Civilização Alemã - História da Alemanha

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Este artigo desenvolve a história da Alemanha antes de 1949 e depois de 1990 (ver República Democrática Alemã; República Federal da Alemanha).

O arquiteto alemão Johann Balthasar Neumann desenhou a Residenz, palácio barroco em Wurzburgo (Alemanha), para o príncipe ou o bispo desta cidade. Finalizado em 1746, o palácio apresenta um grande hall ou vestíbulo com escadas na parte central. O teto côncavo da escadaria é decorado com pinturas do artista italiano do século XVIII, Giovanni Battista Tiepolo. O palácio é aberto ao público e a ala sul alberga o Museu Martin von Wagner

Durante a idade da pedra, os bosques alemães estavam povoados por grupos de caçadores e coletores. Constituíam as formas primitivas do Homo sapiens, (Homem de Heidelberg que viveu há 400.000 anos).

Aproximadamente em 2300 a.C. chegaram novas hordas de povos indo-europeus, antepassados dos germanos, que se instalaram no norte e no centro da Alemanha, os povos bálticos e os eslavos no leste e os celtas no sul e no oeste. De 1800 a 400 a.C., os povos celtas do sul da Alemanha e da Áustria desenvolveram progressos no trabalho com o metal, configurando várias culturas — campos de urnas, Hallstatt e La Tène — que se difundiram pela Europa.

Entre os séculos II a.C. e V d.C. as tribos germânicas e celtas estiveram em contato com os romanos, que controlavam o sul e o oeste da Europa e tentaram sem êxito estender seu domínio até o rio Elba. A fronteira se manteve nos rios Reno e Danúbio, onde erigiram os limes (linha de fortificações). Nos séculos IV e V os hunos originários da Ásia assolaram o território e os ostrogodos, visigodos, vândalos, francos, lombardos e outras tribos germânicas invadiram o Império Romano.

A cidade velha de Munique possui numerosos edifícios construídos no início do século XVIII por seus governadores bávaros. O ajuntamento (em primeiro plano) domina a famosa praça de Marienplatz. A Frauenkirche, catedral em ladrilho do gótico tardio, encontra-se junto ao ajuntamento. O templo foi construído no século XV e sua torre mede 99 metros.

No final do século V, o chefe dos francos, Clodoveu I, derrotou os romanos e estabeleceu um reino que englobava a maior parte da Gália e o sudeste da Alemanha. Seu trabalho foi continuado no século VIII por Carlos Magno, que anexou o sul da Alemanha e submeteu os saxões. O Império carolíngio não sobreviveu e depois da morte do filho de Carlos Magno foi dividido entre seus três netos (ver Tratado de Verdun de 843), cabendo a Alemanha a Luis, o Germânico.

Depois da morte do último monarca carolíngio, Oto I, o Grande, foi o primeiro rei saxão fortemente decidido a criar uma monarquia centralizada. Outorgou privilégios territoriais à Igreja, defendeu seu reino dos ataques exteriores e invadiu a Itália duas vezes. Foi coroado como imperador em 962, e é considerado o fundador de fato do Sacro Império Romano-Germânico. Os reis saxões se fizeram reconhecer como imperadores durante três gerações, até a morte de Enrique, o Santo. Durante os 100 anos seguintes (1024-1125), os reis da Germânia foram eleitos entre os francos que reinavam no ducado da Franconia. Os reis sálicos levaram o império ao seu ponto culminante.

A cidade de Nuremberg, no estado da Bavária, está situada às margens do rio Pegnitz. Na Idade Média, Nuremberg foi um centro comercial e cultural. O castelo que aparece aqui foi construído no século XI.

Conrado II, o Sálico, fortaleceu o poder real, apoiando-se nos cavaleiros que ele enobreceu. Foi sucedido pelo seu filho Henrique III, o Negro, que obrigou o duque da Boêmia a reconhecer sua autoridade. Aos seis anos de idade, Henrique IV sucedeu seu pai e durante a regência sua mãe, Inês de Poitiers, se viu obrigada a ceder a maior parte do território real. Henrique IV tentou recuperar a perda do poder imperial o que provocou a rebelião dos saxões. O resultado foi uma guerra civil de quase 20 anos. Henrique marchou sobre Roma, instalou o antipapa Clemente III e foi coroado imperador em 1084. Finalmente, traído e feito prisioneiro por seu filho (Henrique V), viu-se obrigado a abdicar. Henrique V continuou inutilmente as lutas de seu pai por manter a supremacia sobre a Igreja, sustentando seu direito a nomear os bispos que eram simultaneamente senhores feudais. Perdeu o controle da Polônia, Hungria e Boêmia. A Questão das investiduras terminou com o Concordato de Worms (1122), que estipulou que as nomeações episcopais teriam lugar perante a presença imperial e o imperador investiria o candidato com os símbolos de seu cargo temporal, antes que um bispo o fizesse com os símbolos espirituais.


Frankfurt am Main é uma ativa cidade portuária, situada às margens do rio Main. Esta imagem mostra a arquitetura medieval da parte antiga da cidade.

Nos séculos XII e XIII a Alemanha e a Itália estiveram imersas na rivalidade existente entre duas famílias principescas: os Hohenstaufen da Suábia, denominados gibelinos (ver Guelfos e gibelinos) na Itália, e os Welfs da Baviera e da Saxônia, conhecidos como guelfos na Itália.

Com a morte de Henrique V os príncipes elegeram imperador Lotario II, duque da Saxônia, que tentou converter e dominar o leste. Depois de seu falecimento, os príncipes elegeram Conrado de Hohenstaufen, duque da Suábia e a guerra civil explodiu novamente (guelfos – gibelinos) enquanto Conrado dirigia a desafortunada Segunda Cruzada, que se desenvolveu de forma paralela ao conflito guelfo-gibelino na Itália.

Seu filho Frederico I Barba-Roxa assumiu o título de imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Unificou a Alemanha e a Borgonha, declarou uma paz imperial e submeteu os guelfos.

Henrique VI quis ampliar seus domínios. Para assegurar a paz na Alemanha, reprimiu uma rebelião, invadiu as cidades do norte da Itália, conquistou a Sicília e tentou criar um império no Mediterrâneo que se desmembrou rapidamente. Seu filho, Frederico II, herdou a Sicília, mas a Itália setentrional reafirmou sua independência. Para conseguir o apoio para suas campanhas na Itália setentrional, permitiu aos príncipes alemães ser senhores absolutos em seus próprios territórios. Conquistou os principais lugares cristãos da Terra Santa, exceto Jerusalém, e depois das guerras com a Liga Lombarda tomou os Estados Pontifícios.


Na imagem, os edifícios mais antigos contrastam com os letreiros em néon

Parte antiga da cidade de Colônia ficou separada da moderna pelo Ringstraáe, construído entre 1881 e 1895. Os bairros modernos de Colônia surgiram como amparo ao desenvolvimento das indústrias comerciais e náuticas.

O filho mais novo de Frederico herdou a Sicília e o título imperial, mas a Itália e a Alemanha nunca mais se uniram. Os papas, aliados aos franceses, expulsaram os Hohenstaufen da Sicília. A Alemanha sofreu a desordem do Gran Interregnum (1254-1273), durante o qual os inumeráveis estados em que estava dividida protagonizaram uma volta ao feudalismo isolacionista.

No final do século XIII, o Império havia perdido a Polônia, a Hungria e o controle efetivo da Borgonha e da Itália. Dentro de suas fronteiras, os principados eram praticamente autônomos. Nas cidades o comércio teve um grande desenvolvimento. As cidades do Reno e, mais tarde, as cidades alemães do norte formaram associações comerciais; a mais poderosa das quais foi a Liga Hanseática.

No final da Idade Média, as grandes estirpes de duques foram extintas e se criaram novos principados. Três casas reais — Habsburgo, Wittelsbach e Luxemburgo — lutaram pelos direitos dinásticos da coroa imperial. Em 1273 se pôs fim ao Gran Interregnum com a eleição de Rodolfo I de Habsburgo, que se dedicou a ampliar as possessões de sua família.

Durante o reinado de Sigismundo de Luxemburgo foi convocado o Concílio de Constança (1414-1418). O movimento hussita convulsionou a Boêmia ao combinar os sentimentos tradicionais tchecos com o desejo de reformar em profundidade a Igreja.

Com seu enteado Alberto V, o Ilustre, a coroa imperial tornou-se hereditária da casa dos Habsburgo. Seu sucessor, Frederico III da Estíria, perdeu a Hungria e a Boêmia, e vendeu Luxemburgo para a França, enquanto lutava contra os príncipes alemães e os turcos alcançavam as fronteiras do Império.

Maximiliano I desenvolveu uma política matrimonial em benefício de sua família. Seu casamento com Maria de Borgonha lhe deu direito à herança do duque Carlos, o Temerário, que incluía o território entre a atual Suíça e o mar, com Flandres e Holanda. Mediante o matrimônio de seu filho, Felipe I, o Belo, com a herdeira da Espanha, Joana I, a Louca, Maximiliano assentou as bases para a futura união das coroas de Castela e Aragão com o Império. Como no resto da Europa, o século XV foi uma época de transição da economia feudal da Idade Média para a economia monetária da época moderna, processo que criou tensões entre todas as classes da sociedade, enquanto as cidades se tornavam cada vez mais importantes.

As inquietações espirituais de Martinho Lutero se combinaram com as ambições seculares dos príncipes alemães para produzir a Reforma protestante, que propunha a liberdade religiosa. As lutas religiosas intensificaram os conflitos políticos europeus durante cem anos.

Em 1519, Carlos (I da Espanha e V da Alemanha) sucedeu a seu avô Maximiliano como imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Dedicou sua vida a preservar um império medieval unido na fé, um esforço infrutífero na sociedade plural criada pelos reformadores e as forças seculares. Os protestantes estavam divididos: além dos luteranos haviam cristãos reformistas inspirados pelo teólogo suíço Ulrich Zwingli e radicais anabatistas.

Pela Paz de Augsburgo (1555), ficou reconhecido o luteranismo, mas não ocorreu o mesmo com os calvinistas (ver João Calvino). Carlos abdicou em 1556. Seu vasto Império se dividiu: as possessões espanholas e borgonhesas passaram a seu filho Felipe II, enquanto o título imperial e as possessões alemãs foram para seu irmão Fernando I de Habsburgo.

Enquanto os imperadores Fernando I e seu filho Maximiliano II estiveram ocupados com a ameaça da invasão turca, o protestantismo se expandiu na Alemanha, mas seu progresso se deteve pela Contra-reforma. O Concílio de Trento (1545-1563), modificou a doutrina e o culto católicos e impediu a reconciliação com os protestantes.

A tensão entre ambas religiões conduziu à guerra dos Trinta Anos, que finalizou pela paz de Vestfália (1648). Reconhecia-se a soberania e a independência de cada estado do Sacro Império Romano-Germânico e a religião seria determinada por seu príncipe; foi aceita a situação existente em 1624 no aspecto religioso, ao estabelecer que as propriedades dos Habsburgo, o sul e o oeste da Alemanha eram católicos e os protestantes podiam manter as propriedades adquiridas.

Politicamente o Sacro Império Romano-Germânico (ou I Reich) continuou com tal denominação, mas havia perdido todas as pretensões à universalidade e a um governo centralizado. No final do século XVII e início do XVIII, o Império estava eclipsado pela França e pela Inglaterra. A estrutura imperial dependia de grande quantidade de príncipes menores; os Wettins da Saxônia, os Welfs de Brunswick-Luneburgo se converteram em eleitores de Hannover, os Wittelsbachs da Baviera, os Habsburgo da Áustria e os Hohenzollern de Brandemburgo eram as famílias hegemônicas no Império e dominavam os outros príncipes.

Apenas haviam se recuperado da guerra dos Trinta Anos quando os príncipes e o imperador se enfrentaram em uma série de novas lutas dinásticas. No oeste, os príncipes se envolveram em quatro guerras para freiar as intenções de Luís XIV de estender o território francês até o Reno.

Os príncipes alemães se encaminharam para o norte e o leste, onde entraram em conflito com a Suécia no mar Báltico, produzindo-se duas guerras, denominadas de Norte. Os alemães também tiveram que enfrentar os turcos otomanos, que se expandiram no sudeste da Europa. Eugênio de Savóia os venceu em Senta (1697) e os Habsburgo anexaram a maior parte da Hungria. A família dos Hohenzollern tinha territórios geograficamente desconectados no oeste. Fora do Império, a área mais importante era a Prússia, que se converteu em um reino independente em 1701.


A cidade de Aquisgrã, na Renânia alemã, é um centro industrial e turístico. Provavelmente seja também a cidade natal de Carlos Magno

Frederico Guilherme I da Prússia era um militar dedicado a unir suas dispersas possessões em um único Estado moderno onde a presença do militar seria constante. Frederico II, o Grande, dedicou a maior parte de sua vida a estender o território da Prússia às custas da Áustria e da Polônia.

O imperador Carlos VI, ansioso em manter unificados os domínios dos Habsburgo, promulgou a Sanção pragmática em 1713, declarando que sua filha Maria Teresa I da Áustria lhe sucederia. Quando morreu em 1740, os eleitores da Baviera e da Saxônia rechaçaram a Sanção Pragmática. Frederico II invadiu a Silésia, precipitando a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-1748). Maria Teresa assinou a paz com ele em 1742, cedendo-lhe a Silésia.

O surgimento da Prússia como uma grande potência levou a uma mudança de alianças e a novas hostilidades. A intenção de Maria Teresa de reconquistar a Silésia deu lugar a uma série de alianças que conduziriam à guerra dos Sete Anos (1756-1763).

Durante 18 anos os Estados alemães estiveram implicados de forma diferente em cinco guerras contra os exércitos da França revolucionária e napoleônica. No início a Áustria e a Prússia perderam muitos territórios, mas em 1812 Napoleão foi derrotado na campanha da Rússia. Frederico Guilherme III da Prússia, junto com a Áustria e a Rússia, derrotou Napoleão em Leipzig (1813). No Congresso de Viena (1814-1815) os Estados vencedores de Napoleão redesenharam o mapa da Europa. O Sacro Império Romano-Germânico, com mais de 240 estados, foi substituído pela Confederação Germânica, formada por 39 estados representados na Dieta de Frankfurt. Muitos alemães queriam estabelecer um governo liberal de acordo com uma Constituição que garantisse a representação popular e outras medidas. Também tinham esperanças na unificação nacional.

Os soberanos da Prússia e da Áustria e os recentemente coroados reis da Baviera, Hannover, Württemberg e Saxônia, temerosos de qualquer usurpação de sua soberania, opuseram-se ao liberalismo e ao nacionalismo. Áustria, Prússia, Rússia e Grã-Bretanha formaram a Quádrupla Aliança para suprimir qualquer ameaça aos acordos de Viena.

As revoluções liberais de 1830 e 1848 em Paris, estenderam-se sobre a Europa. Os confrontos também alcançaram a Baviera, a Prússia e o sudoeste da Alemanha, mas foram esmagados rapidamente na Áustria, Hungria e Prússia.

Prússia e Áustria fizeram planos divergentes para a futura unificação alemã. Na Prússia, o rei Guilherme I, junto a seu primeiro-ministro, Otto von Bismarck, decidiram fazer da Prússia um poderoso Estado.

Depois da Guerra Áustro-prussiana, a Áustria cedeu Veneza para a Itália, e a Prússia anexou ao Schleswig-Holstein, Hannover e outros estados, e organizou a Confederação da Alemanha do Norte (1867) sem a Áustria. Bismarck culminou sua estratégia com a Guerra Franco-prussiana, depois da qual, em 1871, Guilherme foi proclamado imperador do Império Alemão (o II Reich).

Uma vez unificados os diversos Estados alemães sob o Império dirigido pela Prússia, Bismarck fez uma série de alianças para proteger a Alemanha de qualquer agressão exterior. No interior fomentou a Revolução Industrial.

Bismarck considerou que a Igreja católica ameaçava a supremacia do Estado alemão. Iniciou assim a Kulturkampf (luta cultural) durante a qual suprimiu muitas ordens religiosas.

O Império não funcionava de forma democrática. Bismarck dirigiu a perseguição ao Partido Socialista, precursor do Partido Social-democrata alemão, e preparava suprimir a Constituição. Entretanto, o novo imperador Guilherme II da Prússia o destituiu, por querer governar o Império de forma pessoal.

Guilherme II manteve a Tríplice Aliança (1882) da Alemanha, Áustria e Itália. Para equilibrar a situação, a Rússia concordou com uma aliança em 1894 com a França. A Grã-Bretanha, durante muito tempo neutra, resolveu suas diferenças coloniais com a França e com a Rússia, o que teve como resultado a formação do Tríplice Entente. Desta forma, a Europa se dividiu em dois blocos armados.

A crise do Marrocos e dos Balcãs intensificaram os antagonismos. Guilherme II interveio duas vezes no Marrocos (1905, 1911), que a França pretendia, para proteger os interesses alemães na África. A Áustria anexou em 1908 as províncias turcas da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do arquiduque austríaco Francisco Fernando de Habsburgo em Sarajevo, em junho de 1914, foi a faísca que iniciou a I Guerra Mundial.

As tropas alemãs invadiram e avançaram pela neutra Bélgica com a intenção de tomar Paris de surpresa, mas os alemães encontraram mais resistência na Bélgica do que esperavam, apesar de quase chegaram a Paris. Entretanto, os britânicos e os franceses freiaram o avanço alemão na batalha de Marne, enquanto os russos atacaram o leste, mergulhando a Alemanha na temida guerra de duas frentes.

Os alemães derrotaram várias vezes os russos. Os aliados bloquearam a Alemanha para impossibilitar o fornecimento de alimentos e matérias-primas, contando com o apoio dos Estados Unidos, que entraram na guerra em 1917. A Rússia pediu a paz, que foi assinada em 1918. Os alemães lançaram uma ofensiva final no oeste, mas os aliados resistiram.

O chanceler anunciou que Guilherme II tinha abdicado e se demitiu. O dirigente do Partido Social-democrata Friedrich Ebert proclamou a República. A Alemanha teve que enfrentar os duros termos do Tratado de Versalhes em 1919: perdeu a Alsácia e Lorena a favor da França, e a Prússia Ocidental passou para a Polônia. Também perdeu suas colônias e teve que ceder suas instalações siderúrgicas, linhas ferroviárias e navios mercantes, assim como sua força naval. Além disso, tiveram que aceitar a plena responsabilidade como causadores da guerra e pagar indenizações aos países vencedores.

A crise econômica fez piorar a situação. Pelo Plano Dawes (1924), foi revista a quantia e a modalidade de pagamento das reparações de guerra e se proporcionaram empréstimos do exterior. Durante cinco anos a Alemanha desfrutou de uma estabilidade social e prosperidade relativas; em 1926 se incorporou à Sociedade das Nações. Entretanto, a crise econômica mundial de 1929 colocou o país uma vez mais à beira do desastre.

Em meio a depressão econômica, as eleições de 1932 fizeram com que o Partido Nacional-socialista (nazista) fosse o de maior representação no Reichstag. Em 1933, com o apoio de elementos de extrema direita, Hitler foi eleito chanceler. O novo Parlamento aprovou a Lei de Poderes Especiais permitindo a Hitler controlar todos os aspectos da vida alemã e criar o III Reich.

Todos os partidos políticos, exceto o Nacional-socialista foram considerados ilegais. O III Reich buscou ser economicamente auto-suficiente. O amplo sistema propagandístico contou com o apoio da Gestapo na repressão dos descontentes. Os judeus sofreram com as leis discriminatórias, sendo privados da cidadania e excluídos das atividades civis e profissionais, e depois da denominada Noite dos cristais quebrados, centenas de milhares de judeus fugiram do país.

Mais tarde, as ocupações da França, da Bélgica, dos Países Baixos, da Noruega, da Dinamarca, da Iugoslávia e da Grécia fizeram com que milhões de judeus ficassem sob o domínio nazista. Até o final da guerra, os judeus mortos chegaram a cerca de seis milhões no que ficou conhecido como o Holocausto.

O desejo da Alemanha de buscar uma revisão do Tratado de Versalhes pela força tornou inúteis os esforços realizados pelos outros países que queriam evitar o confronto militar, o que conduziu à II Guerra Mundial, em que os alemães foram aliados da Itália de Mussolini e do Japão expansionista.


A cidade portuária de Hamburgo, situada às margens do rio Elba, perto do Mar do Norte, teve que ser reconstruída quase em sua totalidade depois da II Guerra Mundial. O monumento a Otto von Bismarck está situado em primeiro plano com a cidade ao fundo. Bismarck, primeiro chanceler do Império Alemão, governou de 1871 a 1890.

A primeira fase das operações foi amplamente favorável às forças do Eixo, que ocuparam a Polônia, Bélgica e França, além da Europa oriental. Em 1942, porém, a Grã-Bretanha ainda resistia e os Estados Unidos haviam entrado na guerra, depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Em 1943, a ofensiva soviética conduziu gradualmente as tropas alemães para o oeste. As forças do Eixo na África do Norte foram derrotadas e a Itália foi invadida. A Alemanha, a partir de 1942, começou a ser bombardeada de forma intensiva, mas Hitler recusou render-se. As forças britânicas e americanas desembarcaram na Normandia em 1944 e avançaram para a fronteira alemã, enquanto os soviéticos faziam o mesmo na frente oriental. Hitler se suicidou antes dos tanques soviéticos entrarem em Berlim, em abril de 1945.

A rendição incondicional da Alemanha pôs fim ao III Reich. Os aliados reduziram a Alemanha às fronteiras anteriores ao início da contenda, e ainda destinaram uma parte de seu território oriental à Polônia, como forma de compensar as terras ocupadas pela União Soviética até o Oder. A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, mas como as orientações políticas dos aliados divergiam, a Alemanha praticamente foi dividida em duas partes. Em 1948, Grã-Bretanha, Estados Unidos e França uniram suas zonas de ocupação e encorajaram os alemães a formar um governo democrático. A URSS, por sua vez, criou outro Estado. Em 1949 foram formados dois Estados alemães: a República Federal da Alemanha, ou Alemanha Ocidental e a República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental.


Berlim é a capital e maior cidade da Alemanha. Situada no nordeste do país e comunicada por rios e canais com o mar Báltico, é também um importante centro industrial e cultural


O governo da Alemanha Oriental caiu em 1989. Com a derrubada do muro de Berlim e outras barreiras migratórias mais de 200.000 alemães orientais entraram na Alemanha Ocidental. Ambas Alemanhas realizaram a união econômica e monetária em julho de 1990, e em outubro foi dissolvida a República Democrática Alemã: todos seus cidadãos se converteram em súditos da República Federal Alemã. A coalizão conservadora dirigida por Helmut Kohl, que estava no poder desde 1982, conseguiu a vitória nas eleições de 1990. Kohl permaneceu no comando da nova Alemanha até 1998, quando perdeu a eleição para o social-democrata Gerhard Schroeder, que obteve mais de 5% dos votos de vantagem. Schroeder é o terceiro chanceler social-democrata desde 1949, depois de Willy Brandt (1966-1969) e Helmut Schmidt (1974-1982).

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