Alcorão

O Alcorão é o livro sagrado do islamismo. É considerado pelos muçulmanos como a palavra final e literal de Deus revelada ao profeta Maomé.
Exemplar do Alcorão, livro sagrado do islamismo, aberto sobre um suporte de madeira.

O Alcorão é o livro sagrado do islamismo, considerado a palavra final de Deus, revelada ao profeta Maomé ao longo de 23 anos. Seu nome deriva de Al-Qur’an (a recitação), refletindo sua natureza como uma obra destinada a ser lida em voz alta. Estruturalmente, é composto por 114 suras e versos chamados ayahs, facilitando sua recitação e memorização. Seus princípios abrangem monoteísmo, justiça, misericórdia, humildade, responsabilidade individual e igualdade, orientando os muçulmanos em suas crenças e práticas.

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Resumo sobre o Alcorão

  • O Alcorão é o livro sagrado do islamismo, considerado pelos muçulmanos como a palavra final e literal de Deus, revelada ao profeta Maomé ao longo de cerca de 23 anos.
  • A palavra “Alcorão” vem do árabe, Al-Qur’an, que significa “a recitação” ou “a leitura”, refletindo sua natureza como uma obra destinada a ser lida ou recitada em voz alta.
  • O Alcorão é composto por 114 suras (capítulos), que variam em comprimento e são compostas de versos chamados ayahs.
  • Seus princípios incluem monoteísmo, justiça, misericórdia, humildade, responsabilidade individual e igualdade, orientando os muçulmanos em suas crenças, práticas e valores.
  • Suas traduções permitem que pessoas de diferentes culturas e línguas tenham acesso aos ensinamentos do livro sagrado do islamismo, embora a versão em árabe seja considerada a mais autoritativa.
  • O Alcorão tem uma importância central no islamismo, servindo como guia espiritual, moral, jurídico e cultural para os muçulmanos.
  • Sua história está intimamente ligada à vida e à missão do profeta Maomé, desde a sua primeira revelação, em 610 d.C., até sua preservação e disseminação ao longo dos séculos.
  • Embora ambos sejam livros sagrados, a Bíblia e o Alcorão diferem em conteúdo, linguagem, autoridade religiosa e interpretação, refletindo as diferentes tradições e crenças do cristianismo e do islamismo respectivamente.

O que é o Alcorão?

Manuscrito do Alcorão datado do século XII.

O Alcorão é o livro sagrado do islamismo, considerado pelos muçulmanos como a palavra final e literal de Deus, revelada ao profeta Maomé ao longo de cerca de 23 anos, começando em 610 d.C. até sua morte, em 632 d.C. Ele é amplamente aceito pelos muçulmanos como a última revelação divina, complementando as revelações anteriores, como a Torá (ou Tawrat), os Salmos (ou Zabur), e o Evangelho (ou Injil), textos sagrados para os judeus e cristãos.

O Alcorão é composto por 114 suras (capítulos), que variam em comprimento e são compostas de versos chamados ayahs. Acredita-se que os ayahs foram revelados a Maomé em árabe clássico por meio do anjo Gabriel. O Alcorão cobre uma ampla gama de tópicos, incluindo crença, moralidade, legislação, história e orientação espiritual. Ele fornece diretrizes para a conduta humana, estabelece leis e princípios éticos e descreve a natureza de Deus.

O Alcorão é mais do que um simples livro para os muçulmanos; é a palavra literal de Deus e um guia para a vida diária. Ele é recitado e memorizado em árabe por milhões de muçulmanos em todo o mundo, e sua recitação tem um papel central na adoração islâmica, especialmente durante as orações diárias. Além disso, o Alcorão é intensamente estudado para extrair significados mais profundos e aplicá-los aos desafios modernos enfrentados pelos muçulmanos.

Significado da palavra Alcorão

Nome dado ao livro sagrado do islamismo, a palavra “Alcorão”, também escrita como “Corão” em algumas transliterações, tem suas raízes na língua árabe. Ela vem da palavra árabe Al-Qur’an, que significa “a recitação” ou “a leitura”. A palavra Qur’an deriva da raiz verbal árabe qara’a, que significa “ler” ou “recitar”. Portanto, o Alcorão é chamado de Al-Qur’an porque é visto como uma obra destinada a ser lida ou recitada em voz alta.

Além disso, a palavra “Alcorão” também pode ser derivada da palavra árabe qara’a, com o significado de “reunião” ou “coisa que é reunida”, sugerindo que o Alcorão é uma coleção de palavras divinas reunidas em um único livro.

Estrutura do Alcorão

O Alcorão tem uma estrutura organizacional que consiste em 114 suras (ou capítulos), que variam em comprimento e são compostas por versos chamados ayahs. Essas suras são organizadas em ordem decrescente de comprimento, com exceção da primeira sura, que é uma breve invocação chamada Al-Fatiha (A Abertura). Acompanhe, a seguir, uma visão geral da estrutura do Alcorão:

  • Sura: cada uma trata de tópicos específicos e varia em extensão. As suras mais longas tendem a ser encontradas no início do Alcorão, enquanto as mais curtas estão no final.
  • Ayah: cada sura é composta de versos chamados ayahs (ou versículos), as unidades básicas de texto no Alcorão. Os ayahs podem variar em comprimento e abordam uma variedade de tópicos, desde leis e orientações religiosas até narrativas históricas e reflexões espirituais.
  • Juz’: o Alcorão é dividido em 30 partes, chamadas juz’ e destinadas a facilitar a recitação e a memorização do livro sagrado durante o mês do Ramadã, quando é comum ler o Alcorão completo.
  • Hizb: cada juz’ é dividido em duas seções menores, chamadas hizb.
  • Rub ‘al-Hizb: cada hizb é dividido em quatro partes, chamadas rub ‘al-hizb, totalizando 240 partes.
  • Ajza’: no total, o Alcorão é dividido em 60 partes, chamadas ajza’, cada uma das quais contém aproximadamente uma trigésima parte do Alcorão.

Quais são os princípios do Alcorão?

Os princípios do Alcorão são:

  • Monoteísmo (Tawheed): o Alcorão enfatiza a unicidade e a absoluta transcendência de Deus (Alá). Os muçulmanos são chamados a adorar apenas a Deus e a reconhecer que Ele é o único digno de louvor e devoção.
  • Justiça e equidade: o Alcorão ensina a importância da justiça em todas as áreas da vida. Os muçulmanos são instruídos a agir com equidade em seus relacionamentos pessoais, sociais e comerciais, e a tratar todos os indivíduos com justiça, independentemente de sua religião, raça ou status social.
  • Misericórdia e compaixão: o Alcorão enfatiza a importância da misericórdia e da compaixão. Os muçulmanos são encorajados a demonstrar gentileza e compaixão para com os outros, especialmente para com os necessitados e oprimidos.
  • Humildade e submissão: o Alcorão ensina que os seres humanos devem cultivar a humildade e a submissão a Deus. Os muçulmanos são incentivados a reconhecer sua dependência de Deus e a submeter suas vontades à vontade divina.
  • Responsabilidade individual: o Alcorão enfatiza a responsabilidade individual perante Deus. Os muçulmanos são instruídos a agir com responsabilidade em todas as áreas de suas vidas e a prestar contas por suas ações no Dia do Juízo.
  • Igualdade e fraternidade: o Alcorão ensina que todos os seres humanos são iguais perante Deus e que a verdadeira distinção entre as pessoas está em sua piedade e retidão. Os muçulmanos são incentivados a cultivar um senso de fraternidade universal e a tratar todos os seres humanos com igualdade e respeito.

Qual a importância do Alcorão?

Muçulmanos em oração, na cidade de Meca, de acordo com os princípios do Alcorão.[2]

O Alcorão tem uma importância central no islamismo e para os muçulmanos em todo o mundo por várias razões, tais como:

  • Palavra de Deus: os muçulmanos acreditam que o Alcorão é a palavra final e literal de Deus (Alá), revelada ao profeta Maomé por meio do anjo Gabriel ao longo de cerca de 23 anos. Como tal, é considerado o livro mais sagrado e a principal fonte de orientação espiritual, moral e jurídica para os muçulmanos.
  • Guia para a vida: o Alcorão fornece orientação em todas as áreas da vida, incluindo crença, moralidade, ética, legislação e espiritualidade. Ele aborda uma ampla gama de questões, desde as obrigações religiosas diárias até os princípios fundamentais de justiça, igualdade e compaixão.
  • Fonte de inspiração: o Alcorão é uma fonte de inspiração para os muçulmanos, fornecendo conforto espiritual, encorajamento e esperança em tempos de dificuldade. Muitos muçulmanos encontram conforto na recitação e na memorização do Alcorão, bem como na reflexão sobre seus ensinamentos.
  • Unidade e identidade: o Alcorão desempenha um papel importante na unidade e identidade dos muçulmanos em todo o mundo. Independentemente de sua origem étnica, cultural ou linguística, os muçulmanos compartilham uma conexão comum por meio de sua fé no Alcorão e de sua devoção a seus ensinamentos.
  • Fundamento da lei islâmica (Sharia): muitos aspectos da lei islâmica (Sharia) são baseados nos ensinamentos do Alcorão, que fornece princípios e diretrizes para questões legais e éticas. Como resultado, o Alcorão é uma fonte fundamental de autoridade para a legislação islâmica em muitos países de maioria muçulmana.

Veja também: Fundamentalismo islâmico — vertente do islamismo em que os fiéis interpretam literalmente o Alcorão

História do Alcorão

Os eventos marcantes da história do Alcorão são:

  • Revelação inicial: a história do Alcorão começa com a primeira revelação que Maomé recebeu do anjo Gabriel no Monte Hira, nos arredores de Meca, no ano de 610 d.C., quando ele tinha aproximadamente 40 anos. Durante a revelação, o primeiro versículo do Alcorão foi revelado a Maomé, iniciando sua missão profética.
  • Período de revelação: a revelação do Alcorão continuou ao longo de cerca de 23 anos, até a morte de Maomé, em 632 d.C. Durante esse tempo, Maomé recebeu gradualmente os versículos do Alcorão em resposta às circunstâncias e aos desafios enfrentados pela comunidade muçulmana em crescimento.
  • Memorização e transmissão oral: desde o início, os versículos do Alcorão foram memorizados e recitados pelos seguidores de Maomé. A transmissão oral desempenhou um papel crucial na preservação e disseminação do Alcorão durante os primeiros anos do islamismo, antes de sua compilação formal em forma escrita.
  • Compilação escrita: durante o califado do terceiro califa, Uthman ibn Affan (r. 644-656 d.C.), houve um esforço para compilar todas as revelações do Alcorão em um único livro padronizado. Isso foi feito para evitar discrepâncias entre as diferentes recitações regionais e garantir a preservação do texto sagrado. Uma comissão foi nomeada para preparar cópias do Alcorão, e essas cópias foram distribuídas por todo o Império Islâmico.
  • Conservação e propagação: o Alcorão continuou a ser transmitido de geração a geração por meio da memorização, recitação e escrita. Com o tempo, várias escolas de recitação (qira’at) surgiram para preservar as diferentes tradições de recitação do Alcorão. Além disso, o Alcorão foi traduzido para várias línguas ao longo da história islâmica, permitindo que pessoas de diferentes culturas e regiões tivessem acesso aos seus ensinamentos.
  • Status como livro sagrado: desde sua revelação até os dias atuais, o Alcorão tem sido reverenciado pelos muçulmanos como o livro sagrado e a palavra literal de Deus. Ele desempenha um papel central na fé e na prática religiosa dos muçulmanos, fornecendo orientação espiritual, moral e legal para suas vidas.

Diferenças entre a Bíblia e o Alcorão

A Bíblia e o Alcorão são os livros sagrados do cristianismo e do islamismo respectivamente. Embora compartilhem algumas semelhanças, como livros revelados e orientadores espirituais, há várias diferenças significativas entre eles:

  • Conteúdo e abordagem teológica:
    • A Bíblia é uma coleção de textos sagrados que inclui o Antigo Testamento (Tanakh) e o Novo Testamento. O Antigo Testamento contém escrituras judaicas, enquanto o Novo Testamento é centrado na vida, no ministério e nos ensinamentos de Jesus Cristo.
    • O Alcorão é uma única obra composta por 114 suras (capítulos), reveladas ao profeta Maomé ao longo de 23 anos. Ele cobre uma ampla gama de tópicos, incluindo crença, moralidade, legislação e orientação espiritual.
  • Linguagem e formato:
    • A Bíblia foi originalmente escrita em hebraico, aramaico e grego, e foi traduzida para muitos idiomas ao longo dos séculos.
    • O Alcorão foi revelado em árabe clássico e é recitado e memorizado em sua forma original até hoje. Embora tenha sido traduzido para muitos idiomas, a versão árabe é considerada a mais autoritativa para os muçulmanos.
  • Autoridade e interpretação:
    • Para os cristãos, a Bíblia é a palavra de Deus, mas também é vista como uma obra escrita por homens inspirados por Deus. A interpretação da Bíblia varia entre as denominações cristãs, e há uma variedade de abordagens hermenêuticas.
    • Para os muçulmanos, o Alcorão é a palavra final e literal de Deus, revelada ao profeta Maomé por meio do anjo Gabriel. A interpretação do Alcorão é guiada pelo estudo do texto em seu idioma original e pela tradição islâmica.
  • Personagens e narrativas:
    • A Bíblia apresenta uma ampla variedade de personagens, incluindo patriarcas como Abraão e Moisés, reis como Davi e Salomão, profetas como Isaías e Jeremias, e, no Novo Testamento, Jesus Cristo e seus apóstolos.
    • O Alcorão também menciona muitos desses mesmos personagens, embora sua apresentação e detalhes possam diferir da narrativa bíblica. Maomé é considerado o último e mais importante dos profetas no islamismo.

Curiosidades sobre o Alcorão

Medalhão com a palavra “Alá”, em árabe, que revelou o Alcorão ao profeta Maomé na crença muçulmana.[3]

A seguir, algumas das diversas curiosidades sobre o Alcorão:

  • Preservação da linguagem original: o Alcorão foi preservado em sua forma original em árabe clássico desde sua revelação, há mais de 1400 anos. Isso é notável, considerando a complexidade da linguagem e as mudanças linguísticas ao longo do tempo. Os muçulmanos consideram isso como uma evidência da proteção divina do Alcorão.
  • Recitação como uma arte: a recitação do Alcorão é uma prática altamente reverenciada no islamismo. Existem várias formas de recitação (qira’at), cada uma com suas próprias regras e características melódicas. Muitos muçulmanos estudam anos para dominar a arte da recitação do Alcorão.
  • Influência literária e linguística: o Alcorão teve uma influência significativa na literatura e na língua árabes ao longo dos séculos. Sua linguagem poética e rítmica foi um modelo para muitos poetas e escritores árabes, e muitas expressões e termos do Alcorão são usados até hoje na língua árabe.
  • Abordagens hermenêuticas: assim como a Bíblia, o Alcorão é interpretado de várias maneiras pelos estudiosos e teólogos islâmicos. Existem diferentes abordagens hermenêuticas para interpretá-lo, incluindo interpretações literais, alegóricas e contextuais.

Créditos de imagem

[1]sayyed shahab-o- din vajedi / akkasemosalman.ir / Wikimedia Commons (reprodução)

[2]Ali Mansuri / Wikimedia Commons (reprodução)

[3]Sener Dagasan / Shutterstock

Fontes

SCHIRMACHER, Cristiane. Entenda o Islamismo. Vida Nova: 2017.

ROGAN, Eugene. Os Árabes: uma história. São Paulo: Zahar, 2021.

Por Tiago Soares Campos