Civilização Chinesa - História da Civilização Chinesa

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Idade Pré-histórica - Idade Antiga

De acordo com a tradição, o povo chinês originou-se no vale do Huang He ou rio Amarelo. As provas arqueológicas são escassas, embora tivessem sido encontrados, perto de Pequim, restos do Homo erectus, que datam de 460mil anos, e que receberam o nome de Sinanthropus pekinensis. Há provas fidedignas da existência de duas culturas com cerâmica, a cultura de Yangshao (3950?-1700 a.C.) e a cultura de Long-Shan (2000?-1850 a.C.).


O rio Huang He, ou Amarelo, atravessa Gansu, China, perto da cidade de Lanzhou. É o segundo rio mais extenso do país, com 4.667 km de comprimento

Diz a tradição que os Hia (1994-1766 a.C.) foram a primeira dinastia chinesa hereditária, embora a primeira de que se tenha evidências históricas seja a Chang.

A dinastia Chang (1766-1027 a.C.) governou no centro e no norte da atual China. A capital era situada em Anyang, perto da fronteira norte. A economia era baseada na agricultura; praticavam a metalurgia e o artesanato. A sociedade era aristocrática; à frente, sobressaía o rei, que liderava uma nobreza militar. Adoravam seus antepassados e uma profusão de deuses. O último monarca Chang foi expulso por um dirigente Chou, de um estado no vale do rio Wei.

Durante a dinastia Chou (1122-256 a.C.), a civilização chinesa foi-se estendendo gradualmente em direção ao norte. A grande expansão do território tornou impossível o controle direto e a responsabilidade foi delegada a senhores feudais, cada um deles encarregado de governar uma cidade murada e seu entorno. Com o tempo, esses estados dependentes foram-se tornando cada vez mais autônomos.

A sociedade era organizada em torno da produção agrícola. Os reis Chou mantiveram um controle efetivo sobre seus domínios até que, em 770 a.C., alguns estados se rebelaram e junto com invasores nômades do norte expulsaram os soberanos de sua capital. Posteriormente, os Chou fundaram nova capital, em direção ao leste, em Luoyang. Do século VIII ao III a.C., ocorreram um rápido crescimento econômico e uma profunda mudança social, num contexto de instabilidade política extrema e um estado de guerra quase incessante.


O rio Yang-tsé, na China central, com 5.470 km de comprimento, é o maior da Ásia e um dos maiores do mundo. Na fotografia, atravessa a província chinesa de Sichuan. O rio e seus afluentes são as principais vias fluviais do interior do país

Os estados situados nas fronteiras exteriores da área cultural chinesa expandiram-se à custa de seus vizinhos não chineses, menos avançados. Durante os séculos VII e VI a.C., houve breves períodos de estabilidade, decorrentes da organização de alianças entre os poderosos estados periféricos, sob a hegemonia do membro mais forte. No entanto, por volta do século V a.C., o sistema de alianças era insustentável e a China dos Chou caminhou para o chamado período dos Reinos Combatentes (481-221 a.C.), caracterizado pela anarquia.

A resposta intelectual à extrema instabilidade e insegurança política produziu as fórmulas filosóficas que moldaram o crescimento do Estado e da civilização chineses durante os dois milênios seguintes. O mais antigo e mais influente filósofo do período foi Kongfuci, Confúcio. As doutrinas do taoísmo, a segunda grande escola filosófica existente nesse período, são atribuídas à figura semi-histórica de Lao-Tse e aos trabalhos de Tchuang-Tse.

Uma terceira escola de pensamento que floresceu nesse período e exerceu influência duradoura sobre a civilização chinesa foi o legalismo, que pregava o estabelecimento de uma ordem social baseada em leis estritas e impessoais. Para reforçar esse sistema, batia-se pelo estabelecimento de um Estado no qual o soberano tivesse autoridade incontestável. Os legalistas pregavam a socialização do capital, o estabelecimento do monopólio governamental e outras medidas econômicas para enriquecer o Estado, reforçar seu poder militar e centralizar o controle administrativo.

Durante o século IV a.C., o reino de Qin, um dos estados periféricos emergentes do noroeste, dedicou-se a um programa de reformas, seguindo as doutrinas legalistas. Ao mesmo tempo, o poder dos Chou entrou em colapso em 256 a.C.

O rei de Qin se auto proclamou primeiro imperador da dinastia Qin (221-206 a.C.). O nome China deriva dessa dinastia. O imperador unificou os estados feudais em um império administrativamente centralizado e culturalmente unificado. Aboliram-se as aristocracias hereditárias e seus territórios foram divididos em províncias governadas por burocratas nomeados pelo imperador. A capital de Qin transformou-se na primeira sede da China imperial. O primeiro imperador estendeu as fronteiras exteriores: no, sul até o delta do rio Vermelho; no sudoeste, dominou as atuais províncias de Yunnan, Guizhou y Sichuan; no noroeste, chegou a Lanzhou, na atual província de Gansu, e, no nordeste, a um setor do que hoje é a Coréia. A dinastia Qin concluiu a Grande Muralha chinesa.

O peso crescente dos impostos, o serviço militar e os trabalhos forçados criaram profundo ressentimento contra a dinastia Qin entre as classes populares, enquanto as classes intelectuais estavam ofendidas pela política governamental de controle do pensamento. Após uma luta pelo poder que mutilou a administração central, o povo levantou-se em rebelião.

Liu Bang (ver Li Yuan) autoproclamou-se imperador em 206 a.C. A dinastia Han (206 a.C.-9 d.C.), fundada por ele, seria a mais duradoura da era imperial. Os Han estabeleceram seu governo sobre a base unificada dos Qin, modificando a política que havia provocado sua derrocada. Uma das contribuições mais importantes desta dinastia foi o estabelecimento do confucionismo como ideologia oficial; no entanto, os Han incorporaram ao confucionismo idéias de muitas outras escolas filosóficas, além de superstições.

Os primitivos Han alcançaram o auge de seu poder sob o imperador Wu (reinou de 140 a.C. a 87 a.C). A autoridade chinesa estabeleceu-se ao sul da Manchúria e ao norte da Coréia; no oeste, penetraram no atual território do Cazaquistão; no sul, a ilha de Hainan passou ao controle Han e colônias foram fundadas ao redor do delta do Chihchiang, em Anam e na Coréia.

As políticas expansionistas consumiram os excedentes econômicos e os impostos foram aumentados, reaparecendo os monopólios estatais. As dissensões e a incompetência debilitaram o governo imperial. As sublevações no campo refletiram o descontentamento popular.

Durante este período de desordens, Wang Mang estabeleceu-se no poder, fundando a efêmera dinastia Qin (9-23 d.C.). Nacionalizaram toda a terra e a redistribuíram entre os agricultores, aboliu-se a escravatura e reforçaram-se os monopólios imperais sobre o sal, o ferro e a moeda. A resistência das poderosas classes proprietárias de terra foi tão dura que fez revogar a legislação sobre a terra. A crise agrária intensificou-se e a situação se deteriorou. No norte, eclodiu uma rebelião camponesa e as grandes famílias proprietárias de terra uniram-se a eles, reinstaurando a dinastia Han.

A debilidade administrativa e a ineficácia dominaram a última dinastia Han ou oriental (25-220). Entre 168 e 170, surgiu o conflito entre os eunucos e os burocratas e aconteceram duas grandes rebeliões, lideradas por grupos taoístas, em 184 e 215. A dinastia Han começou a se dividir quando as grandes famílias latifundiárias criaram seus próprios exércitos privados. Em 220, Cao Pei fundou a dinastia e reino Wei (220-265), nas províncias do norte. A dinastia Shu Han (221-263) firmou-se no sudoeste e a dinastia Wu (222-280) no sudeste. Os três reinos sustentaram incessantes guerras entre si. Em 265, Sima Yang usurpou o trono e estabeleceu a dinastia dos Ts'ins (265-317) no norte. Em torno de 280, havia reunificado o norte e o sul sob seu mandato. No entanto, pouco depois da morte de Sima, em 290, o Império começou a ruir.

As tribos não chinesas do norte aproveitaram a debilidade do governo para estender-se pelo norte. As invasões começaram em 304 e, até mais ou menos 317, os hiung-nus (provavelmente os mesmos hunoshaviam arrebatado à dinastia dos Ts'ins o norte da China. Durante quase três séculos este território foi governado por várias dinastias não chinesas, enquanto no sul o mesmo era feito por uma sucessão de quatro dinastias chinesas. Nenhuma das dinastias invasoras foi capaz de estender seu controle sobre a totalidade da planície do norte até 420, quando o feito coube à dinastia Bei Wei (ou Bei do Norte, 386-534).

A China foi reunificada sob a dinastia Suei (581-618), que restabeleceu o sistema administrativo centralizado. Embora o confucionismo tivesse sido instaurado oficialmente, também o taoísmo e o budismo foram admitidos na nova ideologia imperial, ao mesmo tempo em que floresceu o budismo. A dinastia Suei caiu em 617, diante de uma revolta liderada por Li Yuan.

Idade Média

Fundada por ele (Li Yuan), a dinastia Tang (618-907) iniciou uma época de força e brilhantismo na história da civilização chinesa. Criaram uma administração centralizada e foi promulgado um elaborado código de leis administrativas e penais. Sob os Tang, a influência chinesa estendeu-se sobre a Coréia, o sul da Manchúria, o norte do Vietnã e o que é hoje o Afeganistão.

A força econômica e militar do Império Tang baseava-se num sistema de distribuição eqüitativa da terra para a população adulta masculina. Como resultado do crescimento demográfico, por volta do século VIII, os pequenos proprietários herdavam propriedades ainda menores, mas o valor do imposto se mantinha, o que motivava os camponeses a abandonar suas terras, reduzindo a receita do Estado.

O general An Lushan, em sua luta pelo controle do governo, precipitou uma revolta em 755. Após a rebelião, o governo central nunca mais foi capaz de controlar os comandantes militares das fronteiras, que transformaram seus cargos em reinos hereditários e retiveram os impostos do governo central. Esta situação se ampliou a outras regiões e, por volta do século IX, a zona que se encontrava sob o controle efetivo do governo central limitava-se à província de Chan-Si.

A decadência do budismo e a reaparição do confucionismo no final da era Tang deram lugar a uma nova e vigorosa ideologia, que proporcionou a base para uma civilização perdurável nos séculos seguintes.

À dispersão do poder político e econômico que marcou a dissolução da dinastia Tang sucedeu o chamado período das Cinco Dinastias (907-960) no norte, enquanto dez estados independentes se estabeleciam no sul.

O período das cinco dinastias terminou em 960, quando um chefe militar, Zhao Guangyin, proclamou o estabelecimento da dinastia Song. Por volta de 978, os Song controlavam a maior parte da China. Costuma-se dividir o período em etapa dos Song do norte (960-1126) e etapa dos Song do sul (1127-1279).

Os Song do norte limitaram em grande parte o poder dos militares das províncias e, subordinando o exército ao poder civil, reorganizaram o governo imperial, centralizando o controle efetivo na capital. No entanto, a debilidade militar transformou-se em problema crônico.

Por volta de 1050, quando se deteriorava a situação militar e fiscal, a burocracia civil estava dividida em grupos que propunham diferentes medidas reformistas. Os Song se aliaram, no começo de 1120, à dinastia Kin (1122-1234) do norte da Manchúria, em oposição aos Liao, que se voltaram contra os Song e marcharam em direção ao norte. Os Song se retiraram e em 1135 reestabeleceram sua capital em Hangzhou, na província de Zhenjiang.

Conduzida pelos Song do sul, a China meridional continuou a desenvolver-se com rapidez. No entanto, a dinastia foi dominada por um fator imprevisto: a força militar dos mongóis que, sob o comando de Gengis Khan, iniciaram uma série de conquistas que resultaram na formação do maior império conhecido até então. Gêngis Khan conquistou Pequim em 1215 e ampliou seu poder sobre o restante do norte da China.

Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, transferiu a capital mongol para perto de Pequim, de onde governou um império que se estendia da Europa Oriental até a Coréia e do norte da Sibéria ao sul da fronteira setentrional da Índia. Governaram como imperadores com o título dinástico de Yuan (1279-1368). Nesta época, chegou à China o mercador veneziano Marco Polo.

Havia, porém, crescente descontentamento. Durante a década de 1340, espocaram levantes em quase todas as províncias. Na década de 1360, Hongwu estendeu seu poder através do vale do Yang-tsé; em 1371, tomou Pequim e os mongóis se retiraram para o território da Mongólia, de onde continuaram a hostilizar os chineses.

Fundada por Wu, a dinastia Ming (1368-1644) revitalizou a civilização dos Tang e dos Song. Seu poder se consolidou de maneira firme ao longo da Ásia Oriental. Restabeleceu-se o governo civil e o império foi dividido em 15 províncias.

O altar do céu é parte do templo do mesmo nome, o "Tian Tan", construído durante a dinastia Ming. Está situado na parte antiga da cidade, no Parque Tian Tan. A arquitetura do século XV, com seus muros vermelhos e ornamentação dourada, é tipica da dinastia Ming.

Idade Moderna

Os primeiros Ming restabeleceram o sistema de relações tributárias, mediante as quais os estados não chineses da Ásia Oriental reconheceram sua supremacia cultural e moral, enviando tributos. A capital voltou a Pequim. O poder se estendeu por todo o sudeste da Ásia e a Índia, chegando até Madagascar (ver Zheng He). No entanto, a partir de meados do século XV, o poder Ming começou a declinar.

Durante o período de decadência dos Ming, iniciaram-se as relações marítimas com a Europa. Os primeiros a chegar foram os portugueses, em 1521. Em 1570, começou o comércio com os assentamentos espanhóis nas Filipinas. Em 1619, os holandeses estabeleceram-se em Taiwan e tomaram posse das ilhas dos Pescadores.

A queda dos Ming foi provocada por uma rebelião que explodiu na província de Changzhi, como resultado da incapacidade governamental de proporcionar ajuda em momentos de fome e desemprego. Os Ming aceitaram a ajuda manchu para expulsar os rebeldes da capital e os manchus negaram-se a abandonar Pequim, o que forçou os Ming a retirar-se para o sul da China.

Sob a dinastia Tsing (1644-1912), os manchus continuaram absorvendo a cultura da China. Sua organização política se baseava na dos Ming, ainda que estivesse mais centralizada; o organismo administrativo máximo foi o Grande Conselho.

Em meados do século XVIII, durante o reinado do imperador Qian-long, a dinastia Qing chegou ao apogeu do poder. A Manchúria, a Mongólia, Xinxiang e o Tibete encontravam-se sob seu controle; inclusive no Nepal percebia-se a influência chinesa. A Coréia e o Vietnã do Norte reconheceram a soberania chinesa e Taiwan foi anexada.

Idade Contemporânea

Por volta do final do século XVIII, a situação econômica dos camponeses havia começado a debilitar-se. Os recursos financeiros do governo estavam seriamente reduzidos, devido ao custo da expansão externa e à corrupção. Os manchus aceitaram com reservas as relações comerciais com o Ocidente. Em torno de 1800, o mercado do ópio, introduzido pelos britânicos a partir da Índia, havia se desenvolvido muito rapidamente.

O século XIX foi caracterizado por uma rápida deterioração do sistema imperial e um crescimento contínuo da pressão estrangeira, proveniente do Ocidente e do Japão. As relações comerciais com a Grã-Bretanha ocasionaram o primeiro conflito sério. Os chineses estavam ansiosos por deter o comércio do ópio, mas os britânicos negaram-se a aceitar restrições à importação do narcótico.

A primeira guerra do ópio terminou em 1842, com a assinatura do Tratado de Nanquim. Os termos do tratado garantiam à Grã-Bretanha as prioridades comerciais que desejava. Depois da segunda guerra do ópio (1856-1860), firmaram-se novos tratados em Tianjin, que ampliaram as vantagens ocidentais. Quando o governo de Pequim negou-se a ratificá-los, reiniciaram-se as hostilidades. Uma força expedicionária franco-britânica chegou até Pequim. Assinaram-se as Convenções de Pequim, nas quais se ratificavam os termos dos tratados anteriores. De acordo com suas disposições, os portos chineses voltaram a se abrir ao comércio internacional, permitiu-se a instalação de colônias de residentes estrangeiros e cederam-se de forma permanente à Grã-Bretanha os territórios de Hong Kong e Kowloon.

Na década de 1850, os alicerces do império foram sacudidos pela rebelião Taiping, uma revolução popular de origem religiosa, social e econômica; seu líder foi Hong Xiuquan. Em 1853, os Taiping haviam se deslocado em direção ao norte e estabelecido sua capital em Nanquim. Em torno de 1860, encontravam-se entrincheirados no vale Yang-tsé e ameaçavam Xangai.

A dinastia manchu, enfraquecida, tentou reformar sua política para garantir a sobrevivência do Império. De 1860 a 1895, tentativas foram feitas para restaurar o governo, obedecendo a princípios confucianos, com o objetivo de solucionar os problemas internos, sociais e econômicos. Durante as décadas de 1860 e 1870, a rebelião Taiping foi sufocada, restaurou-se a paz interna, estabeleceram-se arsenais e estaleiros e abriram-se várias minas. No entanto, os objetivos de manter um governo confuciano e desenvolver um poder militar moderno eram basicamente incompatíveis; em decorrência disso, os esforços visando ao fortalecimento foram, de 1860 a 1895, inúteis.

Em 1875, o Ocidente e o Japão começaram a desmantelar o sistema chinês de estados tributários, mantido no sudeste da Ásia. A Guerra Franco-Chinesa de 1884 e 1885, colocou Tongking sob o império colonial francês e. no ano seguinte, a Grã-Bretanha ocupou a Birmânia. Em 1860, a Rússia obteve as províncias marítimas do norte da região de Dongbei Pingyuan (Manchúria) e os territórios ao norte do rio Amur. Em 1894, os esforços japoneses para anexar a Coréia provocaram a Guerra Sino-japonesa e, em 1895, viu-se forçada a reconhecer a perda da Coréia e ceder ao Japão a ilha de Taiwan e a península de Liaodong, no sul de Dongbei Pingyuan.

A Rússia, a França e a Alemanha reagiram de imediato diante da cessão da península de Liaodong, já que isso significava conceder ao Japão posição estratégica na região mais rica da China. Esses três estados intervieram, reivindicando ao Japão a devolução de Liaodong, em troca de uma maior indenização econômica. Conseguido seu objetivo, as três potências européias apresentaram novas exigências.

Por volta de 1898, um grupo de ilustres reformadores aplicaram um profundo programa de reformas destinado a transformar a China em monarquia constitucional e modernizar sua economia e seu sistema educacional. O programa enfrentou a oposição de oficiais manchus que, com a ajuda de chefes militares leais, detiveram o movimento reformista. Propagou-se por todo o país uma reação violenta que alcançou seu ponto crítico em 1900, com um levante da sociedade secreta dos Boxer. Após uma força expedicionária ocidental ter esmagado a rebelião boxer em Pequim, o governo manchu adotou seu próprio programa de reformas e fez planos para estabelecer um governo constitucional limitado, de acordo com o modelo japonês.

Além de capital, Pequim é o centro cultural, político e intelectual do país. Aqui aparece a Porta Qian Men, na entrada sul da praça de Tiananmen, palco ocasional de celebrações e manifestações nacionais. Está rodeada por vários edifícios importantes como o Grande Museu do Povo, o Museu da Revolução Chinesa e o monumento comemorativo de Mao Tsé Tung.

Durante a primeira década do século XX, os revolucionários atraíram estudantes, comerciantes e grupos nacionais pouco satisfeitos com o governo manchu. Estourou a rebelião em Hangzhou, que se estendeu depois a outras províncias, enquanto Sun Yat-sen assumia a liderança da revolta. Os exércitos manchus foram reorganizados pelo general Yuan Che Kai, que negociou com os dirigentes rebeldes sua designação como presidente de um novo governo republicano. Em 1912, uma assembléia revolucionária elegeu Yuan primeiro presidente da República da China.

A República manteve frágil existência, de 1912 a 1949. Ainda que houvesse sido adotada uma Constituição e estabelecido um Parlamento em 1912, Yuan Che Kai nunca permitiu que essas instituições limitassem seu poder pessoal. O governo central manteve até 1927 uma existência precária e quase fictícia.

Durante a I Guerra Mundial, o Japão apresentou à China as "Vinte e uma Demandas", que praticamente transformavam a China num protetorado japonês. A China concordou em transferir as possessões alemãs em Shandong ao Japão. Sua entrada tardia na guerra, em 1917, tinha por objetivo participar na discussão do tratado de paz que seria negociado e, então, reexaminar as ambiciosas reivindicações japoneses com a ajuda dos Estados Unidos. No entanto, o presidente norte-americano Woodrow Wilson retirou o apoio de seu país às reivindicações de Shandong.

Os chineses, desiludidos diante do cínico interesse dos poderes imperialistas ocidentais, foram-se acercando do pensamento marxista-leninista e da União Soviética. O Partido Comunista Chinês foi fundado em 1921, contando, entre seus primeiros membros, com Mao Tsé-tung. Em 1923, Sun Yat-sen reorganizou o Partido Nacionalista, o Kuomintang, e aceitou o ingresso dos comunistas. O Kuomintang estava sob a direção do general Chiang Kai-shek, que tentava reunificar a China sob o mandato do Kuomintang e liberar o país do imperialismo e da força dos chefes militares provinciais. Em 1928, Chiang realizou um expurgo entre os membros comunistas do partido.

O novo governo nacional, estabelecido pelo Kuomintang em 1928, deparou-se com três problemas de grande magnitude: Chang na realidade tinha sob seu controle apenas cinco províncias, pois o resto do país era governado por chefes militares locais; em 1930, aconteceu a rebelião interna dos comunistas, que em 1927 se dividiram em duas facções: uma tentou fomentar os levantes urbanos e a outra, dirigida por Mao Tsé-tung, mobilizou os camponeses da China central; o terceiro problema foi a agressão japonesa na região de Dongbei Pingyuan, que a partir dessa época ficou mais conhecida como Manchúria, e no norte da China. Em 1932, os japoneses transformaram as três províncias da Manchúria no novo Estado do Manchukuo e fizeram de Pu-Yi, o último governante da dinastia manchu, o imperador do Manchukuo, que incorporou parte da Mongólia no começo de 1933.

No final de 1934, os comunistas se deslocaram em direção ao norte, na denominada Longa Marcha. Enquanto se intensificava a agressão japonesa, Chang moderou sua postura anticomunista e, em 1937, formou-se uma frente unida do Kuomintang e dos comunistas contra os japoneses.

Em 1937, o Japão e a China começaram uma guerra em grande escala. Por volta de 1938, o Japão controlava a maior parte do nordeste da China, o interior do vale do Yangtzé, até Hangzhou, e a zona ao redor de Cantão, na costa sudeste.

Durante a II Guerra Mundial, o governo do Kuomintang sofreu importante enfraquecimento militar e financeiro, enquanto os comunistas haviam ocupado grande parte do norte da China e se haviam infiltrado em muitas regiões rurais. Aí organizaram os camponeses para que ingressassem nas fileiras do Partido Comunista e do Exército Vermelho, com o que saíram fortalecidos da II Guerra Mundial.

Em 1945 eclodiu a luta entre os comunistas e as tropas do Kuomintang, pelo controle da Manchúria. Em 1947, o Exército de Liberação Popular (comunista) derrotou os nacionalistas na Manchúria e, em 1949, a resistência desmoronou. O governo de Chiang Kai-shek procurou refúgio na ilha de Taiwan.

Em setembro de 1949, os comunistas reuniram a Conferência Consultiva Popular Política Chinesa, que adotou diretrizes e princípios políticos e uma lei orgânica para governar o país. Mao Tsé-tung, nomeado presidente desse organismo, era de fato o chefe do Estado. A República Popular da China foi proclamada em 1º de outubro de 1949.

Em 1953, o controle comunista havia se estabelecido com firmeza. Em 1954, o Congresso Nacional Popular aprovou o rascunho da Constituição que foi enviada ao Comitê Central do Partido Comunista Chinês. Esta Constituição confirmou a hegemonia do Partido Comunista Chinês e introduziu mudanças destinadas a centralizar o controle do governo.

A política básica do regime comunista foi transformar a China em uma sociedade socialista. Para tanto, utilizaram-se os princípios do marxismo-leninismo e assegurou-se a erradicação das idéias anticomunistas. A primeira ação de governo foi reconstruir a economia, reforçando a coletivização agrícola. A indústria privada passou gradualmente ao controle da propriedade mista estatal. A ajuda econômica e o assessoramento técnico soviético contribuíram em grande parte para o êxito imediato do programa.

Em política exterior, a China e a União Soviética assinaram, em 1950, um tratado de amizade e aliança e vários acordos complementares, mediante os quais a União Soviética fez grandes concessões, como a retirada da Manchúria. A China também estreitou relações com seus vizinhos comunistas.

Com sua chegada ao poder, o regime comunista também tentou recuperar os territórios que considerava dentro das fronteiras históricas. Em 1950, as tropas chinesas invadiram o Tibete e o regime jamais renunciou à utilização da força para conquistar Taiwan.

Em 1958, foram impostos controles mais rígidos sobre a economia, para incrementar a produção agrícola, restringir o consumo e acelerar a industrialização; tratava-se de realizar o "grande salto adiante". No entanto, o programa fracassou. A situação piorou em 1960, com a retirada da ajuda econômica e da assessoria técnica soviética. Durante esta década, apenas a Albânia manteve-se como aliado incondicional.

Enquanto os comunistas lutavam por construir a sociedade, apareceram diferenças entre Mao, que favorecia uma ideologia comunista pura, e os intelectuais, profissionais e burocratas, que queriam uma aproximação mais racional e moderada. Em 1957, impuseram-se estritos controles sobre a liberdade de expressão, que puseram fim à denominada "primavera de Pequim".

A cisão entre Mao e os moderados ampliou-se. Em 1959, ele abandonou a presidência da República e foi sucedido pela moderado Liu Shaoqi. O rompimento transformou-se em conflito em 1966, quando Mao e seus seguidores lançaram a revolução cultural proletária, para erradicar o que perdurara das idéias e costumes burgueses e para recuperar o zelo revolucionário do primitivo comunismo chinês.

A Revolução Cultural teve efeito adverso sobre as relações exteriores. A propaganda a favor dos guardas vermelhos e a agitação dos chineses residentes no estrangeiro dificultaram as relações com muitos Estados, especialmente com a URSS. Mao emergiu vitorioso da Revolução Cultural e o pensamento radical refletiu-se em uma nova Constituição, adotada pelo IV Congresso Nacional Popular em 1975. O moderado Deng Xiaoping foi nomeado primeiro vice-primeiro ministro e vice-presidente do partido.

Durante este período, as relações exteriores melhoraram substancialmente, em especial com os Estados Unidos, que em 1971 retirou seu veto à incorporação da República Popular Chinesa às Nações Unidas, após o que foi ela admitida em substituição à República da China (Taiwan). Em 1972, estabeleceram-se relações diplomáticas com o Japão e, em 1979, com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que se estreitavam os laços com a Europa Ocidental.

Mao morreu em 1976, deixando um vazio de poder. Os radicais obtiveram sua primeira vitória ao impedir que Deng Xiaoping fosse eleito primeiro ministro. Como solução de compromisso, Hua Guofeng foi nomeado sucessor de Mao, como presidente do Partido Comunista Chinês. Sob seu governo, impuseram-se políticas moderadas.

Em 1977, Deng foi reinstaurado como substituto do primeiro ministro. O XXI Congresso do Partido Comunista Chinês, celebrado em 1977, foi dominado pelo presidente Huan, o vice-presidente Deng e Ye Jianying.

Deng Xiaoping foi a figura dominante ao longo da década de 1980 e nos primeiros anos da de 1990. Favoreceu uma política que permitia o desenvolvimento comercial e industrial, atraindo investimentos estrangeiros.

Em 1982, adotou-se uma nova constituição e uma nova reorganização do Partido Comunista Chinês. A primeira restabeleceu o cargo, em grande parte representativo, de presidente da República (anteriormente presidente de Estado), que em 1968 havia sido abolido por Mao.

Em janeiro de 1987, Zhao Ziyang foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. As mudanças de chefia chegaram após uma onda de manifestações estudantis que reclamavam maior democratização e liberdade de expressão (ver Protestos na praça de Tiananmen). No período de repressão política que se seguiu, Zhao Ziyang foi despojado de seus cargos no partido e Jiang Zemin transformou-se em secretário-geral. A VIII reunião do Congresso Nacional Popular, em 1993, elegeu Jiang presidente da China e reelegeu Li Peng chefe de Governo.

No 15o Congresso do Partido Comunista Chinês, em setembro de 1997, as posições de Jiang Zemin se consolidaram ainda mais com a incorporação das idéias de Deng Xiaoping ao estatuto do partido, ao mesmo nível que as de Mao e do marxismo-leninismo. Em conseqüência, foi aprovado um gigantesco programa de privatização da maioria das quase 400 mil empresas estatais, se abriram as portas a mais diversificados investimentos estrangeiros e o conjunto da economia cresceu a um ritmo sem precedentes na história chinesa. Com a abertura, o comércio exterior chinês acumula enormes superavit anuais, fornecendo recursos para a criação de empregos e melhora dos níveis salariais. Pela primeira vez em quase 20 anos, em 1999 o primeiro ministro Zhou Rongji visitou os Estados Unidos, que se transformaram em um dos principais parceiros comerciais da China.

As inundações provocadas pela enchente do rio Yang-tsé têm renovado o sonho há muito acalentado pelas autoridades chinesas: domar o longo rio construindo a barragem das Três Gargantas, cujos trabalhos foram iniciados em 1997 e devem terminar em 2009. Com a criação de um lago de contenção, a barragem deverá reduzir a pressão das águas sobre as regiões situadas rio abaixo, donde as inundações têm feito inúmeras vítimas. As autoridades do país expressaram seu temor com relação aos diques do Yang-tsé, que vêm sendo submetidos a uma pressão nunca experimentada antes.

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