação de seminários e da Companha de Jesus e o reforço da Inquisição.
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O Concílio de Trento foi um momento importante na Contrarreforma, pois importantes medidas foram tomadas a partir desse evento, tais como a proibição das indulgências e a criação do Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros proibidos aos fiéis católicos.
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A Igreja rechaçou as doutrinas protestantes e reforçou dogmas da fé católica.
O que foi a Contrarreforma?
A Contrarreforma é o conjunto de ações tomadas pela Igreja Católica a partir da década de 1530 para barrar o avanço do protestantismo na Europa. Desde a Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero, a Igreja Católica enfrentava um grande desafio no continente europeu, perdendo um número significativo de fiéis.
As autoridades da Igreja Católica deram início, então, a um movimento cujo objetivo era o de defender a influência da Igreja Católica e sua autoridade eclesiástica. A partir desse movimento, uma série de iniciativas foram realizadas para garantir esse objetivo de impedir o crescimento do protestantismo, mas também foram realizados esforços para recuperar locais perdidos para as doutrinas protestantes.
As ações tomadas durante a Contrarreforma foram de variados tipos, havendo ações para reformar práticas e condutas dos sacerdotes da Igreja Católica e para reforçar a negação das doutrinas protestantes, em especial do luteranismo, além de ações que reforçavam o controle e a repressão contra a fé protestante na Europa.
Os historiadores apontam que um dos momentos mais importantes da Contrarreforma foi o Concílio de Trento, organizado entre 1545 a 1563. Apesar disso, as ações da Santa Sé contra o protestantismo se estenderam até o final do século XVII.
Contexto histórico da Contrarreforma
A Contrarreforma é uma ação da Igreja Católica que foi motivada pelo contexto de enfraquecimento e de contestação que ela sofria na década de 1530. Em 1517, foi iniciada a Reforma Protestante, movimento religioso que foi responsável por dar origem a novas doutrinas cristãs na Europa. Esse movimento foi iniciado por um monge chamado Martinho Lutero.
Martinho Lutero não concordava com a cobrança das indulgências, uma prática comum na Igreja Católica em que os fiéis eram incentivados a contribuir com uma quantia em dinheiro e, em troca, recebiam promessa de salvação, perdão dos pecados ou encurtamento no período no Purgatório. Além disso, Lutero desenvolveu novas interpretações do texto bíblico.
Esse monge alemão não desejava romper com a Igreja Católica, da qual ele fazia parte, mas buscava reformá-la, promover uma melhoria de dentro para fora. O momento chave foi quando um documento escrito por Lutero, chamado 95 teses, foi tornado público. As críticas que ele fazia à Igreja Católica no documento se tornaram muito populares, espalhando o movimento pela Europa.
A Igreja Católica buscou conter Lutero e suas críticas, mas o monge alemão não recuou e, por isso, foi excomungado por ordem do papa Leão X. A doutrina luterana foi considerada pela Igreja como uma heresia, mas ela se espalhou pela Europa por conta da imprensa, incentivando que outros reformadores surgissem.
Um deles foi Ulrico Zuínglio, reformador de origem suíça que promoveu a fé protestante em seu país. Com o tempo, mais reformadores foram se estabelecendo, e nações tradicionalmente católicas, como a Itália, a Espanha e a França, começaram a ser abaladas pelas doutrinas protestantes. Além disso, outras nações abandonaram a fé católica e abraçaram doutrinas protestantes, como foram os casos da Suécia, da Inglaterra e dos Países Baixos, além das mencionadas Alemanha e Suíça.
Na década de 1530, a Igreja Católica entendeu que o avanço da fé protestante não era um fenômeno passageiro, dando início às suas primeiras ações mais efetivas contra o protestantismo.
Quais foram os pilares da Contrarreforma?
Durante a Contrarreforma, uma série de ações foram promovidas pela Igreja Católica, buscando impedir o crescimento do protestantismo e reafirmar a fé católica, reconquistando locais “perdidos” para o protestantismo e reforçando ações de repressão e de punição àqueles que desafiassem a autoridade da Santa Sé.
Em 1534, surgiu, no interior da Igreja Católica, uma ordem religiosa chamada Companhia de Jesus, popularmente conhecida como Ordem Jesuíta. Essa ordem agia com objetivo de formar padres missionários, enviando-os para locais onde a fé católica ainda não havia chegado, com destaque para o continente americano. Era a Igreja Católica agindo para expandir sua base de fiéis, sendo que essa ordem foi oficialmente reconhecida em 1539.
Houve um entendimento, no interior da Igreja Católica, de que era necessário melhorar a atuação dos sacerdotes. Os abusos cometidos pelos representantes da Igreja Católica tinha contribuído para o avanço da fé protestante, e, para solucionar isso, a Igreja Católica incentivou a melhoria nos seminários religiosos, contribuindo para uma formação mais adequada de seus representantes.
O Papa Paulo III também entendeu que era necessário reforçar o uso da Inquisição para reprimir o protestantismo em locais onde a Igreja Católica ainda era predominante. Locais como a França presenciaram uma grande repressão ao protestantismo.
→ Concílio de Trento
O Concílio de Trento foi outro acontecimento muito importante da Contrarreforma. Na década de 1540, estava evidente para a Igreja Católica que o protestantismo não seria derrotado, sendo necessário um grande debate interno para propor melhorias e novas estratégias para combater a fé protestante.
Assim, o Papa Paulo III convocou o Concílio de Trento, uma assembleia que reuniu as maiores autoridades da Igreja Católica para debater ideias do que melhorar e de como agir para combater o protestantismo. O Concílio de Trento ocorreu entre 1545 e 1563 em três grandes ciclos que ocorrem nos períodos:
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1545-1547;
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1551-1552;
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1562-1563.
Ao longo dos dezoito anos de debates, algumas medidas foram anunciadas pela Igreja Católica:
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a doutrina luterana foi negada, e sua interpretação de que só a fé era suficiente para salvar era uma heresia;
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a Igreja também reforçou suas doutrinas em relação ao pecado original e aos sacramentos e sobre a liturgia das missas;
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a infalibilidade do papa, contestada pelos protestantes, foi reafirmada pelas autoridades da Santa Sé;
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as indulgências, extremamente impopulares, foram proibidas;
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a invocação dos santos, a importância das relíquias e o culto às imagens foram reforçadas pela Santa Sé;
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a criação do Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros proibidos aos fiéis católicos.
Veja também: Inquisição — detalhes sobre esse movimento político e ideológico que surgiu durante a Idade Média
Principais líderes da Contrarreforma
A Contrarreforma não possuiu líderes, mas diversos nomes do interior da Igreja Católica se destacaram ao promover ações para reformar a Igreja Católica e combater o avanço do protestantismo. No caso dos pontífices da Santa Sé, esses foram os principais nomes que se destacaram em ações relacionadas à Contrarreforma:
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Paulo III;
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Paulo IV;
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Pio V;
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Sixto V.
Outras figuras importantes no interior da Contrarreforma foram Inácio de Loyola e Teresa de Ávila.
Consequências da Contrarreforma
Entre as consequências destacadas em relação à Contrarreforma, estão:
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o fortalecimento da fé católica em determinadas regiões da Europa, impedindo o crescimento do protestantismo nesses locais, como foi o caso da França;
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a melhoria na formação dos sacerdotes, promovendo uma melhor formação doutrinária e combatendo as práticas negativas;
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o combate às indulgências e a outras práticas impopulares;
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a expansão da fé católica a partir dos jesuítas;
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o reforço da repressão por meio da Inquisição e do Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros proibidos aos fiéis católicos.
Reforma Protestante e Contrarreforma
A Reforma Protestante foi o movimento iniciado por Martinho Lutero e que deu origem ao protestantismo. A partir de Lutero, um questionamento da autoridade da Igreja Católica se popularizou, dando origem a diferentes doutrinas cristãs que se estabeleceram a partir de diferentes interpretações do texto bíblico. A reação da Igreja Católica e todas as ações estabelecidas para reforçar o catolicismo e barrar o avanço do protestantismo receberam o nome de Contrarreforma.
Exercícios resolvidos sobre Contrarreforma
Questão 1
(Fronte Concursos – adaptado) Nos séculos XVI e XVII, a Europa passou por um intenso movimento de transformação religiosa, que resultou em cismas, perseguições e novos posicionamentos institucionais. Sobre esse contexto, analise as afirmativas a seguir:
I – A Contrarreforma reforçou a autoridade do Papa e reafirmou dogmas católicos questionados pelos reformistas.
II – A Reforma Protestante incentivou a tradução da Bíblia para línguas vernáculas, promovendo maior acesso ao seu conteúdo.
III – A Inquisição foi criada por Martinho Lutero para perseguir católicos que se opunham ao protestantismo.
Assinale a alternativa correta.
A) Apenas I e II estão corretas.
B) Apenas II e III estão corretas.
C) Apenas I e III estão corretas.
D) I, II e III estão corretas.
E) Todas estão incorretas.
Resolução:
Alternativa A.
A Contrarreforma reforçou diversos dogmas questionados pelos protestantes, como a infalibilidade do papa. Além disso, os protestantes reforçavam a importância dos fiéis terem acesso ao texto bíblico, incentivando traduções da Bíblia para as línguas vernáculas.
Questão 2
(JVL Concursos – adaptado) As reformas religiosas do século XVI, protestante e católica, alteraram profundamente a Europa, afetando estruturas políticas e culturais. Assinale a afirmação que expressa tais transformações.
A) As reformas protestantes restringiram-se ao campo teológico, sem impactos na organização social.
B) A Reforma Anglicana foi comandada por pequenos camponeses, anulando a influência da monarquia inglesa.
C) O movimento reformador luterano e calvinista impulsionou a ruptura com Roma, promovendo novas identidades estatais, enquanto a Contrarreforma reforçou dogmas e criou ordens como a Companhia de Jesus.
D) A Contrarreforma desencadeou a abolição definitiva do Tribunal do Santo Ofício, diminuindo a perseguição a divergentes religiosos.
E) A Contrarreforma incentivou a tolerância religiosa, contribuindo para a paz no continente europeu.
Resolução:
Alternativa C.
As doutrinas luterana e calvinista romperam com a autoridade e com a doutrina da Igreja Católica, avançando pela Europa. A Igreja Católica, preocupada com os avanços dessas doutrinas, estabeleceu ações para combatê-las na chamada Contrarreforma.
Fontes
IHU ONLINE. Lutero e a Reforma – 500 anos depois, um debate. Revisto do Instituto Humanitas Unisinos. Disponível em: http://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao514.pdf.
KRÄMER, Klaus. Martinho Lutero, o monge que revolucionou o mundo. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/martinho-lutero-o-monge-que-revolucionou-o-mundo/a-36213487.
MARK, Joshua. J. Counter-Reformation. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Counter-Reformation/.
MICELI, Paulo. História Moderna. São Paulo: Contexto, 2020.